quinta-feira, 28 de julho de 2011

Duo Bruschetteria e Bottega: só eu não conhecia?



Pela quantidade de comentários e indicações que recebi sobre o Duo Bruschetteria e Bottega, parecia que só eu ainda não conhecia o lugar. Talvez porque o Duo, que já existe há quase um ano em Campinas, tenha preferido tornar-se referência no boca-a-boca, esquema low profile mesmo, para a galera se sentir insider ao descobrir a casa escondida em uma ruazinha minúscula do Cambuí. E não é que o teaser funcionou? Pelo menos comigo, já estava ficando com faniquito pra ir lá conferir...

De tanto me falarem que é uma casinha aconchegante, com ares de Toscana, em uma viela charmosa e etc e tal, parecia que eu já conhecia o lugar antes mesmo de entrar. Como eu imaginava, rústico e acolhedor, totalmente apropriado para sentar com amigos e tomar bons vinhos, acompanhados de ótimos beliscos - não restritos somente às bruschettas que dão nome à casa. Os antepastos primam pela simplicidade das receitas tradicionais da cozinha da Toscana, cujo foco é preservar os antigos hábitos culinários, com ênfase em bons ingredientes, como deve ser. Além dos beliscos, alguns pratos também figuram no cardápio, como massas e carnes. A carta de vinhos é honesta e variada sem exageros, obviamente com boas opções de sangioveses e outras uvas italianas, mas sem deixar de lado boas pedidas de outros países.

Para abrir o apetite, pedimos bruschettas variadas, cada um com sua preferência. Só consigo me lembrar da minha escolhida, de abobrinha e berinjela grelhadas e um queijo tipo pecorino, e a do maridão, de berinjela caponata. Estavam ótimas, com pão crocante mas não duro além da conta e fartura de ingredientes. Não custam pouco e são individuais, mas valem cada mordida.





Na sequência pedimos uma porção de bolinhos de arroz arbóreo, que eu conheço por arancini mas no Duo o nome é outro que não me lembro ao certo, talvez Supli. Independente de como se chamam, o que importa é que estavam maravilhosos, super sequinhos e crocantes, com queijo derretido no interior, saiu até briga pelo último...

Sequinhos e crocantes por fora...

... e maravilhosamente cremosos por dentro

Ávidos por mais, pedimos a polenta mole trufada com ovo mollet, a melhor definição de comfort food gourmet. Dava pra notar que a polenta fora feita com matéria prima de alta qualidade, de certo italiana, nada de fubá mimoso não. O ovo mollet - cuja execução é difícil por ser um ovo mole que, além de descascado, é empanado e frito - estava muito bom, porém um tiquinho além do ponto. A gema poderia estar um pouco mais gelatinosa, mas o sabor do conjunto estava fantástico, principalmente devido às trufas negras raladas por cima de tudo, conferindo aquele aroma característico de "gás butano" ao prato...

Esqueci de mencionar o parma, que só agregou valor ao prato...

Nosso amigo Thiago experimentou a massa com ragú de carne e aprovou o prato, correto no ponto de cozimento e saboroso, porém ele observou que o ragú estava mais para um molho à bolonhesa e sabemos que existe uma diferença entre ambos, portanto fica aí uma ressalva, apesar de não ter sido o meu prato.

Vinho vai, vinho vem, estômagos agraciados, papo rolando gostoso, realmente nos sentimos à vontade naquele lugar. A energia é legal, acredito que o ensejo de fazer algo para amigos seja mesmo a essência do Duo. Começou para amigos, atraiu amigos dos amigos e hoje tem um público cativo e fiel, que não só frequenta a casa regularmente mas também gosta de falar bem dela. Sinto que este será o meu caso daqui pra frente...



Duo Bruschetteria e Bottega
Rua Gustavo Enge, 48 - Cambuí
fone: 3395-9699

terça-feira, 5 de julho de 2011

Le Triskell Bistrô: francês de respeito em Indaiatuba

Daí que um dia tive que ir a Indaiatuba para um compromisso e decidi experimentar um lugar que há muito ouvia falar, não só da boca dos amigos de Indaiatuba, mas também de diversas fontes que considero confiáveis. Já imaginava que não sairia desapontada, mesmo porque o bistrô conta atualmente com o chef francês Sébastien Michaut (ex La Palette), cuja expertise já tinha tido a oportunidade de ver no bistrô do The Royal. Mas o que eu não previa era o meu encantamento com a cozinha do lugar pois, além de satisfeita, saí de lá com a sensação de ter descoberto um tesouro.



