segunda-feira, 28 de março de 2011

O début de Campinas na SPRW



Finalmente alguém teve a brilhante idéia de estender o já bem sucedido evento de gastronomia de São Paulo, o São Paulo Restaurant Week, para outras - e expressivas - cidades do estado. Além de Campinas, participam desta edição cidades como Santos, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São Sebastião, Embu, Barueri, Cotia, Guarujá e cidades do ABC paulista. O evento Restaurant Week em si, nascido em Nova Iorque há quase vinte anos, ganhou sua versão nacional em 2007 na capital paulista, causando furor entre o público que, por uma fração do preço normal, teria a oportunidade de frequentar as melhores mesas da cidade.

Em Campinas, participam do evento em 2011 alguns restaurantes já velhos conhecidos do público e também outros mais recentes, que ainda buscam conquistar o paladar da clientela local e vêem no evento uma ótima oportunidade para mostrar seu trabalho, tendo em vista o excelente preço do menu composto por entrada, prato principal e sobremesa - R$ 29,90 no almoço e R$ 39,90 no jantar (bebidas e serviço não estão incluídos).

Como minha intenção é sempre incluir novidades no blog, procurei por lugares participantes que ainda não foram visitados pelo M.O.Q.B., mas que estavam na minha listinha de próximas visitas. Reservas feitas, o primeiro a ser visitado foi o Conte Italian Steakhouse, cujo menu para o evento me pareceu bem interessante: nas opções de entrada, ceviche al mare ou torre de carpaccio; nos principais, filetto em fondue de queijo e frigideira de cogumelos, lombo de cordeiro com coulis de frutas vermelhas e couscous marroquino ou chorizo em leito de bordelaise com farofa crocante. Para as sobremesas, tortinha de maçã com sorvete de creme, marquise de chocolate com anglaise de laranja ou cassata de frutas secas.

Na chegada, o banner anunciando o serviço de manobrista gratuito já me conquistou, ainda mais em se tratando de um restaurante na rua Sampainho, um verdadeiro inferno às quintas, sextas e sábados. O local ainda estava vazio e a hostess prontamente nos recebeu e verificou nossa reserva, indicando a mesa.

O maitre logo no explicou o menú, que estava impresso e colocado em todas as mesas, o que me fez questioná-lo se o restaurante teria dedicado 100% de sua capacidade para o evento, o que ele confirmou. Achei muito legal ver que o lugar apostou alto no evento e respeitou o consequente aumento de demanda sem prejuízo dos clientes, coisa que não se vê nos participantes da capital, que reservam apenas um percentual de sua capacidade para as reservas relativas ao evento e ainda corre-se o risco de sofrer uma certa discriminação por parte do serviço.

Escolhidas as opções, o maitre (que também faz as vezes de sommelier da casa) nos deus algumas sugestões de vinhos, mas acabamos decidindo no faro. Como optei pelo ceviche de entrada, quis uma garrafa de 187ml de sauvignon blanc antes de partir para o tinto, no caso o chileno Tabalí Reserva Merlot (excelente vinho, diga-se de passagem). Para aqueles que sentem falta de ler mais sobre os vinhos neste blog, sugiro uma visita ao vivendovinhos.blogspot.com - cujo autor é da região e manja bastante do assunto, infinitamente mais que eu!

Branco para começar, tinto para continuar...

Nossas entradas chegaram, ceviche para mim e carpaccio para o maridão. A apresentação era belíssima, o que pode ser constatado pelas fotos. No caso do ceviche, senti falta de algo contrastante, seja no sabor ou na textura, mas tudo me pareceu muito "flat", talvez algo monótono, sem surpresas no paladar, apenas a acidez do limão com a textura dos frutos do mar. Já o carpaccio tinha algo de interessante, principalmente pelo crisp de parmesão e lascas de amêndoas.

Talvez uma pimentinha tornaria o ceviche mais interessante...

A torre

Das opções do menu, senti falta de um peixinho nos principais, mas como trata-se de uma steakhouse, imagino que o forte está mesmo nas carnes. Escolhi o filé com fondue de queijo e frigideira de cogumelos, enquanto o maridão foi de chorizo com bordelaise e farofa crocante. Tivemos uma certa dificuldade em esclarecer o ponto que queríamos, pois para o garçom "mal passado" era o mesmo que "ao ponto para mal". Expliquei que havia uma grande diferença, se não para ele, pelo menos para a cozinha, por isso fiz questão de deixar claro que queríamos mal passado mesmo! Os pratos vieram sem demora e também com bela apresentação, mas o ponto não estava exatamente mal passado, como eu já esperava. Não acho que o prato foi prejudicado por isso, mesmo porque estava tudo excelente, realmente muito gostoso. Meus filés eram ultra macios, o queijo fundido era de ótima qualidade, super cremoso e aveludado, os cogumelos estavam presentes em boa quantidade e havia ainda um tipo de onion rings bem fininha e apimentada, que conferia ao prato um importante contraste de texturas e sabores. Comi com tanta vontate e em prazerosas garfadas, que não deixei uma migalha sequer no prato.

Excelente filé!

O chorizo, um bifão bem alto e muito macio, veio suculento e quase tão mal passado quanto o desejado. A farofinha crocante roubou a cena, um pecado de gostosa, principalmente devido aos pedaços de linguicinha defumada. O molho bordelaise estava bem reduzido e caramelado como deve ser.

Aí está a farofinha matadora...

Refastelados com o banquete, regado a muito vinho, até havíamos nos esquecido da sobremesa. Tortinha de maçã para ele, marquise de chocolate para mim, que também vieram em boa quantidade e bela apresentação. A marquise de chocolate, uma espécie de creme denso e firme, vinha sobre o anglaise de laranja, um tipo de creme à base de ovos, com raspas de laranja. Como a marquise já era muito cremosa, talvez fosse interessante adicionar algum elemento crocante, tipo um crumble ou farofinha. Mas o sabor estava bem gostoso, inclusive a combinação com o cítrico da laranja. A tortinha não poderia dar errado, tortinha quente de maçã com sorvete de baunilha é infalível.

