sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ranking M.O.Q.B. do melhor burger da cidade

Homenagem ao melhor burger que já comi, do Edzo's, em Chicago

Com o surgimento de novas hamburguerias em Campinas e o novo conceito que elevou o nível de um simples lanche a um item gourmet, decidi fazer um ranking do melhor burger da cidade, seguindo alguns critérios que considero importantes para um lanche de respeito: a proporção correta entre carne e gordura que compõe o chamado "patty", que é o hamburguer em si, além do método de cocção adequado (grelha é sempre melhor que chapa, ou ainda o char broiler, que é uma chapa de ferro fundido que sela a carne por fora, fazendo com que os sucos permaneçam em seu interior), a qualidade e frescor dos demais ingredientes - principalmente do pão - e a "pegada", que determina se o lanche permanecerá montado a cada mordida ou se irá despencar. Além do burger em si, acabamos avaliando também as fritas, companheiras inseparáveis de qualquer hamburguer.

Após as visitas e degustações em diferentes casas da cidade, notei que era possível dividir os concorrentes em distintos grupos, conforme segue:

1. General Prime Burger
2. Fiftie's e Big Jack
3. Outback e Applebee's
4. Rockville

Explicando a divisão em grupos, o que acontece é que o General Prime Burger está um nível acima dos concorrentes como Fiftie's e Big Jack por oferecer uma maior gama de produtos e ingredientes diferenciados, mais alto nível mesmo.

Fiftie's e Big Jack seguem juntos no mesmo grupo devido à similaridade de suas opções e conceito, assim como Outback e Applebee's, que se assemelham muito em termos de proposta. Já a Rockville ficou isolada em um grupo pois é a única que não prepara seu próprio burger, a carne é industrializada, o que já seria suficiente para deixá-la de fora da avaliação.

Vamos ao rankig

O campeão (by far): General Prime Burger



A casa recém aberta no shopping Galleria impressiona pelo ambiente, com personalidade própria que foge do tema anos 50/60, tão frequente no segmento. No cardápio, opções de burger de picanha angus, fraldinha, cordeiro, calabresa, frango e vegetariano. Na maioria das opções, os acompanhamentos são simples como alface, tomate e queijo prato, justamente para não mascarar o sabor da carne, que é a estrela do lugar. Mas ingredietes mais sofisticados estão à disposição nos adicionais, pode-se incluir qualquer item a qualquer lanche. Não quis experimentar outro senão o burger de cordeiro - foi paixão à primeira vista - que vinha acompanhado de queijo prato, alface frisée e molho de iogurte com hortelã. Vale mencionar que, logo de cara, o GPB já ganhou meu coração: na mesa, minha mostarda favorita, a Spicy Brown da French's, difícil de encontrar por aí. Ketchup Heiz e mostarda French's tradicional completam o trio. Para encerrar, milk shake de Nutella com avelãs.



As fritas

As fritas vieram primeiro e a disputa se mostrou covarde, pois eram pecaminosas de tão gostosas! Nenhum outro lugar apresentou batatas tão perfeitas, sequíssimas, macias por dentro e com casquinha bem fininha, divinas. Devoramos como pipoca, nota 10 para as fritas!



Os lanches vieram logo e a aparência agradou: a fatia de cima do pão veio colocada de lado, para que pudéssemos apreciar a carne alta e aromática, coberta por queijo derretido. O pãozinho tinha aquela leve casquinha tostada e era fresquíssimo. Mas trata-se de um lanche "modesto" em termos de ingredientes extra, então para o quesito "aspecto" (que é o lance de comer com os olhos), dou nota 9.



A pegada

O lanche não desmontou até a última dentada, assim como o hamburguer, que não se desfez devido à boa proporção de carne e gordura do patty. O pão também tem papel fundamental na pegada, pois não pode ficar encharcado com os líquidos da carne e a gordura do queijo, por isso a tostadinha é importante. Também o fato desse lanche em particular não ter muitos ingredientes adicionais ajuda neste quesito, pois a altura é adequada para a mordida. Nota 10 em pegada!



