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sábado, 23 de outubro de 2010

Circuito off-Campinas: "Navegando" pelo rio Piracicaba

*Desculpem-me pelas fotos de celular, mas melhor que postar sem fotos!

Em um domingo ensolarado, aceitamos um convite para almoçar em Piracicaba, cidade que fica a 45 minutos de Campinas e que eu, particularmente, adoro. Com aquela atmosfera de interior, seus deliciosos restaurantes à beira do rio Piracicaba me encantam, não só pelo lugar, mas pelos ótimos peixes da Amazônia e o famoso cuscuz da cidade, super cremoso. Mas desta vez o convite foi para conhecer um restaurante que não fica na conhecida Rua do Porto, mas sim um pouco mais adiante, na margem oposta do rio, chamado Navegantes.

O clima já era propício para um bom peixe, ainda mais em um ambiente extremamente agradável, bastante arborizado e acolhedor. Chegamos por volta das 13h e o lugar estava lotado, mas meu tio já nos aguardava em nossa mesa, com um geladíssimo vinho da uva Torrontés, que desceu maravilhosamente bem durante toda a refeição.
No cardápio, inúmeras opções de peixes e frutos do mar, inclusive bacalhau e paella, mas sem descuidar das opções que não contemplavam os amigos do mar, como boas pedidas de carnes.

O couvert conta com mariscos fresquíssimos, nadando em bom azeite e tempero elaborado. Das opções do cardápio, cresci os olhos gulosos para os peixes da Amazônia, em particular o pirarucu e o filé de pintado grelhado. Como não poderia pedir os dois, empurrei uma das opções para o maridão, que não reclamou da imposição. Os demais comensais pediram peixes também, sendo o badejo em versões bem distintas: uma delas denominada Caiçara, acompanhado de farofa de camarões, palmito pupunha grelhado, regados ao molho de azeite, alho, limão e pimenta de cheiro; o outro, flambado no whisky, acompanhado de risotto de shimeji e maçãs assadas. Apenas uma pessoa pediu carne, no caso um filé mignon Dijonnaise, acompanhado de batatas Rosti.

Um pratinho só pra mim

A apresentação dos pratos era belíssima e as porções fartas, não só no quesito acompanhamentos, mas os peixes eram grandes também. Vamos à descrição dos pratos:

O filé de pintado era grelhado, acompanhado de farofa de côco e banana grelhada. O peixe, de carne bem clara e sem espinhas, era muito tenro e saboroso. A farofa de côco tinha lascas de côco fresco, o que conferia ao prato um interessante contraste de textura e sabores também. Isso sem falar das bananas, que não eram meras coadjuvantes.

Depois dizem que peixe de rio não é bom...

O pirarucu era enorme, acompanhado de um delicioso pirão e molho de tomates frescos. A carne era extremamente saborosa e macia, com a grande vantagem de não ter espinhas. O pirarucu é o maior peixe de escamas de água doce, um ícone da Amazônia e não poderia ter sido melhor preparado.

E os americanos ainda querem tirar a Amazônia da gente...


O badejo caiçara também veio imponente, em um belo pedaço de carne branca e brilhante. A farofa de camarão conferia textura ao prato, enquanto o pupunha grelhado dava leveza. Com uma boa pimentinha, o prato estava divino na opinião de quem comeu (lógico que eu experimentei para conferir e endosso o veredicto!).

Badejo em versão brasuca...

Já a versão "alpina" do peixe, com maçãs assadas e risotto de shimeji, estava tão boa quanto à versão brasuca. O peixe era basicamente o mesmo, mas que belo risotto o acompanhava! No ponto correto de cozimento, era suave mas sem ser insosso, muito delicado e saboroso. As maçãs também contribuíram para a leveza do prato, tudo muito harmônico.

... e em versão "alpina"

Os filés vieram em dois gordos medalhões, no ponto perfeito e com bastante molho de Dijon. As batatas Rosti eram um espetáculo à parte, pareciam um "fetuccini" de batatas, em enorme quantidade!

Não é só de peixe que vive o Navegantes!

Depois de tanto peixe e vinho, somente alguns corajosos pediram sobremesa. A única parte triste foi que a famosa pamonha de Piracicaba, em versão miniatura, tinha "acabado de acabar". Mamãe ficou frustradíssima, pois estava louca para provar as três versões, com melado perfumado e cachaça orgânica, mel silvestre e raspas de laranja e com sorvete de côco e farofa de canela. Uma pena, pois realmente são as estrelas do cardápio de sobremesas. Contudo, o creme brûlée estava digno dos melhores franceses...

Como eu já tinha "pecado" durante toda a refeição, tomei vergonha na cara e não pedi sobremesa. Maaaas, como cortesia, o cafezinho veio com uma "pequena" montanha de chantilly, que eu não me atrevi a recusar e mandei ver!

Quanta gentileza...

A média de valores de todos os pratos que citamos aqui varia de 35 a 40 reais. O couvert é opcional e sai por 7,20 por pessoa, mas só pelos deliciosos mariscos, vale à pena.

Além da ótima cozinha, o Navegantes oferece algo que não consta no cardápio, mas que faz toda diferença: a linda paisagem, com um belo trecho do rio Piracicaba e sua rica vegetação do entorno, o que tornam a experiência gastronômica um passeio diferente, longe do trivial da cidade...







Navegantes Cozinha do Mediterrâneo - Piracicaba
www.navegantesrestaurante.com.br

P.S.: acabei de voltar de uma pequena viagem a Buenos Aires que se converteu em verdadeira esbórnia gastronômica, a ser narrada em breve aqui no blog, aguardem...