Salão aconchegante e sem afetações

A cozinha conta com os clássicos tradicionais da culinária francesa, como os escargots de Bourgogne, foie gras mi-cuit, soupe à l'oignon (como deve ser), Coq au vin e inúmeros crepes de sobremesa, mas também traz certa dose da cozinha mediterrânea, bem representada pelas boas opções de risotos e massas.

O melhor de tudo foi poder provar o menú de almoço, com opção de entrada, principal e sobremesa por inacreditáveis R$ 49,50! (ainda menos críveis diante de pratos com média de valores acima dos 50 reais). Apesar de poucas opções, não sentimos falta de nada além do que estava ali, cada um ficou feliz com o que viu: eu fui de salmão defumado com folhas verdes, risoto de camarões e suflê de menta e chocolate. O maridão ficou com o tomate caqui assado com mozzarella de búfala e pesto, filet em crosta com mandioquinha surpresa (!) e crepe de banana com amêndoas. Para harmonizar, meia-garrafa de sauvignon blanc para mim, uma boa companhia para os amigos do mar, e outra meia-garrafa de cabernet sauvignon para ele (apesar da completa carta de vinhos, pouquíssimas opções de meia-garrafa).

O serviço foi um tantinho blasé no início, porém logo se mostrou eficiente, cortês e discreto e assim se seguiu ao longo da nossa permanência. Não fizemos questão do couvert, mesmo porque imaginamos que os pratos não demorariam, já que éramos a única mesa ocupada naquele momento. De fato, logo vieram as entradas, tempo ideal para o meu vinho ficar no ponto. A apresentação era das mais belas e delicadas, com flores e desenhos, capricho total. O salmão estava ótimo, mas o frescor das folhas que o acompanhavam era notável, chegavam a estalar na boca, sem falar no levíssimo molho, algo como um crème fraîche. O tomate caqui assado era tenro e saboroso por conta do pesto, tudo muito equilibrado.

Tudo fresco

Tomate assado

Os pratos principais também chegaram arrasando na apresentação, as fotos falam por si. Meu risoto, além de lindo, estava delicioso, cremosíssimo e cheio de pedaços gordos de camarão, naquele ponto de cozimento que estoura na boca. Não teve uma garfada sequer que só tenha vindo arroz, tamanha a fartura de camarões. Perfeito! O filé do maridão era ultra macio, com crosta bem crocante e a tal surpresa de mandioquinha, um tipo de rôsti envolta na folha de couve (acho que era couve) era bem úmida e saborosa. Vontade de comer aplaudindo.

Camarão, camarão, camarão...

Filet com surpresa


As sobremesas eram interessantes, o meu suflê era, na verdade, um tipo de semifreddo de hortelã, leve e aerado, mas natural e sem aquele corante verde radioativo. Contraste ideal com a calda quente de chocolate. O crepe não poderia estar melhor, com massa finíssima e recheio farto.

Naturalmente gostoso

Crepe executado à perfeição

O menú de almoço varia semanalmente e, realmente, é um ótimo negócio em termos de custo-benefício. Não que o cardápio não seja interessante, mas o preço do menú é imbatível se considerarmos a qualidade dos pratos. Fiquei entusiasmada para conhecer mais da cozinha do Le Triskell, digna de suas estrelas do guia Quatro Rodas por três anos consecutivos (2009, 2010 e 2011). Vale cada quilômetro rodado até Indaiatuba, inclusive o pedágio exorbitante de 9 reais e poucos cobrado na ida E na volta!



Le Triskell Bistrô - Indaiatuba/SP
www.letriskell.com.br

domingo, 26 de junho de 2011

Olivetto? Não, obrigada...



Taí um post que vai gerar polêmica, mas tentemos não nos ater aos fatores irracionais e/ou emocionais que nos fazem gostar - ou não - deste ou daquele restaurante, mas sim nos concentrar em fatos que servem de base para a opinião aqui emitida.