Marquise de chocolate com anglaise de laranja

Dupla infalível: tortinha + sorvete

O melhor desse jantar foi o preço. Não fosse pelos vinhos, não pagaríamos mais que 100 reais, um excelente custo x benefício pelo que nos foi oferecido. Além disso, fiquei muito curiosa para experimentar o que mais o Conte tem a oferecer, já que o cardápio habitual da casa tem várias opções interessantes e eles já provaram que merecem o crédito para uma nova (e breve) visita.



Conte Italian Steakhouse
www.conterestaurante.com.br

terça-feira, 15 de março de 2011

Um post para carnívoros- além de um pequeno desabafo



Ultimamente venho sido acometida por uma falta de inspiração que me obriga a me distanciar um pouco do blog... lógico que alguém que se propõe e escrever um blog, cuja atualização frequente é essencial para manter o interesse dos leitores, deve estar preparado para postar um conteúdo de qualidade mesmo quando não bate aquela inspiração louca. Acho que tenho me preocupado mais com a qualidade literária do que escrevo do que com o conteúdo em si, por isso peço desculpas pela ausência de novos posts. Este pequeno desabafo talvez me ajude a reencontrar aquele equilíbrio que, há algum tempo, costumava dar certa leveza à tarefa de fazer um blog bacana e de acordo com as premissas que eu mesma estipulei.

Bom, vamos ao cenário deste post: uma chuvosa noite de segunda-feira de carnaval, um desejo teimoso de tomar um vinho honesto, de preferência acompanhado de uma boa comida. Algumas de nossas opções, como o Chef Theo, por exemplo, não estavam funcionando (tive a brilhante idéia de telefonar antes, para não ficar rodando a esmo enquanto a fome aumentava) e não nos sobrou muita coisa dentro do "escopo" que havíamos estabelecido. Quase rumamos para Holambra, com o intuito de, finalmente, conhecer um lugar que venho namorando há tempos, o Warong, mas a chuvinha teve uma forte influência na preguiça para pegar a estrada. Foi aí que falei para o maridão, não sem uma certa ironia: "quer saber de uma coisa? Vamos lá no Red Angus comer a melhor carne do mundo!" e foi assim que decidimos nosso destino.

Antes de mais nada, vamos esclarecer esse lance de "melhor carne do mundo", título que o Red Angus clama para si por conta dos cortes provenintes da raça homônima, cuja "marmorização" das carnes confere alta maciez. Até onde meu singelo conhecimento me permite saber, o status de melhor carne do mundo pertence a uma raça de gado japonesa, chamada Wagyu, cujo local de origem é Kobe, daí o nome "Bife de Kobe" ter se tornado referência para a carne deste gado nipônico. Reza a lenda que o Wagyu é um animal com gordura inigualável, cuja dieta se baseia em cerveja e grãos e ainda tem direito a massagens regulares (!), que amaciam sua carne devido ao relaxamento proporcionado ao boi. A raça tem maior predisposição genética à produção de gordura intramuscular do que qualquer gado ocidental, ou seja, sua carne seria superior à do Red Angus.

Quanto ao ambiente da churrascaria Red Angus - me parece que eles ainda estão em dúvida entre o título de churrascaria ou restaurante - o DVD do grupo Roupa Nova em um volume acima do considerado normal para o famoso "som ambiente" atestava que o local trata-se mesmo de uma churrascaria, no melhor estilo "churrascolândia", porém sem o espeto corrido... o serviço me pareceu estar em clima de folia, já que era meio de carnaval e os garçons estavam pra lá de risonhos, trocando piadinhas entre si e não ligando muito para o tempo que a gente se debatia na tentativa de chamar algum deles.

O cardápio não é aquele basicão, dividido entre carnes, aves, peixes e massas, mas sim algo que grita "se você é vegetariano, fuja!" - as seções dividem-se em Red Angus, aves, caprinos, suínos, frutos do mar, risotos, saladas (muitos carpaccios) e entradas... cortes especiais com preços equivalentes à tal fama do boi: um tal de "pirulito", que nada mais é que o Côte du Boeuf (ou ainda, em inglês, Prime Rib) pode custar o equivalente a uma refeição completa e não rende duas porções (nem se seu apetite for a metade do meu, não tente dividir as porções aqui). O legal é que as carnes são feitas na grelha em churrasqueira de carvão, o que confere um sabor rústico e levemente defumado. Destaque também para o famoso King Crab, o gigante do Alasca que ganhou status de estrela no restaurante e custa algo em torno de R$ 90,00 (para duas pessoas - em termos).

Quando pedimos a carta de vinhos, o garçom nos convidou para ir pessoalmente à adega, o que o maridão fez prontamente. Segundo ele, uma boa adega, com diversidade de rótulos e de preços também. A climatização também se mostrou satisfatória, o vinho estava numa temperatura ótima quando foi servido. Fomos de Cabernet Sauvignon -o chileno TerraNoble (2008), que saiu por 50 e poucos a garrafa.

Gostamos tanto do vinho que não sobrou uma só gota na garrafa...

Das entradas, me interessei por um carpaccio defumado de Red Angus (claro) mas aí rolou o irrtante "tem mas acabou" e acabei pedindo uma porção de bolinhos de picanha, já sem nenhuma expectativa e com muita fome. De principal, optei pelo Ossobuco (Red Angus também) com risoto de alho poró - decisão esta tomada mais pelo aparente alto custo x benefício do que por pretensões gastronômicas - enquanto o maridão foi de costelas suínas ao barbecue.

E não é que o tal boleto de picanha surpreendeu? Super sequinhos e crocantes por fora, os bolinhos eram quase cremosos por dentro, certamente devido à mistura da carne com algum elemento que dava uma bela liga, talvez pão, como na boa e velha receita de almôndegas... apesar de não terem sido servidos com pimenta (uma heresia!), ficaram divinos com um tabasco verde que tivemos que solicitar ao garçom.

