domingo, 26 de junho de 2011

Olivetto? Não, obrigada...



Taí um post que vai gerar polêmica, mas tentemos não nos ater aos fatores irracionais e/ou emocionais que nos fazem gostar - ou não - deste ou daquele restaurante, mas sim nos concentrar em fatos que servem de base para a opinião aqui emitida.

Tive o cuidado de não falar sobre o Olivetto após a primeira experiência (que não foi das melhores), aguardando uma segunda visita, mesmo que não houvesse muito ânimo para isso. Na primeira vez que estive no restaurante - cujo relato completo não farei aqui - dois fatos em especial me desagradaram:

O primeiro deles ocorreu durante a espera pela mesa, quando o maitre nos ofereceu uma taça de espumante enquanto aguardávamos, sem mencionar o valor da mesma. Aceitamos e, para nossa surpresa, tratava-se de uma das mais caras opções de espumante da carta, cujo valor cobrado pela taça passava dos 20 reais. Se é para oferecer algo especial, deve-se ao menos mencionar que trata-se de algo especial, sugestionando que seu preço pode ser mais alto. Como a sugestão nos foi feita no bar, sem estarmos com a carta de vinhos em mãos, fiquei realmente incomodada por não ter tido a oportunidade de checar o quanto eu iria pagar pelo oferecimento (por um pouco a mais eu poderia ter escolhido um dos bons vinhos da carta nessa faixa de preço).

O segundo fato ocorreu quando constatei a pequena quantidade de comida no meu prato - um risoto - pedido como prato principal. Tratava-se de prato raso e o risoto não alcançava um dedo de altura no prato. Nem em restaurante francês vi uma porção tão pequena de comida sendo servida como prato principal (cujo valor ultrapassa os 30 reais). O Olivetto é um restaurante de cozinha italiana... não?

Depois de muito tempo - e de muito titubear - voltei ao Olivetto para tirar a prova, ou checar se não se tratava de um dia ruim. Quanto à carta de vinhos, não tenho nenhuma ressalva, pelo contrário, as opções são ótimas e há muitos vinhos com excelente relação custo x benefício. O serviço pode ser um pouco blasé no início, mas depois torna-se adequado.

Optamos pelo couvert completo, sem entradas. De principais, o maridão optou pelo Raviolloni de cordeiro com molho de funghi e eu, para fazer coro, fui de carré de cordeiro com legumes e risoto de shimeji. Quanto ao ponto do cordeiro, lógico que não posso pedir o mesmo ponto que peço para a carne de vaca, mas deixei claro que não gostaria que fosse bem-passado. Para acompanhar, um cabernet sauvignon chileno que não me lembro ao certo se era um Tabalí Reserva, mas lembro que estava ótimo.

No couvert o destaque é para o pão, fresquíssimo e muito bem feito. Manteiga aviação individual, um patê de qualquer coisa e legumes em palito completam o time. Bastava o pão e o vinho para nos entreter enquanto esperávamos pelos pratos.

Pão perfeito

Os pratos vieram sem muita demora, mas o quesito quantidade continuou a me incomodar. Que fique claro que não estou analisando com base no meu apetite descomunal, mas com base em um "padrão" que leva em consideração o tipo de cozinha e o preço dos pratos. Basta olhar a quantidade de risoto que acompanhava o cordeiro para entender que não se trata de implicância da minha parte. Quanto ao sabor (que deveria ser o mais importante), nunca havia experimentado um cordeiro com gosto (ou falta dele) e textura de filé mignon bem passado e sem sal. A carne estava dura e insossa, uma tristeza. Tive que fazer uma das coisas que mais detesto e que fiz pouquíssimas vezes na minha vida, devolver o prato. Situação das mais desagradáveis ter que explicar ao maitre - que teria que explicar à cozinha - o porquê do prato estar intragável. Como já havia experimentado o prato do maridão e estava muito bom, acabei pedindo o mesmo para não ter erro. Mas a esta altura o jantar já estava arruinado pra mim, além da espera enquanto assistia a refeição alheia e o mal-estar com a brigada.

Corretíssimo raviolloni, porém em pouca quantidade

O cordeiro da discórdia

Não sei o que acontece com certos restaurantes que são adorados por alguns e odiados por outros. No meu caso, não gosto do Olivetto pois tive más experiências por lá e não tenho a menor vontade ou intenção de insistir no erro. Não acredito que seja o caso de irregularidade, pois não foi só o fator "comida ruim" que me desagradou, mas outros quesitos que influenciam diretamente no julgamento de um restaurante. Estou certa de que muitos já tiveram boas experiências por lá, pelo menos é o que ouço por aí, mas não foi o meu caso e não posso fingir que minhas experiências não existiram. Na minha opinião, o Olivetto é mais olho.




www.olivettorestaurante.com.br

domingo, 12 de junho de 2011

Em Vinhedo, novidade com sabor de nostalgia: Bertazzoli Gourmet



Antes de falar sobre a nova casa do chef Rogério Bertazzoli em Vinhedo, é necessário contar um pouco do papel fundamental desta família na gastronomia do interior paulista.

