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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mais uma revisita: Conte Restaurante



Dessa vez a revisita foi ao Conte, restaurante que tive oportunidade de conhecer durante a última SPRW (leia o post aqui) e que se mostrou digno de uma nova visita devido ao bom desempenho na ocasião do evento e menú interessante.

O ambiente do Conte é agradável e acolhedor, ao passo que o serviço é dos mais simpáticos e atenciosos. O sommelier, além de demonstrar bom conhecimento, dá boas sugestões sem citar apenas os rótulos mais caros da carta. Nossa última visita foi em um almoço de domingo, ocasião em que a casa não estava lotada mas havia mesas próximas ocupadas por famílias inteiras, porém sem causar desconforto acústico.

Detalhe da decoração do hall de entrada

Estávamos em três e decidimos pedir duas entradas, um ceviche de robalo e uma porção de bolinhos de batata inglesa recheados com ementhal e sálvia. Nos principais, fui de medalhões de mignon com risoto de cogumelos, o maridão escolheu o lombo de cordeiro em crosta de shitake acompanhado de risoto de limão siciliano e mamãe foi de bife de tira com farofa crocante e batatas salteadas. Na hora de explicar o ponto, dei ênfase ao meu mal passado para não ter surpresas.

As entradas chegaram e percebi que, mesmo esganada como sou, a porção era beeeem farta. O ceviche poderia ser tranquilamente dividido em dois e ainda assim teria quantidade suficiente para uma entrada normal. Os bolinhos vieram em porção de 15 unidades, tamanho ideal para dividir entre duas ou três pessoas.

O ceviche estava gostoso e com o frescor necessário ao prato, porém achei que faltou um tiquinho de harmonia na quantidade de cítricos. Talvez um pouco mais de cebola (ou até cebola roxa) resolveria a questão, mas foi algo bem sutil que não tira o mérito do prato, estava saboroso e macio, sem o temido gosto "peixoso" para um prato de pescado crú. Ponto positivo para as finíssimas torradinhas de pão italiano com azeite e ervas, super crocantes.

Ceviche farto

Os bolinhos de batata eram deliciosos, com recheio macio e cremoso contrastando com a casquinha crocante de gergelim. O molhinho à parte, um tipo de barbecue, dava o toque final às bolinhas que eram devoradas às pressas.

Bolinhos-delícia

Os principais não tardaram a vir, a cozinha do Conte tem bom ritmo. A apresentação dos pratos é caprichada e as porções têm bom tamanho. O garçom me pediu para checar se o ponto dos meus medalhões estava conforme o desejado e só de espetar o garfo já pude dizer que sim, estavam perfeitamente mal passados. Quanto à maciez da carne, um espetáculo, daquelas de cortar com as costas da faca. O risoto estava no ponto correto de cozimento e com boa quantidade de cogumelos (porcini e paris), cremoso e saboroso. A carne ainda tinha um leve molho rôti e pimentas rosa.

Medalhões com risoto de cogumelos

... conferindo o ponto perfeito

O lombo de cordeiro veio envolto em cogumelos shitake e estava extremamente macio, salgado na medida certa e sutil no sabor da carne. O risoto de limão siciliano também tinha ponto correto de cozimento e sabor na medida. Tudo equilibrado e gostoso, justamente como deve ser.

Cordeiro

O bife de tira (um corte especial de picanha) acabou sendo o coadjuvante do prato, uma vez que a farofa crocante com pedaços de linguicinha apimentada roubou a cena. A carne em si estava boa mas um pouco além do ponto (pedido ao ponto para mal passado), mas aquela farofa compensou tudo, coisa divina. Taí a prova de que um acompanhamento simples pode ser alçado à condição de estrela do prato quando bem bolado e executado.

A fantástica farofa acompanhada do bife de tira...

Muito satisfeitos ao final da refeição, não sobrou espaço para a sobremesa, apenas pedimos um espresso para cada. Legal receber um mimo com o café, uma mini porção de doce como cortesia é um gesto muito bem vindo (e bem visto!) em tempos de cafés a preço de sobremesas. Em alguns lugares nem aquele shot de água com gás acompanha o caríssimo cafezinho... ponto para o Conte.