Avaliação geral

Lanche de respeito, patty perfeito, ingredientes de alta qualidade, execução corretíssima - a grelha é primordial nesse quesito - , pão levemente tostado, enfim, nota 10 para o burger do General. E o gran finale merece um tópico à parte, pois o milk shake estava fenomenal, diferente de todos os outros que já experimentei, imperdível! (preço médio do hamburguer: R$ 25,00)



General Prime Burger - Galleria Shopping
www.primeburger.com.br


Segundo(s) colocado(s): empate técnico entre Big Jack e The Fiftie's
Em termos de lanche, as duas lanchonetes são muito equivalentes e acabaram empatadas na nossa avaliação. O que diferenciou uma da outra, pelo menos durante nossa visita, foi o serviço. Os atendentes do Big Jack deram um show de eficiência, discrição, atenção e, surpreendentemente, de educação! Não esperava um serviço tão gentil e cortês em uma lanchonete, talvez por isso nossa surpresa. Não se trata apenas de bom treinamento, os rapazes eram educadíssimos. Já no Fiftie's, infelilzmente a realidade é a mesma de muitos outros lugares da moda: serviço lento, dificuldade para chamar a atenção do atendente quando se quer pedir algo, pedidos trocados... se nossa análise não fosse do hamburguer em si, o Big Jack teria se destacado pelo serviço (vale mencionar que a visita dessa vez foi na unidade do Castelo, e não na do Cambuí, cujo serviço há um tempo atrás não estava tão 100% assim). Quanto à temática, ambas são adeptas dos anos 50, mas nesse quesito o Fiftie's saiu na frente...

Big Jack

Meu lanche favorito é o Chicago, um burger de maminha com queijo cheddar, onion rings e molho de alho em um pão escuro, tipo australiano. O molho de alho é matador, uma maionese com consistência firme e com gosto forte de alho, para quem gosta é a pedida. Também costumo pedir o cheeseburger de picanha com molho tártaro, que também é legal para quem curte privilegiar o sabor do patty.

As fritas

Particularmente, gosto de batatinhas mais macias, com casquinha levemente crocantes, portanto considero as fritas do Big Jack bem gostosas. Algumas chegam a ficar murchas, por isso não posso dar nota 10, mas um 9 seria justo. Ponto para a mostarda e ketchup Heinz, que considero bons.



A aparência dos lanches é de encher os olhos, principalmente o Chicago, que vem bem alto por conta das onion rings. O pão também é levemente tostado, com interior bem macio e aromático. No quesito aspecto, nota 10 para o Big Jack.



A pegada

Apesar da altura do lanche, o Chicago permanece íntegro até o final, porém é inevitável que um pouco do queijo fique no papel. A mordida pode ser um pouco difícil no início, mas logo a gente se adapta ao tamanho todo do lanche e manda ver numa boa. Nota 9 para a pegada.

Avaliação geral

O demérito do burger do Big Jack é o fato de ser feito na chapa, o que faz com que parte da gordura do patty escorra, "engraxando" demais a carne. Fora isso, é saboroso, bem montado e os ingredientes harmonizam bem. As onion rings do lanche poderiam ser mais fininhas e delicadas, para suavizar a mordida. No geral, nota 8,5. (preço médio do hamburguer: R$ 20,00)

Três endereços em Campinas - www.bigjackhamburgueria.com.br


The Fiftie's



Já no Fiftie's, meu lanche favorito é o Onion Burger, que leva hamburguer de maminha, creme de queijos e onion rings em um pão de hamburguer integral. O creme de queijos leva queijos de fundição de qualidade, como ementhal e gruyère. As onion rings são super fininhas e crocantes e o burger é saboroso e vem no ponto certo. Aqui também costumo pedir o cheeseburger de picanha com molho tártaro quando estou mais nostálgica (esse meu hábito vem de muitos anos).

As fritas

As fritas são idênticas às do Big Jack, macias, com casquinha crocante pero no mucho, douradinhas. Nota 9 também, com ponto para a mostarda e ketchup Heinz.



A aparência dos lanches é boa, porém sem muitos exageros em termos de montagem, alguns podem até achar simplório demais. Bom pão, também é levemente tostado, com interior bem macio. No quesito aspecto, nota 9 para o Fiftie's, por conta da modéstia de tamanho de alguns lanches. Demérito também para a chapa utilizada ao invés da grelha





A pegada

Como o lanche não tem muita altura, a pegada é boa e o sanduba vai inteiro até o final, porém o pão pode sofrer um pouco com os líquidos liberados pela carne, ficando "empapado" nas últimas mordidas. Nota 8 para a pegada.

Avaliação geral

Pelo mesmo motivo do Big Jack, o quesito cocção perde pontos por conta do uso da chapa. Trata-se de lanche saboroso, bem montado e com ingredientes de boa qualidade, caso dos queijos, onion rings fininhas e crocantes, mas o excesso de gordura incomoda um pouco. No geral, nota 8,5. (preço médio do hamburguer: R$ 20,00)

The Fifties Shopping Iguatemi Campinas
Avenida Iguatemi, 777, Vila Brandina
Telefone: (19) 3254-2868


Terceiro colocado: Outback

Sinceramente, não vou ao Outback para comer hamburguer. Mas, por se tratar de um representante da cozinha gringa e ter algumas opções do traditional burger, resolvi incluí-lo em nosso ranking, assim como o Applebee's.