Em 1982 nascia na cidade a Cantina Famiglia Bertazzoli, ou Cantina do Toninho, figura das mais queridas e responsável por grande parte do sucesso da casa junto ao público, que vinha de longe para almoços repletos de pratos tradicionais da cozinha italina, comandada pelas matriarcas da família. Com o passar dos anos - e de finais de semana de casa lotada e filas de espera - a cantina passou por uma transformação, não só de ambiente mas também de cardápio e de conceito. As heras que cobriam as paredes externas deram lugar a janelões e colunas, o pátio interno, antes gramado e que servia de área de espera foi anexado ao amplo e moderno salão, com belas mesas e cadeiras estofadas, bem diferente das cadeiras de palha que faziam par com as toalhas quadriculadas tão características de uma cantina. O que impulsionou a transformação foi a volta do caçula da família dos cursos de formação no exterior, dentre eles cozinha profissional, patisserie gourmet, cozinha avançada regional da Itália e cozinha da Toscana, todos na Cordon Bleu (inclusive na filial italiana "Scuola di Arte Culinaria"). A tradicional cantina passava a um outro patamar gastronômico, com a inclusão de novos e sofisticados pratos em seu cardápio.

Mais outros bons anos de sucesso e casa lotada se passaram - aos domingos a espera podia ser de horas - e seu público, extremamente fiel, criou ao longo do tempo uma relação de amizade com aquela família. Pratos marcaram a memória dos comensais que, assim como eu, frequentaram o restaurante durante anos a fio - comecei minha relação com aquele lugar quando ainda estava no carrinho de bebê! - mas um dia, sem muita explicação, a longa relação da família Bertazzoli e sua cozinha com o público chegou ao fim. O local foi vendido e, até aquele momento, não se falava em uma nova casa. Senti-me órfã, assim como muitos outros devem ter se sentido também. Isso foi há três anos...

Tão repentino quanto o fechamento do restaurante foi a forma como fiquei sabendo que os Bertazzoli estavam de volta. Como quem não quer nada, o Rogério abriu sua nova casa sem anúncio ou estardalhaço, esquema low profile mesmo: lugar pequeno e intimista, muito bem montado, trabalhando com menu degustação nos almoços de finais de semana e opções a la carte de terça a sexta. Da cozinha envidraçada é possível ver todo o trabalho do chef, que faz tudo do começo ao fim, com muito esmero na escolha dos ingredientes que compõem os pratos. Imagino que a sutileza na inauguração seja para evitar uma fila quilométrica, já que a capacidade da casa é bem pequena e a lista de amigos e potenciais clientes é vasta.

Capricho na decoração

Na nossa primeira visita tivemos o prazer de sermos recebidos pelo Toninho, como nos velhos tempos da cantina, já dando indícios do peso nostálgico que sentiríamos ali. Ficamos impressionados com o bom gosto na decoração, mérito da Camila, esposa do Rogério. O menu do dia era composto por antipasto de abobrinha acompanhado de pães fresquinhos (pudera, o chef também tem especialização em panificação), boa manteiga e azeite virgem, piazzete di ossobuco al brodo (uma massa como mini raviolis em caldo), polenta mole com brie e risotto di funghi nero, ravioli di mozzarela di bufala al sugo caponata (molho de tomates bem rústico com berinjela) e, por fim, costeletta di maiale con insalatine verde (costeletas de porco com salada de mini agrião). Bebidas e sobremesa são a parte, mas como a família integrou o bistrô à sua importadora de vinhos, ótimos rótulos estão à disposição por preços bem interessantes. Nosso garçom nos informou que o chef sugeria um Sangiovese da Da Vinci para harmonização, que foi uma ótima pedida a impressionantes 29 reais a garrfa.

A lousa na entrada informa os pratos do menu e o preço por pessoa


Variedade de rótulos a preços atraentes, a casa tem importadora própria.

O antipasto estava ótimo, assim como os pães. Logo veio o brodo, que caiu maravilhosamente bem com o friozinho que fazia naquele domingo. Massa al dente com recheio de personalidade e caldo levíssimo, coroado com um verdadeiro parmigiano reggiano ralado na hora. Na sequência, a polenta com o risoto, uma bela dupla que fez a gente raspar o prato. O brie derretido em cima da cremosíssima polenta e o risoto al dente, com um tom diferente devido ao funghi negro, super aromático.

Antepasto de abobrinha...

... seguido do ótimo brodo

"Comfort food" gourmet!

O tempo entre um prato e outro não era longo mas suficiente para degustar o vinho com a calma que os comensais gostam. Os raviolis logo vieram, bonitos, recheados e com um molho potente, levemente apimentado e com tomates curtidos. A mozzarela do recheio era muito fresca, fazendo o papel do elemento sutil. Desnecessário dizer que o ponto de cozimento da massa estava perfeito.

Molho de personalidade no ravioli

Para nós já seria o suficiente, estávamos agraciados, mas ainda havia o último prato e ele não desapontou, pelo contrário, fechou o menu com chave de ouro. As costelinhas tinham carne muito tenra, soltando do osso, mas com uma casquinha crocante por fora, salgada no ponto que eu gosto. O chef só cometeu um deslize, mandando justo o meu prato com menos quantidade! Não tive dúvida e mais olho que barriga que sou, pedi mais uma costelinha para ficar igual aos demais. Para minha sorte, o chef me deu mais uma de brinde e eu ainda fiz marra com o pessoal que tirou sarro do meu prato "menor".

As costelinhas com uma de "brinde"...

A opção de sobremesa que nos apeteceu foi a torta de cacau feita pela mãe do chef, de cor escura que atestava a boa procedênca do chocolate, com calda cremosa e não muito doce, do jeito que eu gosto. Não sobrou nem o morango da decoração pra contar a história...

