
Não escondo de ninguém que adoro o Lagundri, sou fã mesmo, costumo ir sempre que surge a oportunidade. Falei sobre ele lá no comecinho do blog, há quase dois anos e, de lá pra cá, pouco mudou com relação à qualidade da comida. Tudo o que sai da cozinha é sempre muito bem executado, com ingredientes autênticos da culinária do sudeste asiático e fidelidade aos métodos de cocção originais. Nunca saí frustrada de lá, mesmo pagando um preço relativamente alto - também não é novidade que o Lagundri é um restaurante caro, falei sobre isso no antigo post.
O que notei de uns tempos pra cá foi que o serviço mudou e não foi pra melhor. Todas as vezes em que estive no Lagundri sempre fui muito bem atendida por pessoas que iam além das nossas expectativas, não só servindo com cordialidade e eficiência, mas também demonstrando vasto conhecimento do cardápio, desde os ingredientes dos pratos até as harmonizações corretas com as bebidas disponíveis. Atendentes sempre muito simpáticos e solícitos explicavam pacientemente aos que ainda não conheciam a casa detalhes como os níveis de pimenta e definições sobre os exóticos componentes dos pratos, como lemon grass, oytster sauce, curry paenang, etc. Na nossa última visita, porém, nosso atendente (um que não me lembro de ter visto antes por lá) teve um comportamento que defino como extremamente blasé. Passou o tempo todo de cara fechada, sem boa vontade nenhuma para explicar algum detalhe do cardápio que, por ventura, não soubéssemos - vale ressaltar que nossa mesa era composta de pessoas conhecedoras da culinária do sudeste asiático, inclusive meu irmão que já morou na Tailândia - ou seja, fico imaginando como seria o tratamento dele com aqueles que vão pela primeira vez ao restaurante, cuja cozinha exótica ainda é pouco conhecida da maioria dos brasileiros.
Espero sinceramente que a falta de motivação do atendente em nada tenha a ver com o fato de termos levado nossos vinhos - não sem antes ligar para o restaurante para me certificar se o serviço de rolha estava disponível - pois isso muito me decepcionaria. A rolha cobrada pelo estabelecimento é justamente para que o serviço seja o mesmo prestado no caso da escolha de um vinho da carta. Paga-se para utilizar as taças corretas, o balde de gelo, enfim, para que o vinho (e o comensal) receba o mesmo tratamento de quando se pede um vinho da carta. Como tínhamos levado dois vinhos distintos (um branco e um rosé), precisávamos que as taças fossem trocadas entre um vinho e outro, coisa que tivemos que pedir ao nosso garçom e este o fez como se fosse o maior favor do mundo, uma lástima (para constar, o serviço de rolha custa 30 reais por garrafa).
Como estávamos em cinco pessoas, decidimos pedir duas entradas para dividir enquanto aguardávamos pelos pratos. Fomos informados que a porção de Popia Tawt (os rolinhos primavera tailandeses) era composta por 6 unidades, mas os espetinhos Satai Kai tinham apenas quatro unidades na porção, ou seja, se quiséssemos um para cada, teríamos que pedir um adicional. Até aí, sem problema nenhum, mas depois notei na conta que o espetinho adiconal custou R$ 6,50 enquanto a porção inteira não passava de R$ 20,00... fiquei sem entender o motivo do espetinho adicional sair mais caro que os outros.

Ignorando a atitude do garçom, nosso foco era a comida - e que comida! Os espetinhos de mignon (que também podem ser de frango ou porco) são marinados em temperos especiais, o que confere extrema maciez à carne e vêm acompanhados do maravilhoso curry paenang, um creme picante com sabor acentuado de amendoim. Os rolinhos primavera são sequinhos e crocantes, com recheio levemente picante e acompanhados do indispensável sweet chilli.
Nossas escolhas de principais foram "ecléticas": eu fui de Mie Goreng, um prato indonésio composto de glass noodles com legumes, castanhas de caju e carne (de porco, no meu caso) puxados na wok. O maridão e a Renata foram de Pad Thai, que dispensa apresentações (nem sei como consegui resistir e não pedir o meu amado Pad Thai de sempre); mamãe foi de Ko Tao, um prato composto de cubinhos de mignon com bastões de gengibre, abacaxi, moyashi, oyster sauce e whisky, tudo na wok, acompanhado de arroz Thai Jasmine com sementes de papoula e carambola; meu irmão escolheu o Hoisin Prawns, camarões grandes na wok com legumes crocantes, castanhas de cajú e molho hoisin, acompanhados de Thais Jasmine.
Nem preciso dizer que a apresentação dos pratos é levada a sério no Lagundri, as fotos falam por si só. O ambiente em si já é quase afrodisíaco, quando combinado com o aroma e sabor dos pratos, a experiência se torna algo mais que especial. É disso que estou falando:




Não tenho uma única crítica quanto aos pratos, todos são executados à perfeição. E isso vale para todas as vezes em que estive no Lagundri, a cozinha é muito regular, nada de altos e baixos, somente altos. É uma pena que a sensação com relação ao serviço não tenha ficado à altura da excelente comida, mas ainda assim foi um fato isolado, que ocorreu em uma única visita dentre outras que já fizemos ao restaurante. É um lugar que cobra um valor alto, não só pela comida mas também pelo serviço e ambiente. Há pratos mais simples que custam algo em torno de 40 reais, mas os mais elaborados podem chegar a 70 reais. As entradas custam em torno de 20 reais e a maioria pode ser tranquilamente dividida entre duas pessoas.
Para quem gosta desta culinária tão rica ou para quem quer conhecer novos sabores e surpreender não somente o paladar, mas também os outros sentidos, o Lagundri é "O" lugar.