Tive o cuidado de não falar sobre o Olivetto após a primeira experiência (que não foi das melhores), aguardando uma segunda visita, mesmo que não houvesse muito ânimo para isso. Na primeira vez que estive no restaurante - cujo relato completo não farei aqui - dois fatos em especial me desagradaram:

O primeiro deles ocorreu durante a espera pela mesa, quando o maitre nos ofereceu uma taça de espumante enquanto aguardávamos, sem mencionar o valor da mesma. Aceitamos e, para nossa surpresa, tratava-se de uma das mais caras opções de espumante da carta, cujo valor cobrado pela taça passava dos 20 reais. Se é para oferecer algo especial, deve-se ao menos mencionar que trata-se de algo especial, sugestionando que seu preço pode ser mais alto. Como a sugestão nos foi feita no bar, sem estarmos com a carta de vinhos em mãos, fiquei realmente incomodada por não ter tido a oportunidade de checar o quanto eu iria pagar pelo oferecimento (por um pouco a mais eu poderia ter escolhido um dos bons vinhos da carta nessa faixa de preço).

O segundo fato ocorreu quando constatei a pequena quantidade de comida no meu prato - um risoto - pedido como prato principal. Tratava-se de prato raso e o risoto não alcançava um dedo de altura no prato. Nem em restaurante francês vi uma porção tão pequena de comida sendo servida como prato principal (cujo valor ultrapassa os 30 reais). O Olivetto é um restaurante de cozinha italiana... não?

Depois de muito tempo - e de muito titubear - voltei ao Olivetto para tirar a prova, ou checar se não se tratava de um dia ruim. Quanto à carta de vinhos, não tenho nenhuma ressalva, pelo contrário, as opções são ótimas e há muitos vinhos com excelente relação custo x benefício. O serviço pode ser um pouco blasé no início, mas depois torna-se adequado.

Optamos pelo couvert completo, sem entradas. De principais, o maridão optou pelo Raviolloni de cordeiro com molho de funghi e eu, para fazer coro, fui de carré de cordeiro com legumes e risoto de shimeji. Quanto ao ponto do cordeiro, lógico que não posso pedir o mesmo ponto que peço para a carne de vaca, mas deixei claro que não gostaria que fosse bem-passado. Para acompanhar, um cabernet sauvignon chileno que não me lembro ao certo se era um Tabalí Reserva, mas lembro que estava ótimo.

No couvert o destaque é para o pão, fresquíssimo e muito bem feito. Manteiga aviação individual, um patê de qualquer coisa e legumes em palito completam o time. Bastava o pão e o vinho para nos entreter enquanto esperávamos pelos pratos.

Pão perfeito

Os pratos vieram sem muita demora, mas o quesito quantidade continuou a me incomodar. Que fique claro que não estou analisando com base no meu apetite descomunal, mas com base em um "padrão" que leva em consideração o tipo de cozinha e o preço dos pratos. Basta olhar a quantidade de risoto que acompanhava o cordeiro para entender que não se trata de implicância da minha parte. Quanto ao sabor (que deveria ser o mais importante), nunca havia experimentado um cordeiro com gosto (ou falta dele) e textura de filé mignon bem passado e sem sal. A carne estava dura e insossa, uma tristeza. Tive que fazer uma das coisas que mais detesto e que fiz pouquíssimas vezes na minha vida, devolver o prato. Situação das mais desagradáveis ter que explicar ao maitre - que teria que explicar à cozinha - o porquê do prato estar intragável. Como já havia experimentado o prato do maridão e estava muito bom, acabei pedindo o mesmo para não ter erro. Mas a esta altura o jantar já estava arruinado pra mim, além da espera enquanto assistia a refeição alheia e o mal-estar com a brigada.

Corretíssimo raviolloni, porém em pouca quantidade

O cordeiro da discórdia

Não sei o que acontece com certos restaurantes que são adorados por alguns e odiados por outros. No meu caso, não gosto do Olivetto pois tive más experiências por lá e não tenho a menor vontade ou intenção de insistir no erro. Não acredito que seja o caso de irregularidade, pois não foi só o fator "comida ruim" que me desagradou, mas outros quesitos que influenciam diretamente no julgamento de um restaurante. Estou certa de que muitos já tiveram boas experiências por lá, pelo menos é o que ouço por aí, mas não foi o meu caso e não posso fingir que minhas experiências não existiram. Na minha opinião, o Olivetto é mais olho.




www.olivettorestaurante.com.br

domingo, 12 de junho de 2011

Em Vinhedo, novidade com sabor de nostalgia: Bertazzoli Gourmet



Antes de falar sobre a nova casa do chef Rogério Bertazzoli em Vinhedo, é necessário contar um pouco do papel fundamental desta família na gastronomia do interior paulista.