Torta de cacau (quase esquecemos de tirar a foto antes da guerra das colheres)

O valor do menu por pessoa é de 78 reais, o que consideramos muito bem pago. Além da ótima comida, o ambiente é extremamente agradável e acolhedor, passaríamos a tarde toda ali, jogando conversa fora e tomando os bons vinhos da adega. Fiquei sabendo que eles também estão servindo café da manhã e chá da tarde, com croissants de própria autoria do chef, devem ser divinos, uma próxima visita já se faz necessária para conferir. O que posso dizer é que fiquei muito feliz em saber que Vinhedo conta com uma ótima opção, destino certo de ótimas experiências gastronômicas através das mãos deste talentoso chef.

Quem frequentou a antiga casa da família certamente irá se lembrar desta peça, que faz parte do acervo dos Bertazzoli desde sua imigração e, também, da minha infância durante os almoços de domingo, há mais de 20 anos atrás.

Bertazzoli Gourmet
Av dos Imigrantes,636, Vinhedo, SP
(19)3836-2202
www.bertazzoligourmet.blogspot.com

domingo, 22 de maio de 2011

Casa de Maria Bistrô Contemporâneo e Gallo Nero Bottiglieria - em comum, o chef André Bearzotti



O Mais Olho Que Barriga esteve recentemente em duas casas cujas cozinhas estão sob a batuta do mesmo chef, o André Bearzotti, chef proprietário da Casa de Maria Bistrô e chef executivo (e sócio) do bistrô da Cave Pavesi, o Gallo Nero. Para quem não sabe, a Cave Pavesi é a antiga Expand, cuja loja de vinhos se manteve praticamente a mesma, porém seu bistrô mudou de nome, de comando e de cardápio.

Não sei por que demoramos tanto para ouvir falar do Casa de Maria, charmoso bistrô localizado no distrito de Barão Geraldo, cujo chef é ex Olivetto, ex La Pasta Gialla, ex Cambuquira (além de passagens pelo Tostex de Trancoso e restaurantes da Inglaterra). Confesso que só fiquei sabendo sobre lugar ao ver seu nome na lista de participantes do SPRW (que acabamos não indo conferir durante o evento), mas fuçando um pouco na biografia do chef, logo minha memória gastronômica me lembrou que já conhecia seu trabalho de outras mesas.

Mas o fato de ter ido ao Casa de Maria e ao Gallo Nero em um curto intervalo de tempo - o que permitiu este post único sobre ambos - foi mera coincidência, pois só fiquei sabendo de que se tratava do mesmo chef quando nosso atendente no Gallo contou um pouco da história da transição da Expand para a Cave Pavesi.

Vamos por partes, começando pelo Casa de Maria: estivemos nesse simpático restaurante em um almoço de sexta-feira, o que nos permitiu conferir o cardápio executivo. Dentre as opções (poucas, mas interessantes), tanto eu quanto a Pati optamos pela truta ao molho thai, com arroz de legumes a julienne. Para acompanhar, Stella Artois para refrescar o calor que fazia naquele dia.

A agradabilíssima área externa

Uma saladinha simples serve de entrada para os pratos do executivo, mas os ingredientes super frescos não desapontaram, acompanhados de croutons e redução de balsâmico.

Capricho

A truta veio em bela apresentação e quantidade satisfatória. O arroz tinha legumes cortados com perfeição (julienne é um corte cujo tamanho de 6cm de comprimento por 2mm de lado nem sempre é respeitado) e os grãos tinham ponto perfeito de cozimento. O molho thai era a estrela do prato, gostamos tanto que pedimos uma quantidade à parte, o que nos foi prontamente providenciado. Para o meu gosto, a truta poderia estar um pouquinho menos grelhada, mas nem de longe estava ressecada, é apenas uma questão de gosto pessoal mesmo.

Delícia de molho

A média de valores dos pratos no executivo é de 30 reais. Os preços do menú a la carte são um pouco mais salgados, média de 50 reais por prato (podendo variar de acordo com os ingredientes, obviamente). Gostamos do que vimos e comemos. Definitivamente, um nova visita será bem vinda para podermos explorar um pouco mais do cardápio do chef, bastante contemporâneo e com alguma influência asiática, o que desperta bastante meu interesse.



Casa de Maria Bistrô Contemporâneo
Rua Maria Nassif Mokarzel, 237 (esquina com Av. Dr. Romeu Tórtima - Av. 1)
Barão Geraldo
(19) 3365-2530

Já no caso do Gallo Nero, percebi que ultimamente alguns acessos ao blog referiam-se à busca pelo Bistrô Expand (sobre o qual falamos aqui), com questionamentos sobre o lugar ter fechado. Fui fuçar em fontes e nenhuma informação me pareceu mais confiável do que a tal Cave Pavesi, loja especializada em vinhos, ter o mesmo endereço da Expand. Mas só fui entender a história já no local, assuntando com o nosso garçom, que nos explicou que o dono encerrara as operações com a importadora Expand, por isso a necessidade de mudar o nome da loja. Com a mudança, novos ares também para o bistrô, não só na decoração mas também com novo chef e consequente novo cardápio.



Chegamos cedo, quando só havia uma única mesa ocupada, mas logo fomos informados de que a maioria dos lugares estaria reservada. Com um salão pequeno, não demorou muito para que todas as mesas fossem ocupadas (devem haver umas 10, 14 mesas, lugar para 40 pessoas). O mais legal é que agora, além da tradicional carta de vinhos, o maitre também te entrega um I-pad com todos os vinhos da loja (mais de mil rótulos), além de aplicativos para "brincar" com o assunto - um verdadeiro passatempo!

