domingo, 5 de setembro de 2010

Le Bistro Mediterrâneo: hã?

Sabe quando você chega em casa morrendo de fome, pronto para devorar qualquer comidinha gostosa da sua geladeira e quando senta no sofá, abre aquele pote de sorvete na frente da TV, de colher em punho, descobre que era feijão congelado? Pois é, foi mais ou menos essa sensação que eu tive no Le Bistro Mediterrâneo, um restaurantezinho intimista, em uma das minhas ruas preferidas do Cambuí, com o qual eu venho flertando há tempos desde que passei em frente durante uma das minhas caminhadas noturnas (sim, eu tenho meus momentos saudáveis também). Não conhecia o lugar até então, achei muito bonitinho, bem montado e com menú interessante. Estava ensaiando uma visita para poder postar no blog, já que não encontrei comentários sobre o mesmo nas publicações que se prestam a isso. Mas a demora para o post também se deu por conta do sumiço da minha máquina fotográfica, depois que eu fiz a visita ao lugar, não encontro a bichinha de jeito nenhum... mas decidi postar mesmo assim porque já perdi as esperanças e não quero mais deixar os leitores deste blog sem nada para ler.

Nota em 11.09: Achei minha câmera! E não é que ela estava lá no Le Bistrô? Agora este post conta com fotos, enjoy!

Foi em um almoço durante a semana que decidi passar por lá, mesmo não tendo muito tempo antes de um compromisso à tarde. Imaginei que um almoço em um lugar que tem menú executivo não poderia demorar muito mais que uma hora, então arrisquei.

lugar agradável, em uma rua tranquila

Logo de cara algumas coisas me incomodaram um pouco, como as opções do executivo, que eram totalmente desinteressantes, passando por filé à parmegiana e frango grelhado com legumes. Tanto eu como minha companheira de almoço decidimos optar pelas sugestões do chef, um duo de pato e um tortellonni de cordeiro ao sugo. Na hora de escolher o vinho, a atendente nos informou que não havia opções de meia-garrafa e apenas uma opção de tinto e uma de branco para o vinho em taça - oi? Para um lugar chamado Le Bistrô, tava meio escasso de opções, não? - Pedimos uma taça do tinto para cada uma de nós, um cabernet sauvignon chileno, e para nossa total decepção, a temperatura estava péssima, quente mesmo, sem condições. Quando reclamamos, ela disse que apenas o vinho branco ficava na "geladeira", foi quando pedi para falar com alguém mais esclarecido no assunto. Acabamos optando pelo branco, por total falta de opção, já que uma garrafa poderia nos causar problemas com o bafômetro. Um restaurante que se classifica como francês tem a obrigação de contar com uma adega, de preferência climatizada, para evitar esse tipo de constrangimento, já que a temperatura na cidade tem passado diariamente dos 30 graus.

Dispensamos as entradas, pedimos somente o couvert, não pela nossa pressa, mas também porque nenhuma das opções nos despertou real interesse. A falta de criatividade também se refletiu no couvert, que contava com manteiga, azeitoninhas pretas, daquelas que vêm em cima da pizza e lascas de parmesão. Os pães não merecem menção...

As azeitonas poderiam ser chilenas, não?

Começamos a nos inquietar com a demora dos pratos, após meia-hora de espera. Tudo bem que não pedimos do menu executivo, mas a sugestão do chefe, escrita em uma lousa gigante no meio do restaurante, tão pouco deveria demorar. Quando os pedidos chegaram, porém, tivemos uma boa impressão da apresentação e quantidade. O pato veio com nacos de peito e a coxa inteira, compondo o tal "duo" do nome. Os acompanhamentos eram repolho roxo, legumes e batatas gratinadas, que vieram à parte em uma cumbuca generosa. Já a massa veio com bastante molho de tomate, em um prato fundo grande, o suficiente para uma pessoa com bom apetite. Apresentações feitas, vamos ao que interessa:

O Pato
Minha amiga Pati é daquelas que entendem muito de cozinha, gourmet exigente mas de bom senso. Foi ela quem pediu o pato e são palavras dela que reproduzo aqui. Seco, seco, seco. Cadê aquela gordura necessária do pato, que deixa tudo melhor? E o ponto, errado! O pato tem que ser, no máximo, ao ponto para mal passado, com aquele miolo rosa nas fatias da carne, nada de esturricar o bichinho, senão fica seco e duro. Os acompanhamentos, por sua vez, estavam gostosos...

pela foto já dá pra ver que o interior das fatias não estava nem rosado...