Delícia os bolinhos de picanha (desconto para a "cama de alface" da decoração, desnecessária)

Os pratos vieram até que com rapidez, mas pode ser que minha noção de tempo estivesse deturpada por conta do vinho que descia redondo. Fartura foi o que se viu - muita carne mesmo - tanto no caso do ossobuco quanto no caso da costela. Acabei me entretendo tanto com o meu prato que nem tinha percebido que as costelas do maridão não tinham o molho barbecue. Foi mais ou menos na décima quinta garfada que ele desconfiou "acho que veio tão pouco molho que nem tô sentindo"... olhei para o prato dele (pela primeira vez) e atestei que, certamente, o molho estava faltando. Para chamar o garçom, uns 5 minutos, para ele trazer o molho à parte, talvez uns 10... primeiro eles tentaram descobrir que havia errado, se era o churrasqueiro ou o cozinheiro, depois eles resolveram pedir o molho à cozinha, que demorou para mandar. Desnecessário dizer que, se fosse comigo, já teria me irritado profundamente com a demora. Sorte que o maridão é sossegado e não tão faminto quanto esta que vos escreve...

Quanto aos pratos, meu ossobuco estava muito bom, a carne era super macia, daquelas que a gente corta fácil com as costas da faca. Lógico que, em termos de textura, havia aquela sensação de pequenos fiapos ao mastigar, típico das carnes de panela, caso do ossobuco. O tempero harmonizava bem com o prato, o risoto estava cremoso mas com grãos al dente e o tutano - minha parte preferida - veio farto dentro do osso, gelatinoso e saboroso, para minha total alegria.

Belo tutano!

As costelinhas eram carnudas e não estavam esturricadas, mesmo tendo sido assadas na churrasqueira. Uma pilha delas se amontoavam no prato, brigando por espaço com as batatas rosti. Lógico que sobrou pra mim a função de "gaivota" da mesa, não deixando que nada fosse para o lixo (uma questão de princípios).

Apesar da falta do molho barbecue, as costelas vieram bonitas e em boa quantidade

A esta altura, já nem ligava mais para o DVD do Roupa Nova ou para
o altíssimo ruído das cadeiras a cada vez que alguém se levantava - sério, o pessoal poderia providenciar aqueles discos de feltro pra amenizar o barulho chato - ou ainda para as adoráveis crianças correndo entre as mesas. Meu estômago estava tão agradecido pela bela refeição que isso tudo já não me importava. Mas pode ser que tais fatores incomodem aqueles que buscam um ambiente mais agradável para um jantar a dois, ou um serviço mais atencioso, esperto e discreto.

A conta também não foi das mais altas, mas passou longe de uma pechincha. Os pratos custam em média 40-50 reais, mas há opções mais caras, principalmente os cortes especiais de Red Angus ou o King Crab. Vinhos a partir de 50 reais (acho que não havia nenhuma opção plausível por menos que isso). Talvez o almoço executivo seja bem mais negócio para os que curtem uma boa carne, mas não estão dispostos a enfrentar a violência gastronômica de um espeto corrido.

Red Angus Churrascaria e Restaurante
www.restauranteredangus.com.br

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dica Mais Barriga por Menos: Verger



A dica Mais Barriga por Menos dessa vez fica por conta do Verger, um simpático restaurante de Barão Geraldo, cuja proposta de almoço é bem interessante em termos de custo x benefício: o menú consiste em três ou quatro opções de carnes, frango, peixe ou massas, cujos valores não ultrapassam os R$ 21,50. Incluído no preço do prato, uma das três opções de salada, como carpaccio, salada verde ou caesar.
Dentre as opções, destaque para a carne-seca desfiada com quibebe de abóbora e purê de feijão, o filé de truta ao molho de maracujá e o spaguetti de frutos do mar por inimagináveis R$ 19,70.

Na frente do restaurante, uma agradável varanda também abriga algumas mesas e é uma boa pedida para esses dias quentes, uma vez que as árvores da rua fazem uma boa sombra no local. Os salões são arejados e bem iluminados com luz natural.

A sombra natural faz da varanda o melhor ambiente do restaurante


Enquanto esperávamos nossas bebidas, acabou a luz no restaurante e quase tivemos que desistir dos nossos sucos, mas por sorte em poucos minutos tudo voltou ao normal e o incidente não chegou a atrapalhar o ritmo da cozinha.

Tanto eu quanto a Pati escolhemos peixe para a refeição, sendo o meu um badejo "suíço", com molho de queijos gratinado ao forno, e o da Pati uma pescada ao molho de maracujá (eles estavam sem truta e sugeriram outro peixe para substituir). As duas optaram pelo carpaccio de entrada, que veio logo que acabamos de brincar com o simples, porém fresco pão francês do couvert (cujo valor não é cobrado à parte).

O carpaccio vem em porção modesta, acompanhado de saladinha, mas em se tratando de uma saladinha cujo valor já está inserido no preço-pechincha do prato, está valendo.



Os pratos vieram sem demora, com o mesmo acompanhamento em ambos (que é o mesmo de praticamente todos os outros): batatas ao vapor, cenouras e arroz branco. O badejo suíço estava saborosíssimo, com molho encorpado e com gosto de queijo, ao invés de um molho branco qualquer com gosto de maizena. O peixe estava fresquinho, a única ressalva é que poderia ter vindo um pouquinho maior, ou um outro filezinho para completar uma porção mais generosa.

O meu badejo suíço...

O peixe da Pati também estava saboroso e com boa textura, aparentando frescor. O molho de maracujá era equilibrado na acidez e conferia ótimo sabor ao prato. A quantidade, porém, também poderia ser mais caprichada.

... e a pescada da Pati, que deveria ser truta.