Gadget pra entreter por mais de hora...

Dos pratos do menú, poucas mas boas opções de carnes, peixes e risotos. As bruschettas fazem a alegria das entradas, em opções criativas. Nos principais, me chamou a atenção o filé mignon com ragu de cogumelos e spaghetti trufado. O maridão, na falta de cordeiro, escolheu o cabrito, acompanhado de batatas e brócolis. Para acompanhar o jantar carnívoro, a escolha foi um cabernet sauvignon Concha y Toro reserva 2007, porém rolou o irritante "tem mas acabou" e acabamos ficando com o californiano Robert Mondavi Private Selection 2007, da mesma uva - um bom negócio, por 89 reais a garrafa.

Vinho honesto

Na hora de pedir meu prato, fui tão enfática com relação ao ponto da carne que o maridão achou que fui um tanto quanto agressiva. Na verdade, por um prato de mais de 80 reais, não iria tolerar que o ponto viesse errado e simplesmente disse que, se viesse errado, eu pediria para trocar. Verdade seja dita, fui bastante específica e pedi para que o garçom repassasse meu pedido para a cozinha, pois o chef (ou sous chef, que depois vim a saber que era o responsável pela cozinha naquela noite) certamente saberia o que significa "bleu". Mas de nada adiantou minha ênfase, pois quando o prato chegou (belíssimo, diga-se de passagem), logo vi que o ponto estava errado, só de espetar o garfo. Fiz questão de cortar em três partes, para me certificar de que toda a peça estava mais passada do que deveria, e registrei em fotos para que não me chamem de "crica".

Vamos fazer um adendo nesta altura do post e inserir aqui, para evitar polêmicas, a convenção gastronômica para pontos de carnes vermelhas:

- Bem mal ou bleu: cocção muito rápida, consistência branda ao mastigar, cor vermelha no interior (temperatura de 55 graus no interior da peça)

- Malpassado ou Saignant: cocção rápida, crosta externa, consistência ligeiramente firme, cor vermelha rosado no interior (temperatura de 63 graus no interior da peça)

- No ponto ou Au Point: cocção lenta, casca resistente, consistência interna branda, cor rosa no interior, com algumas gotas de sangue na superfície (temperatura de 71 graus no interior da peça)

- Bem passado ou Bien Cuit: cocção muito lenta, consistência firme, cor cinzenta no interior (temperatura de 77 a 82 graus no interior) - (nota da autora: o "horror" completo para uma carne)

Agora, com base nas informações acima, notem a diferença:

O primeiro filé...

... e o segundo, no ponto perfeito!

Não preciso nem dizer que fui prontamente atendida em meu pedido de troca, mas não deixa de ser uma situação desagradável, principalmente porque o prato do maridão estava divino e ele não iria me esperar para comer, deixando tudo esfriar. Dei algumas garfadas no cabrito e a textura era maravilhosa, se desfazia na boca, além do molho super saboroso. Um belo prato a um ótimo custo x benefício (65 reais por uma bela porção ao melhor estilo Conan).

Cabrito a la Conan!

Meu novo prato não tardou a chegar, acompanhado de um pedido de desculpas por parte da cozinha. Estavam desculpados, pois o ponto viera perfeito desta vez, o prato estava saborosíssimo, spaghetti bem al dente com lascas de trufas negras, tudo muito harmonioso. Gostei bastante, principalmente da quantidade, o filé devia ter algo em torno de 300g, 400g.



Vinho bom, comida boa, mal havia espaço para a sobremesa, mas fiquei curiosa para experimentar a versão italiana do nosso folclórico arroz doce, o riso dolce - feito como um risoto mesmo, com direito a arroz arbóreo e ponto de cozimento cremoso devido ao amido (18 reais). A baunilha saborizava o prato, cujos grãos firmes e durinhos contrastavam com a consitência cremosa do conjunto, além da brincadeira de quente e frio devido ao sorvete de chocolate que coroava o prato. Porção gigante, pode e deve ser dividida.

Para quem gosta de risoto, vale experimentar a versão doce

O salão, por ser pequeno, pode ficar bastante barulhento quando lotado, mas não atrapalhou em nada. Quase tivemos uma congestão quando vimos adentrar o recinto o mesmo mala do Cayena (aquele que gritava para todo mundo ouvir o quanto ele tinha de dinheiro), mas nossa sorte foi que ele se sentou relativamente longe da gente e já estávamos de saída. Mais uma sessão de falta de noção e vergonha alheia seria insuportável!

Gostamos bastante do ambiente, da carta de vinhos (óbvio!) e do menú, bem executado pela equipe do chef André. O preço pode ser considerado caro se você não aprecia a vasta oferta de bons vinhos ou se está mais interessado em comer algo leve e descompromissado. O negócio aqui é boa comida para acompanhar bons vinhos, se é o que você procura, não tem erro.

Vale mencionar que este post é especial, pois estamos comemorando a marca de 10.500 acessos ao blog! Que venham mais marcas significativas, para que a gente comemore em forma de ótimas experiências gastronômicas!