No menú, 5 opções de burgers que diferem muito pouco entre si, a não ser pelas 2 opções de frango. Os patties pesam 150g e todos levam alface, tomate, queijo, maionese e um ou outro ingrediente que os diferencia, como bacon, cebola ou um molho específico. Todos acompanham fritas. Escolhi o Flame Burger, com cebolas grelhadas e o tal do Flame Sauce que, segundo a atendente, não era apimentado como o nome sugeria. O grande mérito do hamburguer do Outback é o fato de ser grelhado sobre carvão, conferindo um sabor de "fumaça" que agrada.

As fritas

As fritas, que já vêm no prato junto com o lanche, não são tão macias e a casquinha é crocante demais, até porque seguem o estilo rústico e vêm com casca. Muitos pedaços são "pontas" de batata, o que as deixa ainda mais ressecadas. Nota 7, mesmo que o ketchup Heinz ajude no quesito.



A aparência do lanche é boa, porém logo de cara você já desconfia que a pegada não será das melhores, pois o lanche é grande em diâmetro e as tiras de bacon saem para fora de tão compridas. Bom pão, mas não tão bom quanto o delicioso pãozinho australiano do couvert. No quesito aspecto, nota 9 para o Flame Burger, que traz um patty de respeito.

A pegada

Apesar do meu receio inicial, o lanche foi legal até o final, porém tive que tirar as tiras de bacon para morder. O pão deu sinais de que iria desmontar, mas mantive a mão firme! Nota 8 para a pegada.



Avaliação geral

O quesito cocção é determinante para elevar a nota do burger do Outback. Trata-se de lanche saboroso e com ingredientes frescos, sem excesso de gordura e agradável sabor defumado. As poucas opções do cardápio podem desanimar quem procura por burgers com ingredientes diferentes. No geral, nota 8,5. (preço médio do hamburguer: R$ 30,00)

Outback Shopping Iguatemi Campinas
Av. Iguatemi, 777 - Estacionamento inferior
Telefone: (19) 3251-8350

Quarto colocado: Applebee's

Você pode pensar que deveria haver um empate entre Outback e Applebee's, já que um copia o outro em tudo, mas o Applebee's ainda fica atrás do concorrente em alguns quesitos. As opções de lanches (aqui chamados de "Real Burgers") são poucas e bem semelhantes entre si, mas as fotos cativam os mais gulosos, tornando a escolha difícil. No Applebee's também utiliza-se grelha para os burgers e as fritas também vêm no prato com o lanche. Optei pelo Cowboy Burger, 200g de carne, queijo Jack-cheddar, bacon, onion rings, alface, tomate, picles e cebola roxa, além de molho southern BBQ (poderia ser northern BBQ que daria na mesma, BBQ é BBQ).

As fritas

Para a avaliação das fritas, vide o quesito Fritas do Outback, é tudo a mesma coisa, inclusive minha nota, 7.



A aparência do lanche assusta pela altura e já é possível antever problemas de pegada. O pão é descrito no cardápio como "levemente tostado", mas o que se vê é um pão amarelado, com rachaduras em cima, o provável vilão que irá acabar com a pegada. No quesito aspecto, nota 8 para o Cowboy Burger, principalmente pela diferença do lanche real e da foto no menú.



A pegada

Como era de se esperar, o pão deu sinais de fraqueza e não aguentou nem até a metade das mordidas. Resumindo, tive que pedir G-A-R-F-O-E-F-A-C-A para terminar o lanche, uma vergonha para um burger que se preze. Não foi só o pão o responsável pelo vexame, mas a alface veio em enormes talos que complicavam o conjunto. Nota 4 para a pegada.



Avaliação geral

O quesito cocção ajudou - e muito - a nota do burger do Applebee's. Apesar de ser um lanche saboroso, a proporção entre carne e gordura se mostrou incorreta, pois o hamburguer em si começou a se desfazer no final. Também senti falta do queijo, o tal Jack-cheddar, que passou quase imperceptível. No geral, nota 6,5. (preço médio do hamburguer: R$ 30,00).

Applebee's Campinas: Av Iguatemi , 777 - 2º Piso - Shop. Iguatemi

http://www.applebees.com.br

Telefone: (19) 3722.2260


Último lugar: Rockville



Esta hamburgueria ficou isolada em uma categoria e, consequentemente, classificou-se em último lugar em nosso ranking pois é a única que não faz seu próprio patty, ou seja, o hamburguer é industrializado. Por este motivo, não deveria nem entrar no ranking, pois o fato de utilizar produto industrializado coloca-a diretamente na categoria dos auto-lanches, redes de fast-food e lanchonetes em geral - o que, obviamente, não é nosso foco aqui no ranking.