A sobremesa não está incluída no valor do prato e as opções se limitam a sorvete e fruta, por isso fomos direto ao café, um espresso honestíssimo.

Não conheço o Verger no jantar, mas já ouvi dizer que é uma boa opção na cidade universitária, com pratos típicos da cozinha francesa, além de boas opções de carnes como cordeiro e ossobuco. Os preços também são diferentes à noite, variando entre 30 e 60 reais o prato.

Comida bem feita, com ingredientes de qualidade e preço razoável fazem do Verger uma boa opção de almoço, além de uma esperta dica Mais Barriga por Menos.

Verger Restaurante
Av. Romeu Tórtima, 226 - Barão Geraldo
fone: 3289-0367

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

No aniversário do Mais Olho que Barriga, um presente direto da capital: Maní



Para comemorar o aniversário do Mais Olho Que Barriga, pensei em um presente à altura do meu apreço pelo blog e não poderia ter feito melhor escolha para o post de hoje: o Maní, em São Paulo.

É fato: o Maní é um dos melhores restaurantes do país. A cozinha é comandada pelo casal de chefs Helena Rizzo e Daniel Redondo, cuja inspiração e criatividade se refletem nos inusitados pratos com marcante influência da cozinha tecnoemocional - leia-se espumas, gelatinas, esferas disso e daquilo e por aí vai. Ingredientes regionais e orgânicos são transformados com técnicas ultra-modernas até se tornarem quase que irreconhecíveis, como pó de anchova, espuma de pupunha, esferas de feijoada... num primeiro momento, isso pode soar assustador, como se a cozinha tivesse se tornado um laboratório dominado por cientistas malucos, mas o que se vê no Maní não é nada menos que extraordinário e delicioso. Aliás, os chefs receberam elogios do próprio mestre responsável pela popularização da cozinha tecnoemocional e dono de uma dos melhores restaurantes do mundo, o espanhol Ferran Adrià, que esteve no Maní e aprovou o que viu (e comeu).

Agora talvez vocês consigam imaginar o nível das minhas expectativas, o que gerou um misto de ansiedade e euforia quando surgiu a oportunidade de conhecer o Maní, no último final de semana. Já não era possível fazer reservas, mas algo me dizia que até a espera sentada num banquinho de madeira em frente ao restaurante valeria à pena. Após conseguir nossa mesa, mamãe e eu começamos uma discussão que já é um hábito entre nós: pedir ou não o menu degustação - sendo que os pratos não estão listados no cardápio, ela tem restrições alimentares e os restaurantes exigem que todos da mesa façam a mesma escolha pelo menu. Lógico que para mim o ideal seria provar o máximo de pratos que eu pudesse, principalmente na condição de menú surpresa, onde o que conta é a inspiração do chef. O atendente nos confirmou o que já sabíamos, que somente poderíamos pedir o menú degustação se ambas topassem, mas mesmo assim se dispôs a consultar a chef se poderia abrir uma exceção. Qual não foi minha surpresa quando a própria Helena veio à nossa mesa e, com sua doçura e simplicidade, me disse que faria o menú só pra mim. Quase chorei de emoção, não só pela oportunidade de provar de tudo um pouco, mas também porque sou fã declarada da chef e me senti imensamente prestigiada pela presença dela na minha mesa.



A esta altura o jantar já havia se tornado especial, agora era uma questão de provar e aprovar aqueles pratos sobre os quais eu já havia lido uma centena de vezes e ficava imaginando quais seriam suas reais texturas e sabores.

O couvert já dava uma prévia do potencial daquela cozinha: um polvilho gigante, em formato de pastel, pirulitos de parmesão, bolinhas de queijo de cabra, coalhada seca e uma manteiga de excelente qualidade, ultra cremosa, com flor de sal. Diversão garantida durante a espera pelos pratos.

O polvilho gigante disputa a supremacia do couvert com o pirulito de parmesão

O menu degustação era composto por onze - onze! - pratos, sendo cinco entradas, quatro principais e duas sobremesas. Mesmo com a leveza dos pratos e suas pequenas quantidades, eu quase não dei conta do recado! Infelizmente, algumas das minhas fotos ficaram muito escuras, por isso recomendo, além do site do restaurante, outros dois blogs que fizeram ótimas fotos durante sua passagem pelo Maní: www.quebichomemordeu.wordpress.com e www.destemperados.blogspot.com

Para abrir o paladar, o bombom de foie gras com goiabada, envolto por capa de vinho do porto - a textura do foie era como uma mousse e a capa de vinho do porto estourou numa única mordida, revelando um sabor especialíssimo, mas que durou pouco... eu poderia comer uns vinte desse sem enjoar...

"Garçom, uma porção desse aqui, por favor"

Em seguida, um mil folhas de beterraba, com anchovas em pó e sorbet de beterraba. Lâminas de beterraba intercaladas com um creme muito leve contrastavam com o intenso pó de anchova, enquato o sorbet fazia o papel de "ponto fora da reta", gelado e naturalmente adocicado pela beterraba. Loucura...

A cada prato, uma minuciosa explicação de nosso eficiente atendente. A salada Waldorf, em versão totalmente desconstruída, era um mix de mini agrião com sorbet de aipo, gelatina de maçã, emulsão de gorgonzola e nozes caramelizadas. Impressionante como uma garfada com tudo junto faz com que o prato se torne algo familiar de novo.

Tem uma foto linda da salada Waldorf no site do Maní, essa aqui tá triste, eu sei...

Para o meu deleite, uma das entradas foi o tartar de vieiras com leite de amendoim aerado e caramelo de cardamomo - quem é leitor desse blog já sabe que sou fissurada em vieiras - e a versão hi-tech não decepcionou! Fresquíssimo, com um toque de pimenta tabasco, criando uma sensação de frio e quente na boca.

