Caro leitor, seja você leitor assíduo ou não deste blog, leitor que veio parar aqui por acaso, leitor de passagem, qualquer um que esteja lendo isso agora, gostaria de pedir algo a você, encarecidamente: conte-me algo novo! Sim, por favor, preciso de novidades gastronômicas, senão corro o risco de sofrer um bloqueio e não mais conseguir escrever nada por aqui... estou em uma fase de "marasmo criativo", preciso de emoção para criar um novo post e isso só acontece quando vou com sede ao pote, quando vou conhecer um novo restaurante, quando experimento novos sabores, quando algo me surpreende e tenho vontade de dividir a experiência com vocês.
Acontece que, nos últimos tempos, não tenho sentido essa emoção, não ouvi ninguém comentando sobre um novo lugar, sobre uma descoberta de algo delicioso, ainda que escondido em uma biboca da baixa gastronomia, nada! Na hora de escolher onde comer, tenho preferido meus portos seguros, lugares que já fui e continuo indo pois gosto da comida, do serviço, do ambiente e prefiro gastar meu dinheiro com algo que me satisfaça por completo. Mas existe em mim esse espírito aventureiro que anseia por novidades, por sabores mais exóticos, por experiências mais complexas, por algo d-i-f-e-r-e-n-t-e.
Sim, tenho na ponta da língua meus lugares favoritos da cidade para as mais diversas ocasiões, querem ver? Para um jantar a dois, o Lagundri; para bebericar e petiscar com amigos, o Esquinica; para um almoço de domingo com direito a esbórnia, o brunch do Vila Real; para aquele almoço durante a semana que não pode demorar mais que meia hora, o Spice; para enfiar o pé na jaca e comer durante horas, o Bar do Marcelino; para um bom vinho, acompanhado de oa comida, o Gallo Nero; para um bom hamburger, o Fiftie's; para aqueles raros rompantes saudáveis, a salada do Kilimanjaro; para conforto imediato, a polenta do Duo; para grandes comemorações, o La Palette... por mais que alguns novos lugares na cidade tenham me surpreendido, caso do Esquinica, do Meme, do Conte, do Duo, ainda sinto falta de um cenário gastronômico mais fervilhante, com direito a representantes de culinárias até então pouco exploradas. Por que não um coreano moderno, um indiano tradicional, uma cevicheria, um regional de respeito, um diner com lobster roll e philly steak no menu, sei lá, algo que não seja igual ao que já temos de monte por qui.
Concordo que a análise pré-abertura de um negócio deve ser um verdadeiro drama para o investidor, mas será mesmo que Campinas não tem público para se ajustar às tendências da gastronomia mundial? Já viram como ficam os shoppings da cidade aos finais de semana e feriados, na hora do almoço? Ou como fica a rodovia dos Bandeirantes no sábado à noite, sentido São Paulo? Você aí, que gosta de comer bem, vai me dizer que, vez ou outra, não recorre à paulicéia em busca de novas experiências, indo atrás daquela dica do amigo paulistano que nós julgamos ser muito mais entendidos que nós, dada a vasta gama de estabelecimentos "diferenciados" aos quias ele tem acesso, todos os dias da semana? E quando volta de lá, adora falar que é habitué deste ou daquele restaurante de Sampa, que lá o esquema é outro, é "diferente"...
Pois bem, é neste "diferente" que eu queria chegar. Não precisa ser diferente, precisa ser interessante, precisa despertar o interesse e a curiosidade dos comensais, precisa valer à pena em todos os sentidos. Não há mais espaço para erros primários, como comida ruim, pedidos trocados ou serviço incompetente, o que se paga hoje em dia é caro demais para não se justificar. No meu caso, basta uma única experiência ruim para que eu nunca mais coloque os pés no lugar, não tem desculpa para determinados problemas. Fico feliz que tenhamos ótimos representantes da boa gastronomia na cidade, em diversas categorias e estilos, mas este cenário precisa ser mais dinâmico, estabelecimentos considerados "mais ou menos" devem ceder lugar a novos potenciais e isso só ocorre quando o público demonstra sua opinião através da frequência. Por isso, só volto aos lugares que considero bons ou ótimos, com a esperança de que as pessoas façam o mesmo, fazendo surgir novas opções.
Nesta semana teremos o lançamento da edição 2012 2013 da Veja Comer & Beber Campinas. Apesar de não querer nutrir grandes esperanças com relação a novidades na cidade, espero ter alguma boa surpresa no quesito revelação, já que minha sede pelo novo e diferente parece estar me deixando "seca" demais - em termos de entusiasmo criativo, claro...

Essa foto é do Lamen - ou Ramen - do Momofuku Noodle Bar, um dos restaurantes-sensação de NY, do chef coreano David Chang. Daí fica a pergunta que ilustra meu sentimento ao escrever este post: por que não posso comer um ramen em Campinas, se temos inúmeros restaurantes japoneses?