Mas já que acabei indo parar lá sem saber desse "detalhe" - aliás, só fui saber quando mordi meu burger, porque nem me ocorreu perguntar algo tão básico e também não li sobre isso na internet, muito menos no "guia telefônico" Veja Campinas - vou fazer a avaliação do lugar:

O tema é o bom e velho e batido anos 60, mas aqui não há mesas no estilo sofá, é tudo mais basicão mesmo, mas a fachada é bem caprichada.

O que chamou minha atenção foi o tal Cordeiro Prime Burger, com queijo prato, alface e maionese de hortelã, por meros 19 reais! Fritas para começar...

As fritas

Proposta interessante das fritas, com alecrim e alho, mas essa é a porção padrão, se você não curte um dos itens acima, talvez seja bom mencionar ao garçom. Achei que as batatas poderiam estar mais macias por dentro, o que pede uma leve cocção antes da fritura e não são todos os lugares que fazem isso, mas a textura me lembrou as batatinhas congeladas - nota 7. Ah, o ketchup é Heinz e a mostarda é Berna.



A aparência do lanche não levantou a lebre da carne industrializada, parecia honesto. O queijo veio cobrindo a carne e o pão poderia ter sido levemente tostado, mas ainda estava animada. Na primeira mordida, a broxada. O lanche em si não é ruim, mas eu estava buscando pelos gominhos de carne e a maciez da gordura que só um bom patty artesanal tem. Também senti falta da presença da maionese de hortelã, mas isso foi vacilo da atendente mesmo, que trouxe um potinho quando já estávamos na metade do lanche (pelo menos ela se desculpou).



A pegada

Não sei se é bom ou ruim, mas a pegada foi ótima... seria bom se não fosse devido ao fato do hamburguer industrializado parecer uma sola de sapato com sua compactação estranha e simétrica. A alface, colocada sob a carne, ficou completamente murcha. Talvez colocá-la por cima da carne resolva o problema... fica a dica. Legal também seria não se esquecer dos ingredientes durante a montagem, caso da maionese de hortelã. Nota 10 para a pegada, nota 4 para a montagem.



Avaliação geral

Infelizmente não temos condições de avaliar bem a Rockville. O uso de hamburguer industrializado por si só já descaracteriza o conceito deste ranking. Pode ser legal para quem não procura um hamburguer especial, para quem não liga a mínima pra esse negócio de patty, ou para ingredientes diferenciados e esse blá blá blá todo que esse blog fica falando... o legal foi ouvir do atendente que, apesar de ser hamburguer industrializado, a fábrica é do próprio dono da lanchonete. Bom, né? (preço médio do hamburguer: R$ 15,00)

Rockville: R. Antônio Lapa, 382, Cambuí. Tel: (19) 3396-8974

Enfim, esse é o Ranking M.O.Q.B. do melhor burger de Campinas, única e exclusivamente baseado na minha opinião. Após diversas visitas e 2kg a mais na balança, encerro este post com a sensação de que temos bons representantes do traditional burger gringo, o qual aprendemos a apreciar por aqui e que elevou o nível do que é servido em muitos lugares.

Colaboraram para este post: o maridão (GPB), Marcinha Japa (Rockville) e Marcela (Applebee's), que se dispuseram a encarar o "junk food" comigo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Duo Bruschetteria e Bottega: só eu não conhecia?



Pela quantidade de comentários e indicações que recebi sobre o Duo Bruschetteria e Bottega, parecia que só eu ainda não conhecia o lugar. Talvez porque o Duo, que já existe há quase um ano em Campinas, tenha preferido tornar-se referência no boca-a-boca, esquema low profile mesmo, para a galera se sentir insider ao descobrir a casa escondida em uma ruazinha minúscula do Cambuí. E não é que o teaser funcionou? Pelo menos comigo, já estava ficando com faniquito pra ir lá conferir...

De tanto me falarem que é uma casinha aconchegante, com ares de Toscana, em uma viela charmosa e etc e tal, parecia que eu já conhecia o lugar antes mesmo de entrar. Como eu imaginava, rústico e acolhedor, totalmente apropriado para sentar com amigos e tomar bons vinhos, acompanhados de ótimos beliscos - não restritos somente às bruschettas que dão nome à casa. Os antepastos primam pela simplicidade das receitas tradicionais da cozinha da Toscana, cujo foco é preservar os antigos hábitos culinários, com ênfase em bons ingredientes, como deve ser. Além dos beliscos, alguns pratos também figuram no cardápio, como massas e carnes. A carta de vinhos é honesta e variada sem exageros, obviamente com boas opções de sangioveses e outras uvas italianas, mas sem deixar de lado boas pedidas de outros países.