Um dos meus favoritos da noite

Enquanto eu me divertia com o menú degustação, minha mãe optou por duas entradas e um prato principal, sendo uma das entradas o hit "Ovo Perfecto", que é um ovo cozido durante duas horas e meia a 63 graus, o que faz com que sua gema fique com textura gelatinosa, acompanhado de espuma de pupunha. Eu sempre fui louca para provar o tal ovo e quando ele veio para minha mãe, quase não deixei ela comer. Como o meu menú era surpresa, não tinha como saber se ele viria para mim também, então tratei de garantir experimentando o dela. Mas não é que ele veio pra mim também? Mais espetacular que o ovo é a tal espuma de pupunha, de textura etérea, com um sabor que mais se parecia com uma lembrança de palmito.

Quem quiser também pode comer a gema com pãozinho...

Dentre os pratos principais, o primeiro deles foi um dos meus favoritos: peixe em crosta de mandiopan com caruru de taioba - para quem não sabe, a taioba é uma folha comumente utilizada no estado de Minas Gerais, de textura semelhante à couve e sabor mais leve que espinafre. O peixe, de carne extremamente macia, ficava sob uma casquinha crocante e sequinha de farelo de mandiopan, aquele mesmo de antigamente. O caruru de taioba era como um creme de sabor delicado mas com textura densa. Amei a combinação, realmente muito gostoso, comi devagarzinho para prolongar o prazer.



Entrei em êxtase quando o garçom colocou o prato seguinte na mesa: a famosa feijoada em esferas, uma das criações mais aclamadas da chef, agora inerte e pronta para ser desbravada bem ali na minha frente. Quase não deixei que ele me explicasse o prato - composto de carpaccio de pé de porco, esferas de feijão, crispy de couve, paio e laranja - eu já sabia de tudo isso. Agora eu queria mesmo saber qual era a da feijuca desconstruída, já que a original é meu prato favorito. Lógico que não é possível fazer uma comparação entre as versões, mas não é que eu adorei a versão moderninha? Óbvio que não trocaria uma pela outra, mas fiquei feliz em saber que há muito sabor em meio àquela técnica toda, as esferas de feijão estouram gostoso na boca, a couve é tão fininha que só serve mesmo para dar contraste de textura, enquanto o carpaccio de pé de porco se revela super saboroso. Fiquei realizada, só lamento não ter feito foto do prato, tamanha minha excitação para prová-lo. Para quem ficou curioso para ver a criação, sugiro visitar o Quebichomemordeu neste link aqui

Quando eu achava que já havia atingido o auge das minhas expectativas e que nada mais seria tão surpreendente, surge um rosbife envolto em crosta de um chá chinês de nome difícil (Lapsang Souchong) acompanhado de uma saladinha morna de batatas e uma pincelada de gema com alcaparras. Como sou daquelas que gosta de carne praticamente crua, imaginei que aquele pedacinho rosado de carne não faria a menor diferença na minha vida. Diabo de comida boa, não é que até aquele rosbife me surpreendeu? Deve ser a técnica aliada a equipamentos de última geração, só sei que maciez e sabor estavam presentes em abundância, mesmo aquele pedacinho de carne estando ao ponto, quando fibras costumam gritar sua presença deixando tudo meio rígido. A esta altura, eu já estava bestificada...

Grata surpresa

Enquanto isso, mamãe já não dava conta de seu prato principal, outro signature dish da chef, o excelente talharim de pupunha, cuja leveza do palmito combinava perfeitamente com o delicadíssimo molho de parmesão, salpicado com trufas. Por mais que eu estivesse quase satisfeita, não pude concordar com uma iguaria dessas sendo deixada no prato por falta de forças e mandei ver no talharim também. Confesso que não fiz muito esforço para raspar o prato, o talharim é simplesmentee magnífico em todos os sentidos, pelos seus ingredientes e execução.

Pedida certa

O último prato da sequência antes das sobremesas foi o cordeiro cozido por vinte e quatro horas, acompanhado de tubérculos assados, como batata, batata-doce, cará, inhame, etc. Não sei se pelo fato de ter sido o último prato e eu estar praticamente satisfeita, mas o cordeiro foi o menos espetacular dentre tudo o que provei naquela noite. A carne era ótima, macia e saborosa, os tubérculos eram autênticos em seu sabor natural, mas eu não escolheria o cordeiro como um prato principal fora do menú degustação, prefiro outros que foram realmente espetaculares.



Após todo esse frenesi gastronômico, quase não sobrava espaço para a sobremesa. Ainda bem que mamãe estava ali, formiga como é, pronta para atacar qualquer coisa contendo açúcar que eu deixasse escapar. A primeira sobremesa era um falso-ninho de mandioquinha (falso pois não eram fios de ovos e sim de mandioquinha), sobre creme de côco defumado com semente de puxuri - oi? O garçom me explicou que puxuri é uma semente da Amazônia, mas a finalidade dela na sobremesa ficou indefinida. Um doce bem gostoso, de execução interessante mas não chegou a surpreender meu paladar. Já o tal do açaí...

Ninho de mandioquinha

Açaí

A sobremesa tem um nome tão complexo, com tantos ingredientes, que perdi um tempinho anotando tudo para não dar mancada com você, leitor: sorvete de açaí com banana nanica, gemada com guaraná, farofa de aveio, marshmallow de açúcar mascavo e raspadinha de morango. Sei que pode parecer confuso, mas era um verdadeiro e-s-p-e-t-á-c-u-l-o, todos os ingredientes tinha função definida e quem se divertia mesmo era a língua, tamanha a diferença entre cada um deles. Realmente, um gran finale para uma refeição magnífica, ou ainda uma experiência singular, se assim me permitem definir o que foi minha visita ao Maní. Para coroar tudo isso, a própria Helena ainda voltou à minha mesa para perguntar se eu havia gostado... meu Deus, o que responder sem utilizar clichês? Simplesmente a agradeci por ter me proporcionado uma das refeições mais memoráveis da minha vida... de coração...