O café e o mimo: mousse de chocolate branco com frutas vermelhas

Os preços são honestos. Entradas entre 20 e 30 reais (vale lembrar que a quantidade é para dividir) e principais em torno de 50 e 60 reais. Opções boas e acessíveis na carta de vinhos, cuja apresentação é simples e didática. Mais uma gentileza do restaurante é oferecer o estacionamento com manobrista como cortesia, coisa rara nos dias de hoje, principalmente em se tratando da movimentada rua Sampainho no Cambuí.

Definitivamente, o Conte veio para ficar e se estabelecer como um dos bons e bem conceituados restaurantes da cidade.

Conte Restaurante
www.conterestaurante.com.br
Rua Sampainho, 251
Cambuí – Campinas
fone: 3325 4155

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Rosário é coisa nossa

Nosso retorno em 2012 será dedicado ao restaurante mais tradicional da cidade de Campinas, um velho conhecido dos comensais locais. Mas antes de falar sobre este sexagenário estabelecimento, gostaria de compartilhar com vocês as minhas resoluções de 2012 para o M.O.Q.B. - são elas:

1. Postar com mais frequência: sim, resolvi que quero manter a frequência semanal, mesmo que, eventualmente, surja um post ou outro com um conteúdo "alternativo" - obviamente relacionado à gastronomia e, se possível, à nossa região. Relaxem, não vou postar devaneios desconexos por aqui, o assunto sempre será comida e tudo o que está realacionado a ela.

2. Vou ser mais franca, sem me utilizar de eufemismos nos momentos de crítica. Ao reler alguns posts sobre lugares que não gostei ou que a experiência teve maus momentos, percebi que me preocupo muito em ser sutil para minimizar as críticas, quando deveria ser mais incisiva. Pois bem, serei...

3. Vou sair da zona de conforto em prol de conhecer novos lugares: isso quer dizer que, vez ou outra, vou abrir mão de ir aos lugares que mais gosto para conhecer outros, assumindo o risco de não ser legal - ou de ser surpreendente - e postando por aqui conteúdo mais diversificado.

Isto posto, vamos ao que interessa: o Restaurante Rosário é um marco da cidade, conhecido por todos e frequentado por clientes extremamente fiéis. Com um cardápio clássico e extenso, funciona num esquema praticamente de 24x7, ou seja, você provavelmente nunca vai encontrar a porta fechada, ele sempre está funcionando, inclusive em datas como Natal e Ano Novo. Além do salão, trabalha com entregas não só na cidade de Campinas mas também em outras da RMC e conta com área para happy hour.

Das opções do menu, destaque para a infinidade de opções de filés (todos mignon), como os clássicos Luiz XV, Steak au Poivre, Steak à Diana ou Chateaubriand. Praticamente todos os tipos de carne também são feitos no churrasco, como cordeiro, pintado, lombo e espetos. Mas o que me faz crescer os olhos mesmo é o tal Camarão Saint Jacques: meia dúzia de camarões gigantescos, recheados com catupiry (the original) e empanados, a verdadeira "desgraça em forma de delícia". Só de camarão são nove opções, além dos peixes, que incluem moqueca, abadejo, salmão, bacalhau e pescada, em diversas preparações. Completam o cardápio opções de massas, aves, guarnições, saladas, entradas e sobremesas. É o tipo de lugar que agrada a absolutamente todos os paladares, impossível não achar algo de que se goste, mesmo para quem tem restrições alimentares. Na minha cabeça, costumo comparar o Rosário ao Gigetto, restaurante tradicionalíssimo do centro de São Paulo que, há mais de 70 anos, serve seus clientes de forma initerrupta - não fecha nunca! - principalmente nas altas horas da madrugada, lá na rua Avanhandava.

