Nota em 11.09: Achei minha câmera! E não é que ela estava lá no Le Bistrô? Agora este post conta com fotos, enjoy!
Foi em um almoço durante a semana que decidi passar por lá, mesmo não tendo muito tempo antes de um compromisso à tarde. Imaginei que um almoço em um lugar que tem menú executivo não poderia demorar muito mais que uma hora, então arrisquei.
lugar agradável, em uma rua tranquilaLogo de cara algumas coisas me incomodaram um pouco, como as opções do executivo, que eram totalmente desinteressantes, passando por filé à parmegiana e frango grelhado com legumes. Tanto eu como minha companheira de almoço decidimos optar pelas sugestões do chef, um duo de pato e um tortellonni de cordeiro ao sugo. Na hora de escolher o vinho, a atendente nos informou que não havia opções de meia-garrafa e apenas uma opção de tinto e uma de branco para o vinho em taça - oi? Para um lugar chamado Le Bistrô, tava meio escasso de opções, não? - Pedimos uma taça do tinto para cada uma de nós, um cabernet sauvignon chileno, e para nossa total decepção, a temperatura estava péssima, quente mesmo, sem condições. Quando reclamamos, ela disse que apenas o vinho branco ficava na "geladeira", foi quando pedi para falar com alguém mais esclarecido no assunto. Acabamos optando pelo branco, por total falta de opção, já que uma garrafa poderia nos causar problemas com o bafômetro. Um restaurante que se classifica como francês tem a obrigação de contar com uma adega, de preferência climatizada, para evitar esse tipo de constrangimento, já que a temperatura na cidade tem passado diariamente dos 30 graus.
Dispensamos as entradas, pedimos somente o couvert, não pela nossa pressa, mas também porque nenhuma das opções nos despertou real interesse. A falta de criatividade também se refletiu no couvert, que contava com manteiga, azeitoninhas pretas, daquelas que vêm em cima da pizza e lascas de parmesão. Os pães não merecem menção...
As azeitonas poderiam ser chilenas, não?Começamos a nos inquietar com a demora dos pratos, após meia-hora de espera. Tudo bem que não pedimos do menu executivo, mas a sugestão do chefe, escrita em uma lousa gigante no meio do restaurante, tão pouco deveria demorar. Quando os pedidos chegaram, porém, tivemos uma boa impressão da apresentação e quantidade. O pato veio com nacos de peito e a coxa inteira, compondo o tal "duo" do nome. Os acompanhamentos eram repolho roxo, legumes e batatas gratinadas, que vieram à parte em uma cumbuca generosa. Já a massa veio com bastante molho de tomate, em um prato fundo grande, o suficiente para uma pessoa com bom apetite. Apresentações feitas, vamos ao que interessa:
O Pato
Minha amiga Pati é daquelas que entendem muito de cozinha, gourmet exigente mas de bom senso. Foi ela quem pediu o pato e são palavras dela que reproduzo aqui. Seco, seco, seco. Cadê aquela gordura necessária do pato, que deixa tudo melhor? E o ponto, errado! O pato tem que ser, no máximo, ao ponto para mal passado, com aquele miolo rosa nas fatias da carne, nada de esturricar o bichinho, senão fica seco e duro. Os acompanhamentos, por sua vez, estavam gostosos...
pela foto já dá pra ver que o interior das fatias não estava nem rosado...A Massa
Confesso que minha vontade era pedir o pato também, mas em prol deste blog optei por um prato diferente, o que não foi tão difícil pois cordeiro me encanta. Meu receio era quanto à massa, pois tortellonni é aquele envelope grande, cujo risco de ficar mole demais ou al dente demais é grande. Mas o que vi foi um ponto perfeito de cozimento, al dente mas sem aquelas arestas indesejáveis nas dobras da massa, impecável. O recheio era farto e saboroso, com a presença marcante do cordeiro, contrastando com uma geléia de hortelã em discreta quantidade. Já o molho ao sugo, que deveria ser um coadjuvante neste prato, estava querendo aparecer demais com sua acidez incorreta. Apesar dos tenros pedaços de tomate que estavam ali para atestar que o molho era fresco, a acidez deveria ter sido corrigida, o que não é processo tão complexo na cozinha.
Se não fosse pela acidez do molho, o prato seria irretocável.O bom disso tudo é que a responsável pelo restaurante veio pessoalmente retirar os pratos para saber se havíamos gostado e, com isso, tivemos a oportunidade de darmos nossa sincera opinião. A Pati explicou porque não comeu todo o pato, a questão do ponto e da maciez da carne. Prontamente, a moça se dispôs a recompensá-la de alguma forma, dizendo que poderia oferecer outro prato caso não estivéssemos satisfeita, ou ainda uma sobremesa. Sei que esta postura não é comum no Brasil, quantas vezes já disse que não havia gostado do meu prato, por motivos contundentes, mas a resposta blasé do restaurante sempre deixava claro que minha opinião não importava. Neste caso, senti uma sincera preocupação com a satisfação dos clientes, o que demonstra que o restaurante pode corrigir alguns equívocos e seguir o caminho de crescimento em busca de fidelizar seu público.
De sobremesa, escolhemos um creme brulée e duas colheres, além do café e da conta, já que a pressa era grande e o atendimento não estava dos mais ligeiros. O creme estava bem gostoso, mas a casquinha era grossa demais, talvez por ter sido feita com açúcar cristalizado, o que me tirou o prazer máximo de quebrar a casquinha com leves colheiradas... aliás, deixamos a casquinha de lado e comemos o creme.
Quebrar a casquinha? Só com um martelinho...Quando a atendente nos trouxe a conta, fez questão de deixar claro que o restaurante não estava nos cobrando a sobremesa e os cafés, por conta da insatisfação com o pato. Achei legal, mas o correto mesmo, aquilo que se pratica nos bons restaurantes ao redor do mundo, era não ter cobrado o prato ao invés de oferecer a sobremesa. Mas isso já seria esperar demais, por isso reconheço que houve um esforço e dou mérito ao Le Bistrô pela preocupação. Sugiro atentar para a questão do vinho, não só pela falta de opções de meia-garrafa e de taça mas, principalmente, para a temperatura dos tintos, que podem até estragar ficando expostos ao calor.
Quanto aos valores, o pato saiu R$ 37, a massa R$ 29 e cada taça de vinho, R$ 8. Os pratos do executivos custam algo entre R$ 15 e R$ 25.
Prefiro visitar uma segunda vez para emitir meu veredicto quanto ao critério Mais Olho Que Barriga, portanto aceito opiniões nos comentários para me ajudar neste processo.

Le Bistrô Mediterrâneo
Rua Presciliana Soares, 42
fone: 3325-6383