Em 1982 nascia na cidade a Cantina Famiglia Bertazzoli, ou Cantina do Toninho, figura das mais queridas e responsável por grande parte do sucesso da casa junto ao público, que vinha de longe para almoços repletos de pratos tradicionais da cozinha italina, comandada pelas matriarcas da família. Com o passar dos anos - e de finais de semana de casa lotada e filas de espera - a cantina passou por uma transformação, não só de ambiente mas também de cardápio e de conceito. As heras que cobriam as paredes externas deram lugar a janelões e colunas, o pátio interno, antes gramado e que servia de área de espera foi anexado ao amplo e moderno salão, com belas mesas e cadeiras estofadas, bem diferente das cadeiras de palha que faziam par com as toalhas quadriculadas tão características de uma cantina. O que impulsionou a transformação foi a volta do caçula da família dos cursos de formação no exterior, dentre eles cozinha profissional, patisserie gourmet, cozinha avançada regional da Itália e cozinha da Toscana, todos na Cordon Bleu (inclusive na filial italiana "Scuola di Arte Culinaria"). A tradicional cantina passava a um outro patamar gastronômico, com a inclusão de novos e sofisticados pratos em seu cardápio.

Mais outros bons anos de sucesso e casa lotada se passaram - aos domingos a espera podia ser de horas - e seu público, extremamente fiel, criou ao longo do tempo uma relação de amizade com aquela família. Pratos marcaram a memória dos comensais que, assim como eu, frequentaram o restaurante durante anos a fio - comecei minha relação com aquele lugar quando ainda estava no carrinho de bebê! - mas um dia, sem muita explicação, a longa relação da família Bertazzoli e sua cozinha com o público chegou ao fim. O local foi vendido e, até aquele momento, não se falava em uma nova casa. Senti-me órfã, assim como muitos outros devem ter se sentido também. Isso foi há três anos...

Tão repentino quanto o fechamento do restaurante foi a forma como fiquei sabendo que os Bertazzoli estavam de volta. Como quem não quer nada, o Rogério abriu sua nova casa sem anúncio ou estardalhaço, esquema low profile mesmo: lugar pequeno e intimista, muito bem montado, trabalhando com menu degustação nos almoços de finais de semana e opções a la carte de terça a sexta. Da cozinha envidraçada é possível ver todo o trabalho do chef, que faz tudo do começo ao fim, com muito esmero na escolha dos ingredientes que compõem os pratos. Imagino que a sutileza na inauguração seja para evitar uma fila quilométrica, já que a capacidade da casa é bem pequena e a lista de amigos e potenciais clientes é vasta.

Capricho na decoração

Na nossa primeira visita tivemos o prazer de sermos recebidos pelo Toninho, como nos velhos tempos da cantina, já dando indícios do peso nostálgico que sentiríamos ali. Ficamos impressionados com o bom gosto na decoração, mérito da Camila, esposa do Rogério. O menu do dia era composto por antipasto de abobrinha acompanhado de pães fresquinhos (pudera, o chef também tem especialização em panificação), boa manteiga e azeite virgem, piazzete di ossobuco al brodo (uma massa como mini raviolis em caldo), polenta mole com brie e risotto di funghi nero, ravioli di mozzarela di bufala al sugo caponata (molho de tomates bem rústico com berinjela) e, por fim, costeletta di maiale con insalatine verde (costeletas de porco com salada de mini agrião). Bebidas e sobremesa são a parte, mas como a família integrou o bistrô à sua importadora de vinhos, ótimos rótulos estão à disposição por preços bem interessantes. Nosso garçom nos informou que o chef sugeria um Sangiovese da Da Vinci para harmonização, que foi uma ótima pedida a impressionantes 29 reais a garrfa.

A lousa na entrada informa os pratos do menu e o preço por pessoa


Variedade de rótulos a preços atraentes, a casa tem importadora própria.