Em tempo, seguem valores para referência:
Couvert (jantar): 14 reais por pessoa
Menu degustação (11 pratos) - 198 reais
Ovo Perfecto: 27 reais
Talharim de Pupunha: 46 reais
Sauvignon Blanc Framinghan (NZ): 115 reais
Taça tinto Hermanos Lurton (ES): 28 reais

Maní Restaurante
www.manimanioca.com.br

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Comidinhas de ocasião

Estive recentemente em dois lugares da cidade que servem boas opções de comidas rápidas, daquelas que se procura quando não há tempo para uma refeição completa ou quando a fome não é tão grande, ou ainda quando se está passando em frente e dá uma vontade de experimentar.

No caso da Kopenhagen, só eu que não conhecia a tal Gourmet Station do Parque Dom Pedro? É a única loja da rede em Campinas que conta com esse espaço, cujo cardápio traz boas opções de refeições rápidas e sanduíches elaborados. As mesas ficam em um espaço pequeno, porém agradável - estava vazio - talvez ainda não descoberto pela maioria dos que por ali passam. A Pati já havia estado lá e falou tão bem dos sanduíches que fomos conferir se estavam à altura dos chocolates da marca.

Poucas mesas em espaço agradável

O atendimento foi cortês num primeiro momento, mas notamos que as atendentes estavam conversando sobre assuntos pessoais, sem se importar com a presença de clientes, num volume que chegava a interferir no nosso papo. Pareceu que não havia ali um gerente que orientasse suas funcionárias, pelo menos para que elas continuassem com o "conversê" num volume mais discreto, digamos. Pedidos anotados, esperamos pouco tempo pelos sanduíches, que vieram acompanhados de saladas simples, mas com folhas estalando de frescas. Pode-se optar pelo molho, que vem em boa quantidade - fui de honney mustard, um dos meus favoritos, e estava bem feito.

Destaque para o ótimo balsâmico

Escolhemos um sanduíche cada, que dividimos para que pudéssemos experimentar ambos: um com mix de queijos nobres, tomate caqui e manjericão no pão de cacau e outro com pasta de frango defumado, queijos e azeitonas pretas na ciabatta.

A aparência dos lanches nas fotos criaram uma expectativa quanto à quantidade de recheio, o que gerou uma posterior frustração, principalmente com relação ao caprese, cujo creme de queijos era a alma do sanduba e deveria, portanto, vir em quantidade considerável. O pão de cacau, por outro lado, roubou a cena, muito saboroso e macio. O lanche de frango também não tinha muito recheio, porém o sabor estava ótimo, assim como o pão. Quando comentamos com a atendente sobre a escassez de recheio, ela nos explicou que os sanduíches e demais opções de refeição não são feitos por lá, mas sim entregues prontos por um fornecedor local. Assim sendo, não consideraria numa próxima visita escolher um prato do cardápio, como um risoto por exemplo, já que para este tipo de comida é inconcebível que não seja feita na hora.

Este é o de frango, na ciabatta

E este é o caprese, no pão de cacau, cuja escassez de recheio nos frustrou um pouco...

A sobremesa não será um problema para quem quiser provar as comidinhas da Gourmet Station, já que todo o "acervo" da loja está à disposição. Destaque para os cafés elaborados, um melhor que o outro.

Em termos de preço, os sanduíches custam entre 15 e 20 reais, com saladinha inclusa. Vale à pena para quem está à procura de algo rápido no shopping, porém não quer se meter no meio da confusa e sempre lotada praça de alimentação.

Kopenhagen Gourmet Station - Shopping Parque Dom Pedro
fone: (19) 3209-1909

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Outro lugar que me agradou bastante foi o Naturalli, um tipo de fast food de comida saudável que fica bem pertinho do Parque Dom Pedro, em um mall chamado The Mall - hã?
Com a vantagem de ter estacionamento gratuito, o Naturalli também é uma boa opção de refeição rápida na região, com a virtude de oferecer ingredientes frescos e saudáveis em seu cardápio. O forte são os crepes, mas no menú constam também sanduíches, omeletes, vitaminas, sucos desintoxicantes, salgados de massa integral... Os recheios que levam queijos são feitos com ricota fresca, queijo branco, mussarela de búfala, nada de queijos amarelos ou mais fortes. Muitos legumes como abobrinha, espinafre, brócolis, bem como folhas frescas, também são opções para rechear crepes e sanduíches. Uma saladinha fresca acompanha os pratos.

Como já estive lá algumas vezes, seguem as fotos das opções que experimentei:

Versão "4 queijos leves"

O não-tão-leve de carne desfiada e hommus

De abobrinha com opção de molho branco...

... e na opção de molho vermelho (feito de tomate mesmo, nada de enlatado)

Em termos de preço, uma refeição com suco sai por volta de 20 reais - isso porque os sucos são relativamente caros, em torno de 6 reais uma opção com frutas frescas e algum grão, como linhaça. Também faz delivery na região.



Vila Naturalli Healthy Food - The Mall Campinas
http://www.themallcampinas.com.br/lojas/vilanaturalli/

sábado, 15 de janeiro de 2011

Retomada em 2011: uma jóia no litoral paulista



Olá pessoal, feliz 2011 e vamos voltar à ativa em grande estilo, já que neste mês o Mais Olho Que Barriga completa seu primeiro ano de vida. O post de hoje é sobre um ícone do litoral - consagrado como um dos melhores restaurantes de praia do Brasil e que se mantém no topo há mais de duas décadas - o Manacá, na praia de Camburizinho, município de São Sebastião.