Nossa visita foi durante um almoço de domingo, quando tivemos que enfrentar uma espera de cerca de meia-hora por uma mesa para quatro. São famílias inteiras que vão ao Rosário num almoço de domingo, mesas grandes mesmo, mas a fila é organizada. O bom é que pode-se esperar no balcão do bar, com um chope Brahma muito bem tirado, o que ameniza qualquer espera. Durante a semana o movimento também é grande durante o almoço, mas no jantar não há dificuldade nenhuma para se conseguir uma mesa.

O ambiente, como não poderia deixar de ser, tem decoração clássica e boa climatização. Mesmo com a casa cheia o conforto acústico é bom. O serviço é daqueles que nos dão sensação de nostalgia, com garçons experientes, que têm anos de casa, vestidos com paletós brancos e gravatas borboleta.

Já fizemos nossas escolhas enquanto esperávamos pela mesa, então após nos sentarmos não esperamos 15 minutos pelos pratos. O couvert, com pães frescos, manteiga, patê e berinjela, ajuda a segurar a onda a amenizar o apetite.

Pedimos um Filé à moda para dividir em dois: filé mignon alto, molho rôti com funghi e castanha de caju, arroz e brócolis. Obviamente, o ponto foi bem mal-passado, ao qual dei bastante ênfase. Mamãe foi de Luiz XV, um filé mignon grelhado com bacon, molho madeira e acompanhado de arroz, creme de aspargos e batatas griset. Meu irmão foi de abadejo ao alho e óleo com legumes.

Nosso filé veio lindo e no ponto perfeito, dois medalhões altos e ultra macios. Fiquei encantada com a forma old school do garçom para servir o prato, com a técnica das duas colheres. Só de espetar a carne eu sabia que o ponto estava correto. Muito saboroso e harmônico, além da fartura que me agradou bastante - é claro!

Filé à Moda já montado no prato, porção para uma pessoa.

O ponto perfeito!

E a técnica das duas colheres!

O Luiz XV também veio no ponto certo do pedido, carne muito macia e acompanhamentos corretos. O peixe também veio em filé grande, com flocos dourados de alho por todo o prato. Tudo gostoso, sem falhas!

Luiz XV para uma pessoa

Abadejo ao alho e óleo

Os valores são justos, não se pode querer pechinchar comida de boa qualidade em tempos de custo Brasil elevadíssimo. Pratos individuais em torno de 40 reais e, para duas pessoas, em torno de 80 reais. Nada que possa ser considerado caro, apenas dentro dos padrões atuais, sem surpresas.

O Rosário é um porto seguro na cidade. É daqueles lugares que você vai sabendo o que vai encontrar, sem o receio de que algo não esteja legal. Eventualmente, eles têm a carne de Kobe, se você está em busca de uma experiência carnívora sublime, peça sem medo pois eles sabem preparar a carne com todo o zelo que ela merece. Recomendo o Rosário de olhos fechados pois confio no seu vasto know how, adquirido através de décadas de boa comida e bom serviço.

Restaurante Rosário
Rua General Osório, 941
fone: 3232-8400
www.restauranterosario.com.br

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Duo Bruschetteria e Bottega: só eu não conhecia?



Pela quantidade de comentários e indicações que recebi sobre o Duo Bruschetteria e Bottega, parecia que só eu ainda não conhecia o lugar. Talvez porque o Duo, que já existe há quase um ano em Campinas, tenha preferido tornar-se referência no boca-a-boca, esquema low profile mesmo, para a galera se sentir insider ao descobrir a casa escondida em uma ruazinha minúscula do Cambuí. E não é que o teaser funcionou? Pelo menos comigo, já estava ficando com faniquito pra ir lá conferir...

De tanto me falarem que é uma casinha aconchegante, com ares de Toscana, em uma viela charmosa e etc e tal, parecia que eu já conhecia o lugar antes mesmo de entrar. Como eu imaginava, rústico e acolhedor, totalmente apropriado para sentar com amigos e tomar bons vinhos, acompanhados de ótimos beliscos - não restritos somente às bruschettas que dão nome à casa. Os antepastos primam pela simplicidade das receitas tradicionais da cozinha da Toscana, cujo foco é preservar os antigos hábitos culinários, com ênfase em bons ingredientes, como deve ser. Além dos beliscos, alguns pratos também figuram no cardápio, como massas e carnes. A carta de vinhos é honesta e variada sem exageros, obviamente com boas opções de sangioveses e outras uvas italianas, mas sem deixar de lado boas pedidas de outros países.