Gallo Nero Bottiglieria
(Cave Pavesi)
Rua Maria Monteiro, 59 - Cambuí
(19) 3252-8893 (Recomenda-se reservar)

domingo, 8 de maio de 2011

Enfim, o Mais Olho se rende ao Chef Theo

Tá bom, sei que sou teimosa e quando implico com uma coisa, posso demorar muito para me convencer do contrário. Não sei se já havia externado aqui no blog meus sentimentos com relação ao restaurante do badalado chef Theo Medeiros, mas minha cisma com o fato deles não aceitaram cartão de crédito me afastou durante um bom tempo da inevitável visita. É óbvio que o restaurante de um dos mais renomados chefs da região não poderia ficar de fora deste blog, cujo foco é justamente Campinas e adjacências, por isso eu dou aqui a mão à palmatória e assumo a culpa pela demora em fazer esta resenha.

Finalmente, baixei a guarda e decidi que era a hora de ir lá conhecer a casa e revisitar o trabalho do chef (que eu não provava desde a época do restaurante de Barão Geraldo e, mais longe ainda, do finado Espiegle). Era um sábado à noite e rumamos para o Cambuí, porém não sem antes garantir nossas reservas (eles escolhem o horário e só garantem a reserva até às 20:15h). A parte externa nos pareceu a melhor opção, ainda mais com mesinhas sob as árvores e iluminadas por velas, um clima super parisiense. A decoração é casual, sem nenhuma afetação, o que logo de cara me cativou.

Clima parisiense em pleno Cambuí

No cardápio, opções que mostram claramente a formação francesa clássica do chef, porém com toques de inventividade e ingredientes regionais. Nas entradas, nossas escolhas foram as vieiras gratinadas (imagina que eu não pediria vieiras) e a mini caçarola de camarões e cogumelos.

A carta de vinhos não é das mais extensas, mas tem várias boas opções de diversos países e das mais variadas uvas e preços, bem completa. Como escolhemos carnes para o prato principal (ainda chego lá), pedimos vinho branco em taça para acompanhar nossas levíssimas entradas e um tinto para os principais (o ótimo Tabalí Reserva, aquele mesmo Cabernet Sauvignon que tomamos no Conte), cujas escolhas foram o filet mignon recheado com brie para mim e a paleta de cordeiro com molho de hortelã para o maridão.

Para petiscar, somente os levíssimos grissini (com massa folhada), porém não há cobrança de couvert. As entradas vieram logo: as vieiras, nadando em manteiga de ervas, gorduchas e apetitosas, não me desapontaram. Estavam deliciosas, muito macias (no ponto perfeito de cozimento) e temperadas na medida. A mini caçarola também estava gostosíssima, com camarões carnudos que estouravam na boca, imersos em um molho leve, porém saboroso, de tomate com creme de leite fresco e trigo, além dos cogumelos frescos.

Grissini para petiscar

Lindas e gostosas!

Ótima pedida para entrada

Aos poucos a casa foi enchendo, na maioria casais de todas as idades e pequenos grupos de amigos, lotando as mesas tanto da área externa quanto interna. Mesmo com a proximidade das mesas, não sentimos que nossa conversa era ouvida e nem tivemos que participar do papo dos outros. Mudamos para o vinho tinto para esperar pelos pratos principais, que também não demoraram para chegar. Meu filé tinha um visual belíssimo e logo já pude perceber que o ponto viera exatamente como o pedido, bem mal passado. O cordeiro do maridão também encheu os olhos, um belo pedaço de paleta acompanhado de fettuccine persillee.

Meu filé era daqueles que se podem cortar com as costas da faca, ultra macio. O abundante queijo brie escorria pelos lados, misturando-se ao ótimo risoto de castanhas e frutas secas, cremoso e no ponto. O cordeiro do maridão estava ótimo, quase não sobrou uma garfada para eu experimentar. Carne muito tenra e macia, par perfeito com o molho de hortelã e o fettuccine al dente. Tudo irretocável.

Filé

Paleta

Nas sobremesas, muitas opções interessantes, porém quis experimentar o clássico creme brûllé na versão do chef, com chocolate branco e manga flambada. Grata surpresa, creme leve e não muito doce (fiquei com receio por ser chocolate branco), com lâminas de manga flambadas e tostadinhas de leve pelo maçarico, delícia.

Creme brûllée alternativo

No final das contas, além da ótima experiência gastronômica, o restaurante do chef Theo ainda tem a vantagem de não ter preços salgados, nem nos pratos nem na carta de vinhos. Excelente relação custo x benefício, uma vez que a cozinha não desaponta. Não é à toa que o chef tem seu trabalho consagrado e reconhecido.

Theo Medeiros (www.cheftheo.com.br)
Rua Sampaio Ferraz, 175
Bairro Cambuí
fone: 3255-4333

terça-feira, 5 de abril de 2011

Restaurant Week: balanço final



A seguir, mais duas experiências durante a SPRW e, ao final, um balanço do evento, do ponto de vista desta blogueira.

Almoço no Bellini Ristorante - pechincha!

O italiano do Hotel Vitória entrou no evento apenas para o almoço, oferecendo somente uma opção de entrada, duas de principal (ambos massas) e uma de sobremesa. Para um almoço por R$ 29,90 (+ R$ 1,00 da doação), o Bellini me pareceu uma excelente pedida, já que o restaurante é bem cotado e já tive boas experiências por lá (apesar de que algumas não tão boas assim demonstram uma certa irregularidade da casa, algo irritante para um restaurante de nível que não cobra barato). Mas justamente pela pechincha do menu do evento, eu e minha amiga Lilian acabamos nos empolgando e pedimos um vinho para alegrar (e encarecer) a refeição.

pães fresquíssimos e muito bem feitos

O couvert, apesar de simples, contava com pães deliciosos, formando uma dupla perfeita com a boa manteiga. As entradas, legumes grelhados com redução de balsâmico e crisp de parmesão, estavam ótimas, com legumes al dente e molho caramelado. Só a da Lilian que foi trocada pois veio sem a bela cebola roxa presente na minha, o que causou uma certa inveja...