A Massa
Confesso que minha vontade era pedir o pato também, mas em prol deste blog optei por um prato diferente, o que não foi tão difícil pois cordeiro me encanta. Meu receio era quanto à massa, pois tortellonni é aquele envelope grande, cujo risco de ficar mole demais ou al dente demais é grande. Mas o que vi foi um ponto perfeito de cozimento, al dente mas sem aquelas arestas indesejáveis nas dobras da massa, impecável. O recheio era farto e saboroso, com a presença marcante do cordeiro, contrastando com uma geléia de hortelã em discreta quantidade. Já o molho ao sugo, que deveria ser um coadjuvante neste prato, estava querendo aparecer demais com sua acidez incorreta. Apesar dos tenros pedaços de tomate que estavam ali para atestar que o molho era fresco, a acidez deveria ter sido corrigida, o que não é processo tão complexo na cozinha.

Se não fosse pela acidez do molho, o prato seria irretocável.

O bom disso tudo é que a responsável pelo restaurante veio pessoalmente retirar os pratos para saber se havíamos gostado e, com isso, tivemos a oportunidade de darmos nossa sincera opinião. A Pati explicou porque não comeu todo o pato, a questão do ponto e da maciez da carne. Prontamente, a moça se dispôs a recompensá-la de alguma forma, dizendo que poderia oferecer outro prato caso não estivéssemos satisfeita, ou ainda uma sobremesa. Sei que esta postura não é comum no Brasil, quantas vezes já disse que não havia gostado do meu prato, por motivos contundentes, mas a resposta blasé do restaurante sempre deixava claro que minha opinião não importava. Neste caso, senti uma sincera preocupação com a satisfação dos clientes, o que demonstra que o restaurante pode corrigir alguns equívocos e seguir o caminho de crescimento em busca de fidelizar seu público.

De sobremesa, escolhemos um creme brulée e duas colheres, além do café e da conta, já que a pressa era grande e o atendimento não estava dos mais ligeiros. O creme estava bem gostoso, mas a casquinha era grossa demais, talvez por ter sido feita com açúcar cristalizado, o que me tirou o prazer máximo de quebrar a casquinha com leves colheiradas... aliás, deixamos a casquinha de lado e comemos o creme.

Quebrar a casquinha? Só com um martelinho...

Quando a atendente nos trouxe a conta, fez questão de deixar claro que o restaurante não estava nos cobrando a sobremesa e os cafés, por conta da insatisfação com o pato. Achei legal, mas o correto mesmo, aquilo que se pratica nos bons restaurantes ao redor do mundo, era não ter cobrado o prato ao invés de oferecer a sobremesa. Mas isso já seria esperar demais, por isso reconheço que houve um esforço e dou mérito ao Le Bistrô pela preocupação. Sugiro atentar para a questão do vinho, não só pela falta de opções de meia-garrafa e de taça mas, principalmente, para a temperatura dos tintos, que podem até estragar ficando expostos ao calor.

Quanto aos valores, o pato saiu R$ 37, a massa R$ 29 e cada taça de vinho, R$ 8. Os pratos do executivos custam algo entre R$ 15 e R$ 25.

Prefiro visitar uma segunda vez para emitir meu veredicto quanto ao critério Mais Olho Que Barriga, portanto aceito opiniões nos comentários para me ajudar neste processo.



Le Bistrô Mediterrâneo
Rua Presciliana Soares, 42
fone: 3325-6383

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Comidinhas de ocasião

Sabe aquele momento de fissura, em que seu estômago e sua mente resolvem fazer um complô contra você, exigindo que você saia loucamente em busca de algo para acabar com aquela angústia gastronômica, seja lá qual for? Pois bem, hoje falo sobre dois lugares que podem ter a solução para esses momentos de busca pelo desconhecido para acalentar vontades súbitas.

6 pessoas são suficientes para lotar o lugar





Quem aí nunca passou por dias de verdadeira necessidade por doces, mesmo aquela pessoa que jura que não liga para açúcar, que prefere salgado e tal? Mulheres, quando estão passando pelos malditos dias de TPM, podem até matar por um doce. Justamente para estes momentos, sugiro este lugarzinho no coração do Cambuí chamado Brou'né. Como uma porta para o céu, esta pequena loja de doces, em especial de brownies e cookies, oferece alento para as formigas de plantão, a qualquer hora do dia. São inúmeras opções de sabores e recheios, dispostas em uma vitrine, ao lado de uma convidativa máquina de Nespresso.

Chega a ser irritante tentar escolher...

Como estive lá de passagem, apenas esperando o horário de um compromisso, resolvi não arruinar minha dieta logo na segunda de manhã e pedi somente um inocente cookie, acompanhado de um cafezinho. Mal sabia eu que estava prestes a morder o êxtase em forma de doce: além da consistência perfeita do cookie e dos pedaços de chocolate que se desfaziam facilmente na boca, ainda havia um cremosíssimo recheio que umidecia o biscoito sem comprometer sua textura original... sublime. Melhor que qualquer cookie que já provei, inclusive nos EUA, país detentor de sua, digamos, "patente".