Para abrir o apetite, pedimos bruschettas variadas, cada um com sua preferência. Só consigo me lembrar da minha escolhida, de abobrinha e berinjela grelhadas e um queijo tipo pecorino, e a do maridão, de berinjela caponata. Estavam ótimas, com pão crocante mas não duro além da conta e fartura de ingredientes. Não custam pouco e são individuais, mas valem cada mordida.





Na sequência pedimos uma porção de bolinhos de arroz arbóreo, que eu conheço por arancini mas no Duo o nome é outro que não me lembro ao certo, talvez Supli. Independente de como se chamam, o que importa é que estavam maravilhosos, super sequinhos e crocantes, com queijo derretido no interior, saiu até briga pelo último...

Sequinhos e crocantes por fora...

... e maravilhosamente cremosos por dentro

Ávidos por mais, pedimos a polenta mole trufada com ovo mollet, a melhor definição de comfort food gourmet. Dava pra notar que a polenta fora feita com matéria prima de alta qualidade, de certo italiana, nada de fubá mimoso não. O ovo mollet - cuja execução é difícil por ser um ovo mole que, além de descascado, é empanado e frito - estava muito bom, porém um tiquinho além do ponto. A gema poderia estar um pouco mais gelatinosa, mas o sabor do conjunto estava fantástico, principalmente devido às trufas negras raladas por cima de tudo, conferindo aquele aroma característico de "gás butano" ao prato...

Esqueci de mencionar o parma, que só agregou valor ao prato...

Nosso amigo Thiago experimentou a massa com ragú de carne e aprovou o prato, correto no ponto de cozimento e saboroso, porém ele observou que o ragú estava mais para um molho à bolonhesa e sabemos que existe uma diferença entre ambos, portanto fica aí uma ressalva, apesar de não ter sido o meu prato.

Vinho vai, vinho vem, estômagos agraciados, papo rolando gostoso, realmente nos sentimos à vontade naquele lugar. A energia é legal, acredito que o ensejo de fazer algo para amigos seja mesmo a essência do Duo. Começou para amigos, atraiu amigos dos amigos e hoje tem um público cativo e fiel, que não só frequenta a casa regularmente mas também gosta de falar bem dela. Sinto que este será o meu caso daqui pra frente...



Duo Bruschetteria e Bottega
Rua Gustavo Enge, 48 - Cambuí
fone: 3395-9699

terça-feira, 5 de julho de 2011

Le Triskell Bistrô: francês de respeito em Indaiatuba

Daí que um dia tive que ir a Indaiatuba para um compromisso e decidi experimentar um lugar que há muito ouvia falar, não só da boca dos amigos de Indaiatuba, mas também de diversas fontes que considero confiáveis. Já imaginava que não sairia desapontada, mesmo porque o bistrô conta atualmente com o chef francês Sébastien Michaut (ex La Palette), cuja expertise já tinha tido a oportunidade de ver no bistrô do The Royal. Mas o que eu não previa era o meu encantamento com a cozinha do lugar pois, além de satisfeita, saí de lá com a sensação de ter descoberto um tesouro.



Salão aconchegante e sem afetações

A cozinha conta com os clássicos tradicionais da culinária francesa, como os escargots de Bourgogne, foie gras mi-cuit, soupe à l'oignon (como deve ser), Coq au vin e inúmeros crepes de sobremesa, mas também traz certa dose da cozinha mediterrânea, bem representada pelas boas opções de risotos e massas.