Para abrir o apetite, pedimos bruschettas variadas, cada um com sua preferência. Só consigo me lembrar da minha escolhida, de abobrinha e berinjela grelhadas e um queijo tipo pecorino, e a do maridão, de berinjela caponata. Estavam ótimas, com pão crocante mas não duro além da conta e fartura de ingredientes. Não custam pouco e são individuais, mas valem cada mordida.





Na sequência pedimos uma porção de bolinhos de arroz arbóreo, que eu conheço por arancini mas no Duo o nome é outro que não me lembro ao certo, talvez Supli. Independente de como se chamam, o que importa é que estavam maravilhosos, super sequinhos e crocantes, com queijo derretido no interior, saiu até briga pelo último...

Sequinhos e crocantes por fora...

... e maravilhosamente cremosos por dentro

Ávidos por mais, pedimos a polenta mole trufada com ovo mollet, a melhor definição de comfort food gourmet. Dava pra notar que a polenta fora feita com matéria prima de alta qualidade, de certo italiana, nada de fubá mimoso não. O ovo mollet - cuja execução é difícil por ser um ovo mole que, além de descascado, é empanado e frito - estava muito bom, porém um tiquinho além do ponto. A gema poderia estar um pouco mais gelatinosa, mas o sabor do conjunto estava fantástico, principalmente devido às trufas negras raladas por cima de tudo, conferindo aquele aroma característico de "gás butano" ao prato...

Esqueci de mencionar o parma, que só agregou valor ao prato...

Nosso amigo Thiago experimentou a massa com ragú de carne e aprovou o prato, correto no ponto de cozimento e saboroso, porém ele observou que o ragú estava mais para um molho à bolonhesa e sabemos que existe uma diferença entre ambos, portanto fica aí uma ressalva, apesar de não ter sido o meu prato.

Vinho vai, vinho vem, estômagos agraciados, papo rolando gostoso, realmente nos sentimos à vontade naquele lugar. A energia é legal, acredito que o ensejo de fazer algo para amigos seja mesmo a essência do Duo. Começou para amigos, atraiu amigos dos amigos e hoje tem um público cativo e fiel, que não só frequenta a casa regularmente mas também gosta de falar bem dela. Sinto que este será o meu caso daqui pra frente...



Duo Bruschetteria e Bottega
Rua Gustavo Enge, 48 - Cambuí
fone: 3395-9699

terça-feira, 5 de julho de 2011

Le Triskell Bistrô: francês de respeito em Indaiatuba

Daí que um dia tive que ir a Indaiatuba para um compromisso e decidi experimentar um lugar que há muito ouvia falar, não só da boca dos amigos de Indaiatuba, mas também de diversas fontes que considero confiáveis. Já imaginava que não sairia desapontada, mesmo porque o bistrô conta atualmente com o chef francês Sébastien Michaut (ex La Palette), cuja expertise já tinha tido a oportunidade de ver no bistrô do The Royal. Mas o que eu não previa era o meu encantamento com a cozinha do lugar pois, além de satisfeita, saí de lá com a sensação de ter descoberto um tesouro.



Salão aconchegante e sem afetações

A cozinha conta com os clássicos tradicionais da culinária francesa, como os escargots de Bourgogne, foie gras mi-cuit, soupe à l'oignon (como deve ser), Coq au vin e inúmeros crepes de sobremesa, mas também traz certa dose da cozinha mediterrânea, bem representada pelas boas opções de risotos e massas.

O melhor de tudo foi poder provar o menú de almoço, com opção de entrada, principal e sobremesa por inacreditáveis R$ 49,50! (ainda menos críveis diante de pratos com média de valores acima dos 50 reais). Apesar de poucas opções, não sentimos falta de nada além do que estava ali, cada um ficou feliz com o que viu: eu fui de salmão defumado com folhas verdes, risoto de camarões e suflê de menta e chocolate. O maridão ficou com o tomate caqui assado com mozzarella de búfala e pesto, filet em crosta com mandioquinha surpresa (!) e crepe de banana com amêndoas. Para harmonizar, meia-garrafa de sauvignon blanc para mim, uma boa companhia para os amigos do mar, e outra meia-garrafa de cabernet sauvignon para ele (apesar da completa carta de vinhos, pouquíssimas opções de meia-garrafa).