Conheci o Manacá em meados dos anos 90, justamente quando minha família descobriu essa praia de areia branquinha e mar brabo. Desde então, foram muitas as vezes que passamos a virada do ano por lá e, quando possível, visitávamos o restaurante, sempre vivo em minha memória não só pela excelente cozinha, mas também pela sua peculiar construção sobre palafitas, em meio a uma exuberante mata nativa.
Não se pode chegar de carro até o restaurante, ele fica enfiado em um terreno de difícil acesso, porém o pequeno trajeto do estacionamento até o local é feito hoje em dia em vans (digo hoje em dia pois, antigamente, fazia-se a pé). Logo que se entra, é fácil perceber porque os carros devem ficar distantes dali: todo o caminho até o restaurante desde sua entrada é feito por passarelas elevadas, em meio à mata, assim como o próprio salão, que fica sobre palafitas. Isso porque o local é uma área de mangue, com solo encharcado, daí a necessidade de se utilizar as palafitas, o que confere um charme muito especial ao lugar (calma, eles mesmos oferecem repelente caso você se esqueça de passar o seu).



O chef-proprietário é o mineiro Edinho Engel, cuja especialidade são os peixes e frutos do mar. Não por acaso, também é proprietário do excelente restaurante Amado, em Salvador. O cardápio do Manacá é razoavelmente extenso e diversificado. Apesar do foco ser mesmo nos amigos do mar, notei boas opções de carnes, massas e risotos. Logo na contracapa do menú encontrei um pedacinho de papel que listava os especiais do dia e aquilo já me perturbou, pois me tirou o foco de todo o resto depois que li as opções de cavaquinha e de frutos do mar grelhados. Foi uma escolha dificílima, já que nosso eficiente garçom nos explicou que a cavaquinha vinha acompanhada de nhoque romano trufado e os frutos do mar, cuja seleção incluía minhas tão amadas vieiras, eram acompanhados de risoto de alcachofra. Acabei me seduzindo pelas vieiras e optei pelos frutos do mar, assim como os demais comensais, com exceção da Pati, que foi de cavaquinha.

Couvert simples, mas simpático.

O couvert é simples mas os pães são fresquinhos, feitos lá mesmo, com direito a explicações sobre cada tipo. No mais, bolinhas de ricota ao pesto, patês e aliche.
Todos os pratos incluíam uma saladinha verde como entrada que, na minha opinião, poderia ser um pouquinho mais elaborada, já que o valor de CADA prato era algo em torno de 150 reais... acrescentar às folhas um ou outro ingrediente, como fundo de alcachofra, palmito, cogumelos ou queijo de cabra, seria benvindo (ai, essa nova ortografia chega a doer quando se lê, não?).

Salada verde e ponto.

O restaurante não estava lotado quando chegamos, também pudera, nossa reserva havia sido feita para às 19:30h pois estávamos com crianças. Mas em pouco tempo as mesas foram todas ocupadas, assim como todos os lugares da área de espera e bar. Notamos que muitos dos comensais eram estrangeiros, principalmente europeus, embasbacados com a exuberância da mata atlântica do entorno. Se até nós ficamos maravilhados, os gringos acham um espetáculo à parte.

Até a espera fica mais agradável num cenário desses...

Para acompanhar nossos pratos, escolhemos um ótimo vinho italiano da uva pinot grigio, que caiu deveras bem com o clima e os amigos do mar. Nossos pratos chegaram sem muita demora, com uma bela apresentação. Obviamente, cresci os olhos para as cavaquinhas do prato da Pati, mas logo me distraí com a enorme variedade de frutos do mar do meu prato: mexilhões na própria concha, vôngoles, lulas, um tentáculo inteiro de polvo, camarões graúdos, lagostim e, finalmente, pequena vieiras. Como coadjuvante, um excelente risoto de alcachofra que, para ser perfeito, só precisava ter vindo em maior quantidade (lógico que essa é a minha opinião de glutona). A cada variedade experimentada, uma textura diferente: as lulas eram elásticas mas não borrachudas; os camarões e lagostim, divinamente no ponto; o polvo, com suas curiosas ventosas, era macio e saboroso, assim como os mexilhões e vôngoles, que estouravam na boca; a única ressalva fica por conta das vieiras, justo as minhas favoritas, que estavam rígidas devido ao ponto de cozimento errado. Uma pena, pois sou daquelas que deixam o melhor do prato para o final, como uma despedida do que foi bom, no melhor estilo save the best for the rest. Mas dessa vez, o que ficou foi um gostinho de frustração... em se tratando de frutos do mar, ponto pode ser mais importante que tempero.

Grande diversidade de frutos do mar, acompanhados do ótimo risoto de alcachofra.

Segundo a pati, o prato dela estava excelente, nada menos que isso. Para ela, a quantidade também estava de acordo com o apetite. As cavaquinhas estavam tenras e saborosas e o nhoque romano tinha intenso sabor das trufas, porém sem ofuscar as protagonistas do prato.

Além de lindo, o prato estava excelente.

Com nossos estômagos agraciados pelo banquete, chegamos a pedir o menu de sobremesas, mas não nos empolgamos com nada, não pela falta de opções, mas porque estávamos realmente satisfeitos com o que havíamos comido e bebido. Uma das sobremesas nos pareceu muito interessante, um tipo de mousse de queijo branco com calda de goiaba, mas acabamos sendo mais prudentes que curiosas e abrimos mão.

A conta saiu salgada, cada prato custou cerca de 150 reais e o vinho algo em torno de 100 (pedimos duas garrafas). Notei que há pratos a partir de 60 – 70 reais, porém não são os que levam frutos do mar. Acredito que para um casal, o valor estimado para uma refeição pode ser algo em torno de 400 reais, incluindo um bom vinho. Se vale à pena, não posso garantir, mas o que posso afirmar é que trata-se de um belíssimo restaurante com ótima cozinha, o que pode proporcionar, no mínimo, uma experiência diferenciada.

www.restaurantemanaca.com.br

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Morena da Cidade Universitária



Barão Geraldo é um lugar simpático, gosto daquele clima de cidadezinha que paira no ar, tudo é perto e parece que todo mundo se conhece. Só eu que não conhecia a tal morena do título, porque pela lotação em pleno almoço de quinta-feira, todo o pessoal de lá já sabe dela... refiro-me ao restaurante Morena Flor, que fica naquele trecho da Estrada da Rhodia onde se concentram outros restaurantes, como o Tábua de Marés, Gregs, Panneteria Di Capri (na verdade, é aquela ruazinha paralela à estrada).