O melhor de tudo foi poder provar o menú de almoço, com opção de entrada, principal e sobremesa por inacreditáveis R$ 49,50! (ainda menos críveis diante de pratos com média de valores acima dos 50 reais). Apesar de poucas opções, não sentimos falta de nada além do que estava ali, cada um ficou feliz com o que viu: eu fui de salmão defumado com folhas verdes, risoto de camarões e suflê de menta e chocolate. O maridão ficou com o tomate caqui assado com mozzarella de búfala e pesto, filet em crosta com mandioquinha surpresa (!) e crepe de banana com amêndoas. Para harmonizar, meia-garrafa de sauvignon blanc para mim, uma boa companhia para os amigos do mar, e outra meia-garrafa de cabernet sauvignon para ele (apesar da completa carta de vinhos, pouquíssimas opções de meia-garrafa).

O serviço foi um tantinho blasé no início, porém logo se mostrou eficiente, cortês e discreto e assim se seguiu ao longo da nossa permanência. Não fizemos questão do couvert, mesmo porque imaginamos que os pratos não demorariam, já que éramos a única mesa ocupada naquele momento. De fato, logo vieram as entradas, tempo ideal para o meu vinho ficar no ponto. A apresentação era das mais belas e delicadas, com flores e desenhos, capricho total. O salmão estava ótimo, mas o frescor das folhas que o acompanhavam era notável, chegavam a estalar na boca, sem falar no levíssimo molho, algo como um crème fraîche. O tomate caqui assado era tenro e saboroso por conta do pesto, tudo muito equilibrado.

Tudo fresco

Tomate assado

Os pratos principais também chegaram arrasando na apresentação, as fotos falam por si. Meu risoto, além de lindo, estava delicioso, cremosíssimo e cheio de pedaços gordos de camarão, naquele ponto de cozimento que estoura na boca. Não teve uma garfada sequer que só tenha vindo arroz, tamanha a fartura de camarões. Perfeito! O filé do maridão era ultra macio, com crosta bem crocante e a tal surpresa de mandioquinha, um tipo de rôsti envolta na folha de couve (acho que era couve) era bem úmida e saborosa. Vontade de comer aplaudindo.

Camarão, camarão, camarão...

Filet com surpresa


As sobremesas eram interessantes, o meu suflê era, na verdade, um tipo de semifreddo de hortelã, leve e aerado, mas natural e sem aquele corante verde radioativo. Contraste ideal com a calda quente de chocolate. O crepe não poderia estar melhor, com massa finíssima e recheio farto.

Naturalmente gostoso

Crepe executado à perfeição

O menú de almoço varia semanalmente e, realmente, é um ótimo negócio em termos de custo-benefício. Não que o cardápio não seja interessante, mas o preço do menú é imbatível se considerarmos a qualidade dos pratos. Fiquei entusiasmada para conhecer mais da cozinha do Le Triskell, digna de suas estrelas do guia Quatro Rodas por três anos consecutivos (2009, 2010 e 2011). Vale cada quilômetro rodado até Indaiatuba, inclusive o pedágio exorbitante de 9 reais e poucos cobrado na ida E na volta!



Le Triskell Bistrô - Indaiatuba/SP
www.letriskell.com.br

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Redescobrindo o Santa Therezinha

Mais legal que descobrir um lugar bacana é descobrir que este lugar tem mais a oferecer do que você pensava. Por exemplo, que o empório Santa Therezinha era um lugar super legal, cheio de iguarias e ingredientes de primeiríssima, um verdadeiro parque de diversões para os amantes do fogão, isso eu já sabia. Mas outro dia, passando por lá em uma sexta-feira de calor senegalesco, tive a brilhante idéia de almoçar no empório, bebericando um excelente choppe de colarinho cremoso e temperatura baixíssima. Lógico que, se os ingredientes vendidos no empório são muito bons, a comida feita por lá também deveria ser, já que eles utilizam os mesmos produtos que estão à venda. O cardápio inclui, além das opções de almoço executivo, os pecaminosos beliscos e sanduíches, tudo com aquela vibe boêmia. Dentre as opções de almoço, pratos com bacalhau, escondidinhos, polenta mole com linguiça ao sugo, baião de dois, e por aí vai. Escolhi o tal do arrumadinho de bacalhau, enquanto o parceiro Xana foi de arrumadinho também, mas na versão de carne seca - carne desfiada acebolada, feijão de corda temperado com manteiga de garrafa, farinha de mandioca com vinagrete e couve.