O antipasto estava ótimo, assim como os pães. Logo veio o brodo, que caiu maravilhosamente bem com o friozinho que fazia naquele domingo. Massa al dente com recheio de personalidade e caldo levíssimo, coroado com um verdadeiro parmigiano reggiano ralado na hora. Na sequência, a polenta com o risoto, uma bela dupla que fez a gente raspar o prato. O brie derretido em cima da cremosíssima polenta e o risoto al dente, com um tom diferente devido ao funghi negro, super aromático.

Antepasto de abobrinha...

... seguido do ótimo brodo

"Comfort food" gourmet!

O tempo entre um prato e outro não era longo mas suficiente para degustar o vinho com a calma que os comensais gostam. Os raviolis logo vieram, bonitos, recheados e com um molho potente, levemente apimentado e com tomates curtidos. A mozzarela do recheio era muito fresca, fazendo o papel do elemento sutil. Desnecessário dizer que o ponto de cozimento da massa estava perfeito.

Molho de personalidade no ravioli

Para nós já seria o suficiente, estávamos agraciados, mas ainda havia o último prato e ele não desapontou, pelo contrário, fechou o menu com chave de ouro. As costelinhas tinham carne muito tenra, soltando do osso, mas com uma casquinha crocante por fora, salgada no ponto que eu gosto. O chef só cometeu um deslize, mandando justo o meu prato com menos quantidade! Não tive dúvida e mais olho que barriga que sou, pedi mais uma costelinha para ficar igual aos demais. Para minha sorte, o chef me deu mais uma de brinde e eu ainda fiz marra com o pessoal que tirou sarro do meu prato "menor".

As costelinhas com uma de "brinde"...

A opção de sobremesa que nos apeteceu foi a torta de cacau feita pela mãe do chef, de cor escura que atestava a boa procedênca do chocolate, com calda cremosa e não muito doce, do jeito que eu gosto. Não sobrou nem o morango da decoração pra contar a história...

Torta de cacau (quase esquecemos de tirar a foto antes da guerra das colheres)

O valor do menu por pessoa é de 78 reais, o que consideramos muito bem pago. Além da ótima comida, o ambiente é extremamente agradável e acolhedor, passaríamos a tarde toda ali, jogando conversa fora e tomando os bons vinhos da adega. Fiquei sabendo que eles também estão servindo café da manhã e chá da tarde, com croissants de própria autoria do chef, devem ser divinos, uma próxima visita já se faz necessária para conferir. O que posso dizer é que fiquei muito feliz em saber que Vinhedo conta com uma ótima opção, destino certo de ótimas experiências gastronômicas através das mãos deste talentoso chef.

Quem frequentou a antiga casa da família certamente irá se lembrar desta peça, que faz parte do acervo dos Bertazzoli desde sua imigração e, também, da minha infância durante os almoços de domingo, há mais de 20 anos atrás.

Bertazzoli Gourmet
Av dos Imigrantes,636, Vinhedo, SP
(19)3836-2202
www.bertazzoligourmet.blogspot.com

domingo, 22 de maio de 2011

Casa de Maria Bistrô Contemporâneo e Gallo Nero Bottiglieria - em comum, o chef André Bearzotti



O Mais Olho Que Barriga esteve recentemente em duas casas cujas cozinhas estão sob a batuta do mesmo chef, o André Bearzotti, chef proprietário da Casa de Maria Bistrô e chef executivo (e sócio) do bistrô da Cave Pavesi, o Gallo Nero. Para quem não sabe, a Cave Pavesi é a antiga Expand, cuja loja de vinhos se manteve praticamente a mesma, porém seu bistrô mudou de nome, de comando e de cardápio.

Não sei por que demoramos tanto para ouvir falar do Casa de Maria, charmoso bistrô localizado no distrito de Barão Geraldo, cujo chef é ex Olivetto, ex La Pasta Gialla, ex Cambuquira (além de passagens pelo Tostex de Trancoso e restaurantes da Inglaterra). Confesso que só fiquei sabendo sobre lugar ao ver seu nome na lista de participantes do SPRW (que acabamos não indo conferir durante o evento), mas fuçando um pouco na biografia do chef, logo minha memória gastronômica me lembrou que já conhecia seu trabalho de outras mesas.

Mas o fato de ter ido ao Casa de Maria e ao Gallo Nero em um curto intervalo de tempo - o que permitiu este post único sobre ambos - foi mera coincidência, pois só fiquei sabendo de que se tratava do mesmo chef quando nosso atendente no Gallo contou um pouco da história da transição da Expand para a Cave Pavesi.