Êxtase em forma de cookie


Até eu, que faço parte do time dos que preferem uma coxinha a um brigadeiro, escolheria esse lugar para passar algumas horas, caso soubesse que não haveria o amanhã... para minha próxima visita, quero experimentar o sanduíche de cookie recheado com sorvete. Quem sabe um brownie também...

Porta para o céu...

Brou'né
www.broune.com.br

Outra dica é para aquela fominha inconveniente que resolve bater à sua porta tarde da noite, mesmo que durante a madrugada, voltando daquele casamento que você não quis subornar o garçom para te servir com fartura, ou daquele jantar exótico de comida étnica que você não quis encarar e ficou só no amendoim do aperitivo. Comer hot-dog é tradição para os boêmios, mas o Cachorrão, marca de cachorro-quente campineira que começou com um trailler e hoje é franquia com lojas em shopping, merece menção neste blog por conta de alguns detalhes que notei em minha última visita. A começar pelo serviço, muito atencioso e cortês, muito mais do que eu esperaria em um estabelecimento cujas mesas estão dispostas no meio da calçada. Aliás, o que impressiona no Cachorrão (aquele da esquina da Coronel Silva Telles com Emílio Ribas) é a infra-estrutura do lugar. É incrível como o conceito de trailler de cachorro-quente foi elevado a um novo patamar: o trailler já não existe mais, em seu lugar uma construção de alvenaria, com direito a banheiro limpo para os clientes. As mesas e cadeiras não são mais de plástico e todas contam com cobertura e iluminação. As opções são inúmeras, mas nada que fuja do tradicional, com exceção da porção de purê servida independente do dog, o que caiu como uma luva para o meu estômago etilicamente judiado no período pós-balada. Confesso que perguntei de brincadeira para o garçom se eu poderia comer só purê, mas ele respondeu com tanta naturalidade que sim, que eles tinham porções individuais de purê, que fiquei maravilhada. Já conheço os lanches de lá e os considero bons, mas pelo atendimento nota 10, o Cachorrão será minha primeira opção sempre que quiser um dog na madrugada.

Cachorrão Lanches
Av. Coronel Silva Telles (esquina com R. Emílio Ribas)

domingo, 8 de agosto de 2010

Al Sultan: comida árabe bem feita e bem farta!



Sei lá porque, mas desde que me entendo por gente, amo comida árabe. O único "árabe" da minha família é meu tio Toninho, um descendente de libaneses daqueles bem autênticos, que falam alto, fazem amizade em menos de 60 segundos com qualquer pessoa e adoram comer e ver os outros comerem até morrer. Meus pais também sempre gostaram de iguarias como homus, baba ghanouj, tabule, kibe, etc., por isso me acostumaram desde cedo a apreciar esta culinária tão rica. Mas como os leitores deste blog já sabem, comer bem pra mim é comer bastante, então nada melhor do que aliar uma boa comida a um buffet bem farto, no qual eu possa me servir de tudo, quantas vezes eu bem entender. Assim é o Al Sultan, restaurante árabe localizado em um simpática casa do Cambuí, comandado pelo casal mais simpático ainda Nasser e Sâmia, ele sírio e ela libanesa. O ambiente por si só já é agradável, com área externa em meio a um jardim que cai muito bem, mesmo nos dias mais quentes.

Mesas da área externa

As plantas garantem um ambiente fresco para os dias mais quentes

O buffet servido no almoço é composto por pratos frios e quentes e conta com as receitas mais tradicionais da cozinha árabe. Dentre os pratos frios, posso citar as pastas como homus (de grão de bico), baba ghanouj (de beringela) e coalhada seca, quibe cru, saladas diversas como tabule, fattouche, lentilhas com cebola frita e uma de batata amassada que eu adoro, mas não faço idéia de como se chama. Nas opções dos réchauds, quibe frito, abobrinha síria (recheada com arroz e carne moída, com molho de tomate), charutos de folha de uva e repolho, arroz com lentilha, além das porções de esfihas abertas e fechadas (de carne e escarol)a e kaftas de carne moída que são servidas diretamente na mesa.

Pode pedir que eles trazem: tenras kaftas, bite size.

Confesso que os pratos frios são meus favoritos, em especial o kibe crú e as pastas. Mas como a refeição estava sendo feita especialmente para o blog, me comportei e fiz um prato frio e um quente, ambos montados estrategicamente para sair bem na foto.