O choppe descia que era uma maravilha, as mesinhas ficam à sombra, sob um pergolado agradabilíssimo, minha sensação foi de que os pratos vieram super rápido. As porções eram enormes, tanto a de bacalhau quanto a de carne seca.

Lindo, lindo...

O bacalhau desfiado estava tenro e úmido, atestando a boa procedência do peixe, nada salgado e temperado com um bom azeite. A couve que acompanhava era daquelas novinhas, bem macia e clarinha, cortada fininha. O feijão de corda cumpria bem seu papel de coadjuvante, sem pesar na quantidade. Tudo super harmonioso e muito saboroso, assim como a versão de carne seca, segundo o Xana - carne macia e bem dessalgada, com tempero na medida certa.

O tal do arrumadinho, em versão com bacalhau...

... e com carne seca

Poderia passar horas naquela mesinha, contemplando a paisagem e bebericando aquele choppe fantástico, até o sol baixar e o calor, diminuir. Mas, como o não somos marajás e nem ganhamos na mega (ainda!), o dever nos chamava e fomos obrigados a encerrar a refeição, satisfeitíssimos. O preço? R$ 32,00 por pessoa... valeria só pela mesinha à sombra, com um choppe bem tirado daqueles.

Se liga no sol lá fora... você também não ficaria horas aqui?


Empório Santa Therezinha
Shopping Parque D. Pedro
fone: (19) 3756 9984
www.santatherezinha.com.br

domingo, 8 de agosto de 2010

Al Sultan: comida árabe bem feita e bem farta!



Sei lá porque, mas desde que me entendo por gente, amo comida árabe. O único "árabe" da minha família é meu tio Toninho, um descendente de libaneses daqueles bem autênticos, que falam alto, fazem amizade em menos de 60 segundos com qualquer pessoa e adoram comer e ver os outros comerem até morrer. Meus pais também sempre gostaram de iguarias como homus, baba ghanouj, tabule, kibe, etc., por isso me acostumaram desde cedo a apreciar esta culinária tão rica. Mas como os leitores deste blog já sabem, comer bem pra mim é comer bastante, então nada melhor do que aliar uma boa comida a um buffet bem farto, no qual eu possa me servir de tudo, quantas vezes eu bem entender. Assim é o Al Sultan, restaurante árabe localizado em um simpática casa do Cambuí, comandado pelo casal mais simpático ainda Nasser e Sâmia, ele sírio e ela libanesa. O ambiente por si só já é agradável, com área externa em meio a um jardim que cai muito bem, mesmo nos dias mais quentes.

Mesas da área externa

As plantas garantem um ambiente fresco para os dias mais quentes

O buffet servido no almoço é composto por pratos frios e quentes e conta com as receitas mais tradicionais da cozinha árabe. Dentre os pratos frios, posso citar as pastas como homus (de grão de bico), baba ghanouj (de beringela) e coalhada seca, quibe cru, saladas diversas como tabule, fattouche, lentilhas com cebola frita e uma de batata amassada que eu adoro, mas não faço idéia de como se chama. Nas opções dos réchauds, quibe frito, abobrinha síria (recheada com arroz e carne moída, com molho de tomate), charutos de folha de uva e repolho, arroz com lentilha, além das porções de esfihas abertas e fechadas (de carne e escarol)a e kaftas de carne moída que são servidas diretamente na mesa.

Pode pedir que eles trazem: tenras kaftas, bite size.

Confesso que os pratos frios são meus favoritos, em especial o kibe crú e as pastas. Mas como a refeição estava sendo feita especialmente para o blog, me comportei e fiz um prato frio e um quente, ambos montados estrategicamente para sair bem na foto.

Favoritos

Das opções frias, destaque para o quibe crú, cujo equilíbrio entre carne moída e trigo me agrada bastante. As pastas são muito boas também, principalmente a coalhada seca, bem firme na textura mas suave no sabor. Há opção de pão sírio torrado ou fresco para acompanhar.