Entradinha bem executada

As opções de prato principal eram Raviolones, um com recheio de ragu de cordeiro e molho da própria carne e outro com três queijos e manteiga de ervas. Duas carnívoras que somos, ambas fomos de cordeiro, uma boa escolha pois o prato estava bom, no ponto correto, recheio em boa quantidade e o molho... sensacional! Mereceu ser raspado até o final com o ótimo pão do couvert.

O molho era a estrela do prato, raspei até a última gota com o pão...

A sobremesa, um semifreddo de torrone servido com creme de paçoquinha, era muito interessante, mas a casquinha que vinha em cima roubou a cena, tanto é que quando acabou, o sorvete em si perdeu um pouco da graça.

Semifreddo de torrone

Se não tivéssemos pedido o vinho, este almoço pra lá de honesto teria nos custado algo em torno de 40 reais, com alguma bebida e serviço inclusos. O manobrista é gratuito durante o almoço, mais um ponto para o Bellini. Em suma, apesar de não participar no jantar, o restaurante ganhou minha simpatia por ter me causado a sensação de um almoço muito bem pago. Pretendo voltar lá para fazer uma resenha bacana aqui para o blog, acho que o Bellini tem boas coisas a oferecer.


Cayena Bistro - passo maior que a perna?

Alguém já havia me pedido uma resenha do Cayena nos comentários do blog, mas confesso que ele não estava no meu wish list (pelo menos não nas visitas a curto prazo) e o evento se mostrou uma ótima oportunidade para conhecer o lugar. Fiz minha reserva com antecedência e, chegando lá, vimos que a casa apostou todas as fichas no evento, uma vez que todas as mesas estavam reservadas e quem chegasse sem reserva não seria atendido. Como chegamos cedo, o lugar ainda não estava cheio e o serviço foi bastante atencioso. Logo anotaram os pedidos e nos trouxeram o couvert, gostoso porém descobri depois que o valor do mesmo era absurdo por pessoa - 15 reais - o que não se justifica por pães, berinjela grelhada, manteiga com ervas e azeitonas! Não quero nem entrar no mérito da questão do couvert como conceito de se pagar para sentar em determinada mesa, pois não é o caso (alguns restaurantes mais sofisticados justificam seu alto preço de couvert pelas toalhas de linho, talheres de prata e copos de cristal) mas achei extremamente abusivo o valor, o equivalente ao valor de uma entrada.

Nossa mesa era na área externa, uma boa pedida para noites agradáveis...

Pedi para dar uma olhada no menú completo, mesmo já tendo escolhido minhas opções no menú do evento, para conhecer um pouco do estilo da casa e suas especialidades. Fiquei impressionada com os pratos, principalmente pelo falet de wagyu, aquele gado japonês da massagem que falei neste post aqui. Tudo bem elaborado, com toques de fusion couisine, mas nada por menos de 50 reais nos principais. Já a carta de vinhos era bem fraquinha, com pouquíssimas opções de uvas, de poucos países.

No menú do evento, tínhamos: bresaola ou ceviche de robalo nas entradas, fetuccine de palmito de pupunha com cogumelos frescos, mix de mini tomates, abacaxi caramelizado no saquê e shoyu ou Risoto de ragú de cordeiro com frutos e frutas secas nos principais e crema catalana ou panacota de sobremesa. Escolhemos um de cada, não só porque nossos gostos bateram direitinho com as opções, mas também para enriquecer a experiência para o blog (altruístas, não?)

O serviço, que se mostrou esperto e cordial no começo, já começava a dar sinais de que casa cheia não é trivial: por diversas vezes, vimos os garçons trocando as mesas da parte externa (onde estávamos), levando couvert onde já tinha, pratos principais onde ainda não havia entradas e assim por diante. Percebemos que apenas um deles era mais treinado e sobre ele recaía a responsabilidade de orientar os outros, mais novos e visivelmente inexperientes.

As entradas vieram sem demora, ceviche pra mim e bresaola para o maridão. O ceviche estava perfeito, ácido no ponto certo, peixe fresquíssimo, pimenta e coentro, tudo muito equilibrado e na temperatura certa. A bresaola estava boa porém extremamente salgada, mesmo para uma carne curada.

Ótimo ceviche

Já a bresaola estava salgada além da conta

Estava ansiosa pelo meu prato, o fetuccine de pupunha, ainda com prato equivalente do Maní na memória (um dos mais fantásticos que já comi na vida), por isso tentava regular minha expectativa para não me frustrar. Quando finalmente chegou - com direito a Cloche (aquela "tampa" de prata que cobre o prato e é retirada somente na frente do comensal, para evitar a perda de calor e aromas) - gostei do que vi, a apresentação era linda. No caso do prato do maridão, de cara já vimos que a porção era bem pequena, principalmente em se tratando de risoto como prato principal. Não sabemos dizer se a porção foi diferente devido ao evento ou se é padrão do restaurante, mas eu não gostaria de pagar algo em torno de 50 reais por um prato tão escasso em termos de quantidade, sinceramente.