O serviço foi um tantinho blasé no início, porém logo se mostrou eficiente, cortês e discreto e assim se seguiu ao longo da nossa permanência. Não fizemos questão do couvert, mesmo porque imaginamos que os pratos não demorariam, já que éramos a única mesa ocupada naquele momento. De fato, logo vieram as entradas, tempo ideal para o meu vinho ficar no ponto. A apresentação era das mais belas e delicadas, com flores e desenhos, capricho total. O salmão estava ótimo, mas o frescor das folhas que o acompanhavam era notável, chegavam a estalar na boca, sem falar no levíssimo molho, algo como um crème fraîche. O tomate caqui assado era tenro e saboroso por conta do pesto, tudo muito equilibrado.

Tudo fresco

Tomate assado

Os pratos principais também chegaram arrasando na apresentação, as fotos falam por si. Meu risoto, além de lindo, estava delicioso, cremosíssimo e cheio de pedaços gordos de camarão, naquele ponto de cozimento que estoura na boca. Não teve uma garfada sequer que só tenha vindo arroz, tamanha a fartura de camarões. Perfeito! O filé do maridão era ultra macio, com crosta bem crocante e a tal surpresa de mandioquinha, um tipo de rôsti envolta na folha de couve (acho que era couve) era bem úmida e saborosa. Vontade de comer aplaudindo.

Camarão, camarão, camarão...

Filet com surpresa


As sobremesas eram interessantes, o meu suflê era, na verdade, um tipo de semifreddo de hortelã, leve e aerado, mas natural e sem aquele corante verde radioativo. Contraste ideal com a calda quente de chocolate. O crepe não poderia estar melhor, com massa finíssima e recheio farto.

Naturalmente gostoso

Crepe executado à perfeição

O menú de almoço varia semanalmente e, realmente, é um ótimo negócio em termos de custo-benefício. Não que o cardápio não seja interessante, mas o preço do menú é imbatível se considerarmos a qualidade dos pratos. Fiquei entusiasmada para conhecer mais da cozinha do Le Triskell, digna de suas estrelas do guia Quatro Rodas por três anos consecutivos (2009, 2010 e 2011). Vale cada quilômetro rodado até Indaiatuba, inclusive o pedágio exorbitante de 9 reais e poucos cobrado na ida E na volta!



Le Triskell Bistrô - Indaiatuba/SP
www.letriskell.com.br

domingo, 26 de junho de 2011

Olivetto? Não, obrigada...



Taí um post que vai gerar polêmica, mas tentemos não nos ater aos fatores irracionais e/ou emocionais que nos fazem gostar - ou não - deste ou daquele restaurante, mas sim nos concentrar em fatos que servem de base para a opinião aqui emitida.

Tive o cuidado de não falar sobre o Olivetto após a primeira experiência (que não foi das melhores), aguardando uma segunda visita, mesmo que não houvesse muito ânimo para isso. Na primeira vez que estive no restaurante - cujo relato completo não farei aqui - dois fatos em especial me desagradaram:

O primeiro deles ocorreu durante a espera pela mesa, quando o maitre nos ofereceu uma taça de espumante enquanto aguardávamos, sem mencionar o valor da mesma. Aceitamos e, para nossa surpresa, tratava-se de uma das mais caras opções de espumante da carta, cujo valor cobrado pela taça passava dos 20 reais. Se é para oferecer algo especial, deve-se ao menos mencionar que trata-se de algo especial, sugestionando que seu preço pode ser mais alto. Como a sugestão nos foi feita no bar, sem estarmos com a carta de vinhos em mãos, fiquei realmente incomodada por não ter tido a oportunidade de checar o quanto eu iria pagar pelo oferecimento (por um pouco a mais eu poderia ter escolhido um dos bons vinhos da carta nessa faixa de preço).

O segundo fato ocorreu quando constatei a pequena quantidade de comida no meu prato - um risoto - pedido como prato principal. Tratava-se de prato raso e o risoto não alcançava um dedo de altura no prato. Nem em restaurante francês vi uma porção tão pequena de comida sendo servida como prato principal (cujo valor ultrapassa os 30 reais). O Olivetto é um restaurante de cozinha italiana... não?

Depois de muito tempo - e de muito titubear - voltei ao Olivetto para tirar a prova, ou checar se não se tratava de um dia ruim. Quanto à carta de vinhos, não tenho nenhuma ressalva, pelo contrário, as opções são ótimas e há muitos vinhos com excelente relação custo x benefício. O serviço pode ser um pouco blasé no início, mas depois torna-se adequado.

Optamos pelo couvert completo, sem entradas. De principais, o maridão optou pelo Raviolloni de cordeiro com molho de funghi e eu, para fazer coro, fui de carré de cordeiro com legumes e risoto de shimeji. Quanto ao ponto do cordeiro, lógico que não posso pedir o mesmo ponto que peço para a carne de vaca, mas deixei claro que não gostaria que fosse bem-passado. Para acompanhar, um cabernet sauvignon chileno que não me lembro ao certo se era um Tabalí Reserva, mas lembro que estava ótimo.