Já nos pratos quentes, estava em falta do charuto de folha de uva, que é o meu favorito. O de folha de repolho não gosto muito, talvez por me lembrar dos almoços da firrrma, quando serviam um charuto de folha de repolho com recheio de frango que cheirava à pena de galinha. Longe de querer comparar com o charuto do Al Sultan, é só uma questão de memória gastronômica não muito agradável pra mim. Mas voltando ao que interessa, na falta do charutinho optei pela abobrinha recheada, que me lembra a infância pois é tradição lá em casa, pelos quibes fritos, arroz com lentilhas e esfiha. Os quibes estavam ultra-sequinhos, a abrobrinha era bem macia, quase desmanchando, e a esfiha tem aquela massa que só que é do ramo sabe fazer.

Esfihas de carne (aberta) e de escarola (fechada): com massa leve e interior bem úmido.

Daí vocês me perguntam: mas quanto custa almoçar como um sultão? E eu vos digo que, por tudo o que é oferecido, chega a ser uma pechincha: 30 reais por pessoa. A única ressalva fica por conta da forma de pagamento, pois apesar de aceitarem cartões, as máquinas costumam "quebrar" com uma frequência quase mística... como todo bom árabe, eles preferem o bom e velho cash, mas duvido que deixem de receber caso você não tenha dinheiro vivo...

Boa comida, bom atendimento, preço acessível: o Al Sultan é Mais Barriga!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um japa nada conservador

Pois é, pessoal, dia desses mordi minha língua. Eu, que escrevi neste post aqui que só gostava do Matsu porque lá é papo-reto, sem invencionices, acabei indo parar em um japa que parece ter como inspiração a cozinha tecno-emocional do Adriá... e o melhor, fiquei apaixonada!

A convite dos amigos Gio e Gabs, fomos conhecer o Mori Sushi em Vinhedo. A casa faz parte de uma pequena rede, proveniente de Sampa, onde conta com mais algumas unidades - mas parece que tem alguma rixa aí, não entendi direito quem é de quem na história toda. Eles oferecem sistema a la carte ou festival de sushi (com ou sem sashimi), mas o pulo do gato é sentar no balcão, onde o sushiman vai poder dar vazão à criatividade de acordo com as reações dos clientes. Foi o que fizemos, e o resultado vocês conferem a seguir.

Logo na abertura dos trabalhos, o sushiman nos ofereceu uma primeira rodada "tímida", com o intuito de sentir qual era a nossa... os sushis tradicionais de qualquer restaurante, mas com temperatura corretíssima e acidez do arroz no ponto certo também, o que pode incomodar bastante quando está desequilibrado. Até aqui, tudo tranquilo, mas nada demais.



Com aquela voracidade que só os brasucas têm, devoramos tudo sem deixar um grãozinho de arroz sequer. O sushiman, notando nossa delicadeza, tratou de repor com fartura, porém perguntou se gostávamos de experimentar coisas "diferentes"... xiii, essa pergunta pode ter conotações esquisitas, mas ali no balcão do restaurante japa, dissemos que sim, com moderação. Foi aí que começou o processo artístico do rapaz, que foi nos testando com receitas, digamos, exóticas.

Para começar a brincadeira, ele mandou esse sushi de salmão semi-grelhado (que é só selado, na verdade), com molho tarê e estrelas de carambola. Olhei para o maridão e vi que ele estava quase fechando a cara, do tipo "detesto doce com salgado", mas também mordeu a língua: o sushi era sublime, tanto é que foi nosso favorito da noite, com direito a repeteco.



Sentindo nossa vibração, o sushiman resolveu prosseguir no terreno da invencionice e nos ofereceu um sushi de salmão batidinho, que tinha como base um quadradinho de abacaxi sobre licor de menta (!). O maridão e o Gabriel com aquela cara de "tá ficando fresco demais isso aqui", ficaram só olhando enquanto eu e a Gio, assanhadíssimas, íamos atacando tudo.

Fresco mesmo, o licor de menta deixa um gostinho geladinho no final.