Vamos por partes, começando pelo Casa de Maria: estivemos nesse simpático restaurante em um almoço de sexta-feira, o que nos permitiu conferir o cardápio executivo. Dentre as opções (poucas, mas interessantes), tanto eu quanto a Pati optamos pela truta ao molho thai, com arroz de legumes a julienne. Para acompanhar, Stella Artois para refrescar o calor que fazia naquele dia.

A agradabilíssima área externa

Uma saladinha simples serve de entrada para os pratos do executivo, mas os ingredientes super frescos não desapontaram, acompanhados de croutons e redução de balsâmico.

Capricho

A truta veio em bela apresentação e quantidade satisfatória. O arroz tinha legumes cortados com perfeição (julienne é um corte cujo tamanho de 6cm de comprimento por 2mm de lado nem sempre é respeitado) e os grãos tinham ponto perfeito de cozimento. O molho thai era a estrela do prato, gostamos tanto que pedimos uma quantidade à parte, o que nos foi prontamente providenciado. Para o meu gosto, a truta poderia estar um pouquinho menos grelhada, mas nem de longe estava ressecada, é apenas uma questão de gosto pessoal mesmo.

Delícia de molho

A média de valores dos pratos no executivo é de 30 reais. Os preços do menú a la carte são um pouco mais salgados, média de 50 reais por prato (podendo variar de acordo com os ingredientes, obviamente). Gostamos do que vimos e comemos. Definitivamente, um nova visita será bem vinda para podermos explorar um pouco mais do cardápio do chef, bastante contemporâneo e com alguma influência asiática, o que desperta bastante meu interesse.



Casa de Maria Bistrô Contemporâneo
Rua Maria Nassif Mokarzel, 237 (esquina com Av. Dr. Romeu Tórtima - Av. 1)
Barão Geraldo
(19) 3365-2530

Já no caso do Gallo Nero, percebi que ultimamente alguns acessos ao blog referiam-se à busca pelo Bistrô Expand (sobre o qual falamos aqui), com questionamentos sobre o lugar ter fechado. Fui fuçar em fontes e nenhuma informação me pareceu mais confiável do que a tal Cave Pavesi, loja especializada em vinhos, ter o mesmo endereço da Expand. Mas só fui entender a história já no local, assuntando com o nosso garçom, que nos explicou que o dono encerrara as operações com a importadora Expand, por isso a necessidade de mudar o nome da loja. Com a mudança, novos ares também para o bistrô, não só na decoração mas também com novo chef e consequente novo cardápio.



Chegamos cedo, quando só havia uma única mesa ocupada, mas logo fomos informados de que a maioria dos lugares estaria reservada. Com um salão pequeno, não demorou muito para que todas as mesas fossem ocupadas (devem haver umas 10, 14 mesas, lugar para 40 pessoas). O mais legal é que agora, além da tradicional carta de vinhos, o maitre também te entrega um I-pad com todos os vinhos da loja (mais de mil rótulos), além de aplicativos para "brincar" com o assunto - um verdadeiro passatempo!

Gadget pra entreter por mais de hora...

Dos pratos do menú, poucas mas boas opções de carnes, peixes e risotos. As bruschettas fazem a alegria das entradas, em opções criativas. Nos principais, me chamou a atenção o filé mignon com ragu de cogumelos e spaghetti trufado. O maridão, na falta de cordeiro, escolheu o cabrito, acompanhado de batatas e brócolis. Para acompanhar o jantar carnívoro, a escolha foi um cabernet sauvignon Concha y Toro reserva 2007, porém rolou o irritante "tem mas acabou" e acabamos ficando com o californiano Robert Mondavi Private Selection 2007, da mesma uva - um bom negócio, por 89 reais a garrafa.

Vinho honesto

Na hora de pedir meu prato, fui tão enfática com relação ao ponto da carne que o maridão achou que fui um tanto quanto agressiva. Na verdade, por um prato de mais de 80 reais, não iria tolerar que o ponto viesse errado e simplesmente disse que, se viesse errado, eu pediria para trocar. Verdade seja dita, fui bastante específica e pedi para que o garçom repassasse meu pedido para a cozinha, pois o chef (ou sous chef, que depois vim a saber que era o responsável pela cozinha naquela noite) certamente saberia o que significa "bleu". Mas de nada adiantou minha ênfase, pois quando o prato chegou (belíssimo, diga-se de passagem), logo vi que o ponto estava errado, só de espetar o garfo. Fiz questão de cortar em três partes, para me certificar de que toda a peça estava mais passada do que deveria, e registrei em fotos para que não me chamem de "crica".

