Como o restaurante fica nos fundos, você é obrigado a atravessar a loja e a vontade que dá é de ficar por ali mesmo em meio às garrafas, mas seguimos em frente. O lugar é pequeno - são 35 lugares - porém com bom espaço entre as mesas, mas não o suficiente para impedir que as conversas sejam compartilhadas (ainda mais após algumas garrafas, quando bate aquela animação). Mas nada que tenha incomodado, mesmo porque além de nós só havia uma outra mesa com duas pessoas.
De entrada, o cardápio oferecia variadas opções de bruschetta. Fomos de calabresa com funghi, apenas uma porção pois a mesma vinha com quatro unidades, suficiente para um casal. Para os pratos principais, escolhi o medalhão de mignon ao molho de roquefort com risoto de alcachofra e o maridão foi de mignon de cordeiro com risoto de pistache. Pedidos feitos, lá fomos nós em busca do nosso tinto. O maridão se encarregou da escolha, mesmo porque ele é o expert do casal no quesito harmonização. Enquanto ele escolhia (e para o desespero dele), eu tirava as fotos da loja. Já falei pra ele ir se acostumando com o mico das fotos, mas tá difícil...
Agora vou abrir um adendo a este post: infelizmente, não sou tarada por vinhos... Eu sei, eu sei, é triste admitir isso para quem gosta tanto de comer como eu, mas talvez eu ainda não tenha sido suficientemente seduzida por Baco... E olha que as investidas foram muitas ao longo da vida, minha família sempre teve o hábito de incluir bons vinhos nas refeições e o maridão também se esforça bastante para que eu ceda aos encantos da bebida. Mas eu chego lá, pelo menos já adoro um bom espumante, bem geladinho, na beira da piscina...
Voltando: vinho escolhido, voltamos para nossa mesa e a garrafa foi para para o gelo para chegar à temperatura ideal. Como a intenção não era escolher nenhum vinho premiado ou especial, o eleito foi o argentino Santa Julia Malbec, da Família Zuccardi, proveniente da região de Mendonza. Um vinho com preço amigável e que fez jus à refeição, e pronto. Não esperem que eu vá discutir sobre aspectos do vinho como "coloração rubi- intenso", "taninos marcantes" ou "lágrimas rápidas e abundantes", mesmo porque não entendo lhufas sobre isso e meu foco é a comida, portanto vamos ao que interessa.
Meu prato estava excelente, muito bom mesmo. O mignon estava exatamente no ponto que eu pedi (o que costuma ser um problema para os restaurantes, uma vez que eles não acreditam quando eu peço bem mal-passado) e o molho de roquefort estava delicioso, leve até, o que impressiona para um queijo azul. O risoto de alcachofra estava ótimo, no ponto certo de cozimento e na quantidade perfeita. O prato do maridão estava ótimo também, a carne de cordeiro era macia, bem temperada com ervas e contava ainda com uma geléia de hortelã. O risoto de pistache também estava bem gostoso, contrastando entre a maciez do arroz e os pedacinhos de pistache, delícia. As porções eram razoavelmente grandes, mas nada exagerado.
De sobremesa, cresci o olho para o crepe de morangos com calda de chocolate e não consegui pedir outra coisa. Mas acho que estava esperando algo mais complexo e não achei que estava maravilhoso, apenas bom. Talvez seja porque os morangos do recheio, não muito maduros, estivessem ali soltos dentro da panqueca, o que tornava o sorvete com chocolate muito mais gostoso do que o crepe em si.
O serviço foi atencioso mas discreto, sem excessos mas presente. Achamos graça quando o garçom, vendo que eu tirava fotos dos pratos, se ofereceu para tirar uma foto nossa... "não, obrigada, só quero fotografar a comida mesmo" - e ele saiu com um ponto de interrogação na testa...
Quanto à "la dolorosa", foram R$ 180,00 por uma entrada, dois pratos principais, uma sobremesa e um vinho de R$ 43,00. Uma média de R$ 70,00 por pessoa SEM vinho. Mas como trata-se de um bistrô instalado em uma loja como a Expand, que é a maior importadora de vinhos da América do Sul, não dá para cogitar excluir o vinho de sua refeição. Aqui, ele é o prato principal.
Bistrô Expand
R. Maria Monteiro, 59
Cambuí
Fone: 3252-8893