Dada a nossa empolgação, o sushiman deve ter pensado "é hoje que eu vou servir aquela receita mirabolante que ninguém nunca topa experimentar", mas resolveu segurar um pouco a onda e nos mandou duplinhas de salmon joe, aquele sushi cuja base é um rolinho de salmão por fora, com salmão picado com cebolinha por cima.

Até o que era para ser básico estava diferente, muito melhor que os joes que já comi por aí...

Depois de um pulinho na normalidade, o sushiman continuou com o festival, no sentido mais literal da palavra. Desta vez, um sushi de salmão com alguma coisinha frita por dentro - não vou conseguir descrever tudo no detalhe porque o sushiman escondia o jogo, dizendo que era para evitar plágios (!) - e acompanhado por couve frita.

A brincadeira de texturas era fantástica!

Ávidos por mais novidades e após os meninos perderem um pouco do receio causado pela excentricidade do menu, experimentamos duas outras receitas que tinham frutas no preparo: ambos eram hot-rolls, porém um deles levava calda de maracujá com molho tarê e uma finíssima fatia no topo. O outro tinha calda de laranja com pedacinhos da fruta. Estavam bem gostosos, mas acho que o que levava maracujá ficou com o sabor da fruta muito acentuado, poderia ter mais equilíbrio.

Um pouco menos de calda talvez tivesse dado o equilíbrio necessário para este aqui.

Laranja combina com muita comida, já não é de hoje, mas ficou especialmente gostosa com este aqui.

Após o repeteco do salmão com carambola, experimentamos um sushi apelidado de "bolinho de chuva", por sua aparência. De fato, é como se fosse um bolinho frito, recheado com uma pasta de salmão, sobre licor de cassis com fatias de morango e flocos de arroz por cima (a piadinha do isopor foi inevitável ao ver os flocos de arroz, mas nosso sushiman entrou super no clima). A descrição pode fazer o bolinho-de-chuva parecer bizarro, mas não é. Pelo contrário, agradou.

O mais engraçado é que o sushiman disse que nunca tinha comido o tal bolinho-de-chuva, mas que tinha certeza de que era muito bom. Nós, pelo menos, sabemos que é.

Depois de tanta novidade, resolvi pedir um velho companheiro, com o qual costumo encerrar minhas refeições japas: o sushi skin. Mas não é que até ele tinha traços da criatividade do nosso sushiman? E não é que ficou bem melhor assim?

Além da ausência do arroz (o que, nesta altura do campeonato, foi até bom), o skin ainda tinha uma mini-fatia de limão por cima e algo que parecia uma farofinha de castanha de cajú. Deu até briga pra comer o último, decidida no Jokenpow pelo Gabs e eu. Vendo o ridículo da nossa situação, o sushiman mandou uma outra unidade, pra gente parar logo com o papelão.

Satisfeitíssimos com o festival, ficamos naquele estado "contemplativo". Enquanto o pessoal decidia se continuava na cerveja ou não (tomamos aquela japa-canadense da qual falei neste post aqui), avistei a geladeira do Melona e soube o que eu queria: o melhor picolé de frutas do mundo. Para quem não sabe, Melona é uma marca de sorvetes coreanos, até pouco tempo atrás vendidos somente na Liberdade, mas que hoje caíram no gosto do público e podem ser encontrados em qualquer esquina. Levantei do meu banquinho enquanto rolava a discussão sobre a cerveja e peguei o meu sabor favorito: melão.

Pra mim, um picolé coreano de melão foi a maneira mais convencional de encerrar este jantar tão exótico, porém fantástico.

O valor do festival por pessoa no jantar é de R$ 47 e não inclui somente ovas e Unagi (alguém aí assiste Friends?). Vi no menú que também oferece festival no almoço por um valor mais baixo, mas não me lembro ao certo. Mas a dica mesmo é ficar perto do sushiman, no balcão mesmo, pois é ali que ele executa sua criatividade ao extremo.


Mori Sushi - Vinhedo
Rua Santos Dumont, 274
Centro - Vinhedo, SP
fone: (19) 3876 1727