No couvert o destaque é para o pão, fresquíssimo e muito bem feito. Manteiga aviação individual, um patê de qualquer coisa e legumes em palito completam o time. Bastava o pão e o vinho para nos entreter enquanto esperávamos pelos pratos.

Pão perfeito

Os pratos vieram sem muita demora, mas o quesito quantidade continuou a me incomodar. Que fique claro que não estou analisando com base no meu apetite descomunal, mas com base em um "padrão" que leva em consideração o tipo de cozinha e o preço dos pratos. Basta olhar a quantidade de risoto que acompanhava o cordeiro para entender que não se trata de implicância da minha parte. Quanto ao sabor (que deveria ser o mais importante), nunca havia experimentado um cordeiro com gosto (ou falta dele) e textura de filé mignon bem passado e sem sal. A carne estava dura e insossa, uma tristeza. Tive que fazer uma das coisas que mais detesto e que fiz pouquíssimas vezes na minha vida, devolver o prato. Situação das mais desagradáveis ter que explicar ao maitre - que teria que explicar à cozinha - o porquê do prato estar intragável. Como já havia experimentado o prato do maridão e estava muito bom, acabei pedindo o mesmo para não ter erro. Mas a esta altura o jantar já estava arruinado pra mim, além da espera enquanto assistia a refeição alheia e o mal-estar com a brigada.

Corretíssimo raviolloni, porém em pouca quantidade

O cordeiro da discórdia

Não sei o que acontece com certos restaurantes que são adorados por alguns e odiados por outros. No meu caso, não gosto do Olivetto pois tive más experiências por lá e não tenho a menor vontade ou intenção de insistir no erro. Não acredito que seja o caso de irregularidade, pois não foi só o fator "comida ruim" que me desagradou, mas outros quesitos que influenciam diretamente no julgamento de um restaurante. Estou certa de que muitos já tiveram boas experiências por lá, pelo menos é o que ouço por aí, mas não foi o meu caso e não posso fingir que minhas experiências não existiram. Na minha opinião, o Olivetto é mais olho.




www.olivettorestaurante.com.br

domingo, 12 de junho de 2011

Em Vinhedo, novidade com sabor de nostalgia: Bertazzoli Gourmet



Antes de falar sobre a nova casa do chef Rogério Bertazzoli em Vinhedo, é necessário contar um pouco do papel fundamental desta família na gastronomia do interior paulista.

Em 1982 nascia na cidade a Cantina Famiglia Bertazzoli, ou Cantina do Toninho, figura das mais queridas e responsável por grande parte do sucesso da casa junto ao público, que vinha de longe para almoços repletos de pratos tradicionais da cozinha italina, comandada pelas matriarcas da família. Com o passar dos anos - e de finais de semana de casa lotada e filas de espera - a cantina passou por uma transformação, não só de ambiente mas também de cardápio e de conceito. As heras que cobriam as paredes externas deram lugar a janelões e colunas, o pátio interno, antes gramado e que servia de área de espera foi anexado ao amplo e moderno salão, com belas mesas e cadeiras estofadas, bem diferente das cadeiras de palha que faziam par com as toalhas quadriculadas tão características de uma cantina. O que impulsionou a transformação foi a volta do caçula da família dos cursos de formação no exterior, dentre eles cozinha profissional, patisserie gourmet, cozinha avançada regional da Itália e cozinha da Toscana, todos na Cordon Bleu (inclusive na filial italiana "Scuola di Arte Culinaria"). A tradicional cantina passava a um outro patamar gastronômico, com a inclusão de novos e sofisticados pratos em seu cardápio.

Mais outros bons anos de sucesso e casa lotada se passaram - aos domingos a espera podia ser de horas - e seu público, extremamente fiel, criou ao longo do tempo uma relação de amizade com aquela família. Pratos marcaram a memória dos comensais que, assim como eu, frequentaram o restaurante durante anos a fio - comecei minha relação com aquele lugar quando ainda estava no carrinho de bebê! - mas um dia, sem muita explicação, a longa relação da família Bertazzoli e sua cozinha com o público chegou ao fim. O local foi vendido e, até aquele momento, não se falava em uma nova casa. Senti-me órfã, assim como muitos outros devem ter se sentido também. Isso foi há três anos...