Vamos fazer um adendo nesta altura do post e inserir aqui, para evitar polêmicas, a convenção gastronômica para pontos de carnes vermelhas:

- Bem mal ou bleu: cocção muito rápida, consistência branda ao mastigar, cor vermelha no interior (temperatura de 55 graus no interior da peça)

- Malpassado ou Saignant: cocção rápida, crosta externa, consistência ligeiramente firme, cor vermelha rosado no interior (temperatura de 63 graus no interior da peça)

- No ponto ou Au Point: cocção lenta, casca resistente, consistência interna branda, cor rosa no interior, com algumas gotas de sangue na superfície (temperatura de 71 graus no interior da peça)

- Bem passado ou Bien Cuit: cocção muito lenta, consistência firme, cor cinzenta no interior (temperatura de 77 a 82 graus no interior) - (nota da autora: o "horror" completo para uma carne)

Agora, com base nas informações acima, notem a diferença:

O primeiro filé...

... e o segundo, no ponto perfeito!

Não preciso nem dizer que fui prontamente atendida em meu pedido de troca, mas não deixa de ser uma situação desagradável, principalmente porque o prato do maridão estava divino e ele não iria me esperar para comer, deixando tudo esfriar. Dei algumas garfadas no cabrito e a textura era maravilhosa, se desfazia na boca, além do molho super saboroso. Um belo prato a um ótimo custo x benefício (65 reais por uma bela porção ao melhor estilo Conan).

Cabrito a la Conan!

Meu novo prato não tardou a chegar, acompanhado de um pedido de desculpas por parte da cozinha. Estavam desculpados, pois o ponto viera perfeito desta vez, o prato estava saborosíssimo, spaghetti bem al dente com lascas de trufas negras, tudo muito harmonioso. Gostei bastante, principalmente da quantidade, o filé devia ter algo em torno de 300g, 400g.



Vinho bom, comida boa, mal havia espaço para a sobremesa, mas fiquei curiosa para experimentar a versão italiana do nosso folclórico arroz doce, o riso dolce - feito como um risoto mesmo, com direito a arroz arbóreo e ponto de cozimento cremoso devido ao amido (18 reais). A baunilha saborizava o prato, cujos grãos firmes e durinhos contrastavam com a consitência cremosa do conjunto, além da brincadeira de quente e frio devido ao sorvete de chocolate que coroava o prato. Porção gigante, pode e deve ser dividida.

Para quem gosta de risoto, vale experimentar a versão doce

O salão, por ser pequeno, pode ficar bastante barulhento quando lotado, mas não atrapalhou em nada. Quase tivemos uma congestão quando vimos adentrar o recinto o mesmo mala do Cayena (aquele que gritava para todo mundo ouvir o quanto ele tinha de dinheiro), mas nossa sorte foi que ele se sentou relativamente longe da gente e já estávamos de saída. Mais uma sessão de falta de noção e vergonha alheia seria insuportável!

Gostamos bastante do ambiente, da carta de vinhos (óbvio!) e do menú, bem executado pela equipe do chef André. O preço pode ser considerado caro se você não aprecia a vasta oferta de bons vinhos ou se está mais interessado em comer algo leve e descompromissado. O negócio aqui é boa comida para acompanhar bons vinhos, se é o que você procura, não tem erro.

Vale mencionar que este post é especial, pois estamos comemorando a marca de 10.500 acessos ao blog! Que venham mais marcas significativas, para que a gente comemore em forma de ótimas experiências gastronômicas!

Gallo Nero Bottiglieria
(Cave Pavesi)
Rua Maria Monteiro, 59 - Cambuí
(19) 3252-8893 (Recomenda-se reservar)

domingo, 8 de maio de 2011

Enfim, o Mais Olho se rende ao Chef Theo

Tá bom, sei que sou teimosa e quando implico com uma coisa, posso demorar muito para me convencer do contrário. Não sei se já havia externado aqui no blog meus sentimentos com relação ao restaurante do badalado chef Theo Medeiros, mas minha cisma com o fato deles não aceitaram cartão de crédito me afastou durante um bom tempo da inevitável visita. É óbvio que o restaurante de um dos mais renomados chefs da região não poderia ficar de fora deste blog, cujo foco é justamente Campinas e adjacências, por isso eu dou aqui a mão à palmatória e assumo a culpa pela demora em fazer esta resenha.