Eu e minha amiga Pati fomos conferir o que a tal "morena" tem, pois o movimento é sempre intenso, tanto durante a semana quanto nos finais de semana. O ambiente é super simpático, bem rústico, porém aconchegante. Só que com as janelas abertas, o calor ficou insuportável quando a casa encheu, exigindo um certo tempo para que o ar-condicionado desse conta do recado, o que aconteceu após alguns minutos. Também devido à lotação, o serviço ficou meio lento, desatencioso, mas isso foi no final da nossa refeição, pois chegamos bem cedo.

Ainda vazio, mas depois encheu....

Notamos que não há exatamente uma especialidade da casa, o cardápio vai de massas a risotos e carnes, mas talvez a ênfase do menú esteja nos pratos regionais, com a carne seca como ingrediente-estrela. Dada nossa percepção, optamos por dois pratos regionais: paella nordestina (me encantei com a criatividade do nome), que nada mais era que um arroz com açafrão, carne seca, pimenta e cubos de queijo coalho, e um bolinho de aipim com carne seca cujo nome não me recordo, mas era do tamanho de uma quiche individual, acompanhado de risoto de legumes e salada.

De entrada, dividimos os fundos de alcachofra com manteiga de ervas que, apesar de serem do tipo congelado, estavam bem macios e saborosos.



Nossos pratos vieram dentro do tempo esperado, porém vi que outras mesas ficavam impacientes com a demora. As porções eram generosas mas sem exagero, mas no caso do prato da pati, somente o tal bolinho e a salada seriam suficientes, o risoto parecia estar "sobrando" no prato, competindo com o bolinho. Mas verdade seja dita, o arroz era arbóreo mesmo e os legumes estavam al dente, tudo certinho com o risoto. Só uma ressalva quanto ao tal bolinho, que poderia ter mais recheio, já que a mandioca é "massuda" por natureza e qualquer excesso pode causar um desequilíbrio.

Bolinho ou bolão?

Minha paella nordestina estava bem saborosa, com arroz cremoso e carne seca presente em quantidade notável. O queijo coalho dava o contraste de textura, enquanto a cheirosíssima pimenta da casa coroava tudo com a "picância" necessária. Um prato criativo com ingredientes simples, muito saboroso e harmônico.

Adorei meu prato, principalmente o nome

Achamos que nossas escolhas mereciam ser acompanhadas de "loiras geladas", portanto o garçom nos providenciou baldinho com gelo, cobrando apenas as cervejas que foram consumidas. Muito conveniente para o calor senegalesco que fazia naquele dia.

Nossa conta deu cerca de 35 reais para cada, valor que consideramos bem pago. A morena só tem que tomar mais cuidado com a qualidade do seu atendimento em dia de casa cheia, pois notei que a fórmula boa comida + preço razoável já a tornou irresistível, só não pode deixar a peteca cair e frustrar a clientela.

Morena Flor Cozinha Contemporânea
R Maria Tereza Dias da Silva 234
Cidade Universitária
Campinas, SP
(19) 3249-0424

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Redescobrindo o Santa Therezinha

Mais legal que descobrir um lugar bacana é descobrir que este lugar tem mais a oferecer do que você pensava. Por exemplo, que o empório Santa Therezinha era um lugar super legal, cheio de iguarias e ingredientes de primeiríssima, um verdadeiro parque de diversões para os amantes do fogão, isso eu já sabia. Mas outro dia, passando por lá em uma sexta-feira de calor senegalesco, tive a brilhante idéia de almoçar no empório, bebericando um excelente choppe de colarinho cremoso e temperatura baixíssima. Lógico que, se os ingredientes vendidos no empório são muito bons, a comida feita por lá também deveria ser, já que eles utilizam os mesmos produtos que estão à venda. O cardápio inclui, além das opções de almoço executivo, os pecaminosos beliscos e sanduíches, tudo com aquela vibe boêmia. Dentre as opções de almoço, pratos com bacalhau, escondidinhos, polenta mole com linguiça ao sugo, baião de dois, e por aí vai. Escolhi o tal do arrumadinho de bacalhau, enquanto o parceiro Xana foi de arrumadinho também, mas na versão de carne seca - carne desfiada acebolada, feijão de corda temperado com manteiga de garrafa, farinha de mandioca com vinagrete e couve.

O choppe descia que era uma maravilha, as mesinhas ficam à sombra, sob um pergolado agradabilíssimo, minha sensação foi de que os pratos vieram super rápido. As porções eram enormes, tanto a de bacalhau quanto a de carne seca.

Lindo, lindo...

O bacalhau desfiado estava tenro e úmido, atestando a boa procedência do peixe, nada salgado e temperado com um bom azeite. A couve que acompanhava era daquelas novinhas, bem macia e clarinha, cortada fininha. O feijão de corda cumpria bem seu papel de coadjuvante, sem pesar na quantidade. Tudo super harmonioso e muito saboroso, assim como a versão de carne seca, segundo o Xana - carne macia e bem dessalgada, com tempero na medida certa.

O tal do arrumadinho, em versão com bacalhau...

... e com carne seca

Poderia passar horas naquela mesinha, contemplando a paisagem e bebericando aquele choppe fantástico, até o sol baixar e o calor, diminuir. Mas, como o não somos marajás e nem ganhamos na mega (ainda!), o dever nos chamava e fomos obrigados a encerrar a refeição, satisfeitíssimos. O preço? R$ 32,00 por pessoa... valeria só pela mesinha à sombra, com um choppe bem tirado daqueles.

Se liga no sol lá fora... você também não ficaria horas aqui?


Empório Santa Therezinha
Shopping Parque D. Pedro
fone: (19) 3756 9984
www.santatherezinha.com.br