Acho que na foto já se nota que a porção era pequena

O fetuccine estava saboroso, porém a espessura grossa dos fios de pupunha comprometia a leveza do prato, alguns ainda bem fibrosos, deixando o prato pesado, ou seja, o contrário do que deveria ser. O risoto estava bem al dente, o que não seria problema algum caso houvesse a cremosidade necessária, porém o caldo estava um pouco aguado, o que denota o erro no ponto. Mesmo assim, os sabores eram interessantes e as frutas secas davam um bom contraste de texturas , que seria melhor ainda caso o risoto estivesse cremoso.

Lindo prato, pena que não estava tão leve quanto eu esperava



A esta altura o serviço havia desaparecido da área externa onde estávamos. Notamos que demoraram uns 15 minutos para perceberem que nós já havíamos terminado os pratos e mais uns 20 para nos servirem as sobremesas. Quando questionamos a demora, o garçom acabou entregando mais do que deveria, nos revelando que o responsável na cozinha pelas sobremesas é o mesmo das entradas e que a casa estando cheia, a capacidade estava comprometida. Realmente, o evento pode ser ótimo para alguns restaurantes, mas nem tão bom para outros, expondo seus pontos fracos e comprometendo a primeira impressão de muitos clientes.

A demora quase foi recompensada pelas ótimas sobremesas: a panacota, com morangos em calda, era exata no ponto e na doçura. A crema catalana (o equivalente espanhol do creme brulee) também tinha ponto perfeito, casquinha fina e temperatura ideal.



Sobremesas irretocáveis

Mais uma boa espera pela conta acabou pondo fim em nossa paciência para esperar pela nota paulista, além da crescente irritação com nossos vizinhos de mesa, que insistiam em compartilhar conosco (e com o restante das mesas) todos seus assuntos, desde intimidades de casais a revelações de salários e patrimônios. Existe uma grande diferença entre os que falam alto por falta de noção e os que falam com intenção de serem ouvidos por todos. Péssimo.

A conta, que incluía o vinho de cerca de 50 reais, saiu por 170 reais. Levando-se em consideração o menú a 40 por pessoa, fica claro porque considero abusivo o couvert a 15 reais por pessoa.

Por essas e outras, ainda não tenho certeza se voltarei tão cedo ao Cayena, ainda mais se for para experimentar a carne do wagyu por 62 reais o prato. No balanço final do evento, das três experiências que eu tive, aparentemente o Conte foi o restaurante que melhor soube aproveitar sua participação, por três motivos: trata-se de uma casa relativamente recente, com necessidade de exposição e divulgação para o público em geral; a brigada estava bem preparada para os dias de casa lotada, tanto salão quanto cozinha; a boa impressão causada foi a primeira impressão de muitos dos que frequentaram o Conte nessas duas semanas, ou seja, se o ditado se confirma, a impressão que fica é a boa. No caso do Bellini, um restaurante já consagrado na cidade, premiado e reconhecido, a participação no evento me parece algo mais político do que de fato útil para a casa. O menú de 30 reais no almoço não atraiu mais clientes, pude notar pelas inúmeras mesas vazias no dia em que estive lá. Não vejo também como uma necessidade do Bellini atrair as massas, mas ficar de fora do evento poderia parecer pedante às vistas dos comensais locais. Já para o Cayena, o evento pode ter sido taiçoeiro, apesar da lotação que faz os olhos de qualquer proprietário brilhar. Nem todo restaurante está preparado para lidar com casa cheia, em dias seguidos, principalmente se a lotação não é frequente. É preciso ter cuidado para que eventuais falhas, que talvez não aconteçam em dias de funcionamento normal, não sejam determinantes para minar as intenções de uma segunda visita, no caso dos que visitam a casa pela primeira vez na ocasião do evento. Mas no geral, as três visitas valeram à pena, cada uma com seu propósito e seu retorno. Que venham as próximas edições!

Bellini Ristorante
Hotel Vitória
Via Norte Sul, 425
3755-8027
www.belliniristorante.com.br

Cayena Bistrô
Rua Capitão Francisco de Paula , 264
Cambuí | Campinas
3385-3033

segunda-feira, 28 de março de 2011

O début de Campinas na SPRW



Finalmente alguém teve a brilhante idéia de estender o já bem sucedido evento de gastronomia de São Paulo, o São Paulo Restaurant Week, para outras - e expressivas - cidades do estado. Além de Campinas, participam desta edição cidades como Santos, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São Sebastião, Embu, Barueri, Cotia, Guarujá e cidades do ABC paulista. O evento Restaurant Week em si, nascido em Nova Iorque há quase vinte anos, ganhou sua versão nacional em 2007 na capital paulista, causando furor entre o público que, por uma fração do preço normal, teria a oportunidade de frequentar as melhores mesas da cidade.

Em Campinas, participam do evento em 2011 alguns restaurantes já velhos conhecidos do público e também outros mais recentes, que ainda buscam conquistar o paladar da clientela local e vêem no evento uma ótima oportunidade para mostrar seu trabalho, tendo em vista o excelente preço do menu composto por entrada, prato principal e sobremesa - R$ 29,90 no almoço e R$ 39,90 no jantar (bebidas e serviço não estão incluídos).