Finalmente, baixei a guarda e decidi que era a hora de ir lá conhecer a casa e revisitar o trabalho do chef (que eu não provava desde a época do restaurante de Barão Geraldo e, mais longe ainda, do finado Espiegle). Era um sábado à noite e rumamos para o Cambuí, porém não sem antes garantir nossas reservas (eles escolhem o horário e só garantem a reserva até às 20:15h). A parte externa nos pareceu a melhor opção, ainda mais com mesinhas sob as árvores e iluminadas por velas, um clima super parisiense. A decoração é casual, sem nenhuma afetação, o que logo de cara me cativou.

Clima parisiense em pleno Cambuí

No cardápio, opções que mostram claramente a formação francesa clássica do chef, porém com toques de inventividade e ingredientes regionais. Nas entradas, nossas escolhas foram as vieiras gratinadas (imagina que eu não pediria vieiras) e a mini caçarola de camarões e cogumelos.

A carta de vinhos não é das mais extensas, mas tem várias boas opções de diversos países e das mais variadas uvas e preços, bem completa. Como escolhemos carnes para o prato principal (ainda chego lá), pedimos vinho branco em taça para acompanhar nossas levíssimas entradas e um tinto para os principais (o ótimo Tabalí Reserva, aquele mesmo Cabernet Sauvignon que tomamos no Conte), cujas escolhas foram o filet mignon recheado com brie para mim e a paleta de cordeiro com molho de hortelã para o maridão.

Para petiscar, somente os levíssimos grissini (com massa folhada), porém não há cobrança de couvert. As entradas vieram logo: as vieiras, nadando em manteiga de ervas, gorduchas e apetitosas, não me desapontaram. Estavam deliciosas, muito macias (no ponto perfeito de cozimento) e temperadas na medida. A mini caçarola também estava gostosíssima, com camarões carnudos que estouravam na boca, imersos em um molho leve, porém saboroso, de tomate com creme de leite fresco e trigo, além dos cogumelos frescos.

Grissini para petiscar

Lindas e gostosas!

Ótima pedida para entrada

Aos poucos a casa foi enchendo, na maioria casais de todas as idades e pequenos grupos de amigos, lotando as mesas tanto da área externa quanto interna. Mesmo com a proximidade das mesas, não sentimos que nossa conversa era ouvida e nem tivemos que participar do papo dos outros. Mudamos para o vinho tinto para esperar pelos pratos principais, que também não demoraram para chegar. Meu filé tinha um visual belíssimo e logo já pude perceber que o ponto viera exatamente como o pedido, bem mal passado. O cordeiro do maridão também encheu os olhos, um belo pedaço de paleta acompanhado de fettuccine persillee.

Meu filé era daqueles que se podem cortar com as costas da faca, ultra macio. O abundante queijo brie escorria pelos lados, misturando-se ao ótimo risoto de castanhas e frutas secas, cremoso e no ponto. O cordeiro do maridão estava ótimo, quase não sobrou uma garfada para eu experimentar. Carne muito tenra e macia, par perfeito com o molho de hortelã e o fettuccine al dente. Tudo irretocável.

Filé

Paleta

Nas sobremesas, muitas opções interessantes, porém quis experimentar o clássico creme brûllé na versão do chef, com chocolate branco e manga flambada. Grata surpresa, creme leve e não muito doce (fiquei com receio por ser chocolate branco), com lâminas de manga flambadas e tostadinhas de leve pelo maçarico, delícia.

Creme brûllée alternativo

No final das contas, além da ótima experiência gastronômica, o restaurante do chef Theo ainda tem a vantagem de não ter preços salgados, nem nos pratos nem na carta de vinhos. Excelente relação custo x benefício, uma vez que a cozinha não desaponta. Não é à toa que o chef tem seu trabalho consagrado e reconhecido.

Theo Medeiros (www.cheftheo.com.br)
Rua Sampaio Ferraz, 175
Bairro Cambuí
fone: 3255-4333