Tão repentino quanto o fechamento do restaurante foi a forma como fiquei sabendo que os Bertazzoli estavam de volta. Como quem não quer nada, o Rogério abriu sua nova casa sem anúncio ou estardalhaço, esquema low profile mesmo: lugar pequeno e intimista, muito bem montado, trabalhando com menu degustação nos almoços de finais de semana e opções a la carte de terça a sexta. Da cozinha envidraçada é possível ver todo o trabalho do chef, que faz tudo do começo ao fim, com muito esmero na escolha dos ingredientes que compõem os pratos. Imagino que a sutileza na inauguração seja para evitar uma fila quilométrica, já que a capacidade da casa é bem pequena e a lista de amigos e potenciais clientes é vasta.

Capricho na decoração

Na nossa primeira visita tivemos o prazer de sermos recebidos pelo Toninho, como nos velhos tempos da cantina, já dando indícios do peso nostálgico que sentiríamos ali. Ficamos impressionados com o bom gosto na decoração, mérito da Camila, esposa do Rogério. O menu do dia era composto por antipasto de abobrinha acompanhado de pães fresquinhos (pudera, o chef também tem especialização em panificação), boa manteiga e azeite virgem, piazzete di ossobuco al brodo (uma massa como mini raviolis em caldo), polenta mole com brie e risotto di funghi nero, ravioli di mozzarela di bufala al sugo caponata (molho de tomates bem rústico com berinjela) e, por fim, costeletta di maiale con insalatine verde (costeletas de porco com salada de mini agrião). Bebidas e sobremesa são a parte, mas como a família integrou o bistrô à sua importadora de vinhos, ótimos rótulos estão à disposição por preços bem interessantes. Nosso garçom nos informou que o chef sugeria um Sangiovese da Da Vinci para harmonização, que foi uma ótima pedida a impressionantes 29 reais a garrfa.

A lousa na entrada informa os pratos do menu e o preço por pessoa


Variedade de rótulos a preços atraentes, a casa tem importadora própria.

O antipasto estava ótimo, assim como os pães. Logo veio o brodo, que caiu maravilhosamente bem com o friozinho que fazia naquele domingo. Massa al dente com recheio de personalidade e caldo levíssimo, coroado com um verdadeiro parmigiano reggiano ralado na hora. Na sequência, a polenta com o risoto, uma bela dupla que fez a gente raspar o prato. O brie derretido em cima da cremosíssima polenta e o risoto al dente, com um tom diferente devido ao funghi negro, super aromático.

Antepasto de abobrinha...

... seguido do ótimo brodo

"Comfort food" gourmet!

O tempo entre um prato e outro não era longo mas suficiente para degustar o vinho com a calma que os comensais gostam. Os raviolis logo vieram, bonitos, recheados e com um molho potente, levemente apimentado e com tomates curtidos. A mozzarela do recheio era muito fresca, fazendo o papel do elemento sutil. Desnecessário dizer que o ponto de cozimento da massa estava perfeito.

Molho de personalidade no ravioli

Para nós já seria o suficiente, estávamos agraciados, mas ainda havia o último prato e ele não desapontou, pelo contrário, fechou o menu com chave de ouro. As costelinhas tinham carne muito tenra, soltando do osso, mas com uma casquinha crocante por fora, salgada no ponto que eu gosto. O chef só cometeu um deslize, mandando justo o meu prato com menos quantidade! Não tive dúvida e mais olho que barriga que sou, pedi mais uma costelinha para ficar igual aos demais. Para minha sorte, o chef me deu mais uma de brinde e eu ainda fiz marra com o pessoal que tirou sarro do meu prato "menor".

As costelinhas com uma de "brinde"...

A opção de sobremesa que nos apeteceu foi a torta de cacau feita pela mãe do chef, de cor escura que atestava a boa procedênca do chocolate, com calda cremosa e não muito doce, do jeito que eu gosto. Não sobrou nem o morango da decoração pra contar a história...

Torta de cacau (quase esquecemos de tirar a foto antes da guerra das colheres)

O valor do menu por pessoa é de 78 reais, o que consideramos muito bem pago. Além da ótima comida, o ambiente é extremamente agradável e acolhedor, passaríamos a tarde toda ali, jogando conversa fora e tomando os bons vinhos da adega. Fiquei sabendo que eles também estão servindo café da manhã e chá da tarde, com croissants de própria autoria do chef, devem ser divinos, uma próxima visita já se faz necessária para conferir. O que posso dizer é que fiquei muito feliz em saber que Vinhedo conta com uma ótima opção, destino certo de ótimas experiências gastronômicas através das mãos deste talentoso chef.

Quem frequentou a antiga casa da família certamente irá se lembrar desta peça, que faz parte do acervo dos Bertazzoli desde sua imigração e, também, da minha infância durante os almoços de domingo, há mais de 20 anos atrás.

Bertazzoli Gourmet
Av dos Imigrantes,636, Vinhedo, SP
(19)3836-2202
www.bertazzoligourmet.blogspot.com