Como minha intenção é sempre incluir novidades no blog, procurei por lugares participantes que ainda não foram visitados pelo M.O.Q.B., mas que estavam na minha listinha de próximas visitas. Reservas feitas, o primeiro a ser visitado foi o Conte Italian Steakhouse, cujo menu para o evento me pareceu bem interessante: nas opções de entrada, ceviche al mare ou torre de carpaccio; nos principais, filetto em fondue de queijo e frigideira de cogumelos, lombo de cordeiro com coulis de frutas vermelhas e couscous marroquino ou chorizo em leito de bordelaise com farofa crocante. Para as sobremesas, tortinha de maçã com sorvete de creme, marquise de chocolate com anglaise de laranja ou cassata de frutas secas.

Na chegada, o banner anunciando o serviço de manobrista gratuito já me conquistou, ainda mais em se tratando de um restaurante na rua Sampainho, um verdadeiro inferno às quintas, sextas e sábados. O local ainda estava vazio e a hostess prontamente nos recebeu e verificou nossa reserva, indicando a mesa.

O maitre logo no explicou o menú, que estava impresso e colocado em todas as mesas, o que me fez questioná-lo se o restaurante teria dedicado 100% de sua capacidade para o evento, o que ele confirmou. Achei muito legal ver que o lugar apostou alto no evento e respeitou o consequente aumento de demanda sem prejuízo dos clientes, coisa que não se vê nos participantes da capital, que reservam apenas um percentual de sua capacidade para as reservas relativas ao evento e ainda corre-se o risco de sofrer uma certa discriminação por parte do serviço.

Escolhidas as opções, o maitre (que também faz as vezes de sommelier da casa) nos deus algumas sugestões de vinhos, mas acabamos decidindo no faro. Como optei pelo ceviche de entrada, quis uma garrafa de 187ml de sauvignon blanc antes de partir para o tinto, no caso o chileno Tabalí Reserva Merlot (excelente vinho, diga-se de passagem). Para aqueles que sentem falta de ler mais sobre os vinhos neste blog, sugiro uma visita ao vivendovinhos.blogspot.com - cujo autor é da região e manja bastante do assunto, infinitamente mais que eu!

Branco para começar, tinto para continuar...

Nossas entradas chegaram, ceviche para mim e carpaccio para o maridão. A apresentação era belíssima, o que pode ser constatado pelas fotos. No caso do ceviche, senti falta de algo contrastante, seja no sabor ou na textura, mas tudo me pareceu muito "flat", talvez algo monótono, sem surpresas no paladar, apenas a acidez do limão com a textura dos frutos do mar. Já o carpaccio tinha algo de interessante, principalmente pelo crisp de parmesão e lascas de amêndoas.

Talvez uma pimentinha tornaria o ceviche mais interessante...

A torre

Das opções do menu, senti falta de um peixinho nos principais, mas como trata-se de uma steakhouse, imagino que o forte está mesmo nas carnes. Escolhi o filé com fondue de queijo e frigideira de cogumelos, enquanto o maridão foi de chorizo com bordelaise e farofa crocante. Tivemos uma certa dificuldade em esclarecer o ponto que queríamos, pois para o garçom "mal passado" era o mesmo que "ao ponto para mal". Expliquei que havia uma grande diferença, se não para ele, pelo menos para a cozinha, por isso fiz questão de deixar claro que queríamos mal passado mesmo! Os pratos vieram sem demora e também com bela apresentação, mas o ponto não estava exatamente mal passado, como eu já esperava. Não acho que o prato foi prejudicado por isso, mesmo porque estava tudo excelente, realmente muito gostoso. Meus filés eram ultra macios, o queijo fundido era de ótima qualidade, super cremoso e aveludado, os cogumelos estavam presentes em boa quantidade e havia ainda um tipo de onion rings bem fininha e apimentada, que conferia ao prato um importante contraste de texturas e sabores. Comi com tanta vontate e em prazerosas garfadas, que não deixei uma migalha sequer no prato.

Excelente filé!

O chorizo, um bifão bem alto e muito macio, veio suculento e quase tão mal passado quanto o desejado. A farofinha crocante roubou a cena, um pecado de gostosa, principalmente devido aos pedaços de linguicinha defumada. O molho bordelaise estava bem reduzido e caramelado como deve ser.

Aí está a farofinha matadora...

Refastelados com o banquete, regado a muito vinho, até havíamos nos esquecido da sobremesa. Tortinha de maçã para ele, marquise de chocolate para mim, que também vieram em boa quantidade e bela apresentação. A marquise de chocolate, uma espécie de creme denso e firme, vinha sobre o anglaise de laranja, um tipo de creme à base de ovos, com raspas de laranja. Como a marquise já era muito cremosa, talvez fosse interessante adicionar algum elemento crocante, tipo um crumble ou farofinha. Mas o sabor estava bem gostoso, inclusive a combinação com o cítrico da laranja. A tortinha não poderia dar errado, tortinha quente de maçã com sorvete de baunilha é infalível.

Marquise de chocolate com anglaise de laranja

Dupla infalível: tortinha + sorvete

O melhor desse jantar foi o preço. Não fosse pelos vinhos, não pagaríamos mais que 100 reais, um excelente custo x benefício pelo que nos foi oferecido. Além disso, fiquei muito curiosa para experimentar o que mais o Conte tem a oferecer, já que o cardápio habitual da casa tem várias opções interessantes e eles já provaram que merecem o crédito para uma nova (e breve) visita.



Conte Italian Steakhouse
www.conterestaurante.com.br