Favoritos

Das opções frias, destaque para o quibe crú, cujo equilíbrio entre carne moída e trigo me agrada bastante. As pastas são muito boas também, principalmente a coalhada seca, bem firme na textura mas suave no sabor. Há opção de pão sírio torrado ou fresco para acompanhar.



Já nos pratos quentes, estava em falta do charuto de folha de uva, que é o meu favorito. O de folha de repolho não gosto muito, talvez por me lembrar dos almoços da firrrma, quando serviam um charuto de folha de repolho com recheio de frango que cheirava à pena de galinha. Longe de querer comparar com o charuto do Al Sultan, é só uma questão de memória gastronômica não muito agradável pra mim. Mas voltando ao que interessa, na falta do charutinho optei pela abobrinha recheada, que me lembra a infância pois é tradição lá em casa, pelos quibes fritos, arroz com lentilhas e esfiha. Os quibes estavam ultra-sequinhos, a abrobrinha era bem macia, quase desmanchando, e a esfiha tem aquela massa que só que é do ramo sabe fazer.

Esfihas de carne (aberta) e de escarola (fechada): com massa leve e interior bem úmido.

Daí vocês me perguntam: mas quanto custa almoçar como um sultão? E eu vos digo que, por tudo o que é oferecido, chega a ser uma pechincha: 30 reais por pessoa. A única ressalva fica por conta da forma de pagamento, pois apesar de aceitarem cartões, as máquinas costumam "quebrar" com uma frequência quase mística... como todo bom árabe, eles preferem o bom e velho cash, mas duvido que deixem de receber caso você não tenha dinheiro vivo...

Boa comida, bom atendimento, preço acessível: o Al Sultan é Mais Barriga!

domingo, 1 de agosto de 2010

Agora sim: o Thai Express foi eleito o meu fast food do coração



Nada como um dia após o outro... no sábado precisei ir até Valinhos e, meio sem tempo para almoçar, não tive dúvida em dar uma passadinha pelo Thai Express do Shopping Valinhos, um fast food thai do qual já falamos neste post aqui. Optei por pedir exatamente os mesmos pratos da última vez, para uma melhor base de comparação: trouxinhas de camarão com molho agripicante, chamadas Tung Tong, além do Pad Thai, que vem com frango e camarão.

Pra começo de conversa, a apresentação dos pratos já foi bem melhor, uma vez que optei por comer lá mesmo ao invés de levar pra casa, como da última vez. Pratos de louça e talheres de verdade ganham pontos, já que se trata de praça de alimentação e alguns restaurantes não se preocupam com esses detalhes.

As trouxinhas estavam um espetáculo, com massa finíssima e muito crocante, interior cremoso e aveludado, mas com o sabor do camarão marcando presença. O molho que eles chamam de agripicante me parece uma calda adocicada com pimentinhas malaguetas fatiadas, mas em pequena quantidade, como uma versão para iniciantes mesmo.

Se a porção fosse com 10 unidades, comeria todas com prazer...

O Pad Thai estava lindo, em farta quantidade no prato, com "coadjuvantes" que gosto de ver: amendoins, brotos de feijão estalando de frescos e coentro na medida certa - sou do time dos que defendem o uso do coentro em quantidades corretas e para receitas específicas; pra mim, é um ingrediente essencial e que faz uma tremenda falta nos pratos que espero pelo seu sabor, como no caso do Pad Thai. Os camarões vieram em bom número, tamanho ideal e textura perfeita, bem macios. Os ingredientes dos quais senti falta da última vez estavam lá com certeza, pois era possível sentir a harmonia entre o Nam Pla (molho de peixe) e o molho de tamarindo, tão necessários para dar identidade a um prato thai. Tudo muito equilibrado e, principalmente, saboroso.

Bela apresentação, bela quantidade, além de gostoso...

Notei que algumas novidades foram incluídas no cardápio, como os caldos e um escondidinho de influência asiática, feito com filé mignon, mas os preços continuavam os mesmos praticados em abril. Definitivamente, uma opção de Pad Thai de respeito como essa, por meros R$ 19,20, na cidade aqui do lado da nossa, não tem como não eleger o Thai Express como meu fast food do coração. Se eu morasse em Valinhos, passaria por lá com muito mais frequência...

Thai Express - Shopping Valinhos
Rua Paiquerê, 200 - Valinhos/SP
2ª a sábado: das 10h às 22h
Domingo: das 12h às 20h
Cardápio: http://www.thaiexpress.net.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

Festival Gastronômico de Campinas: alguém explica?

Faz um tempo que queria escrever sobre minhas descobertas com relação ao Festival Gastronômico de Campinas, mas o assunto é tão desestimulante pra mim que demorou até bater a vontade de falar sobre isso...

Descobri que o tal festival não faz com que os restaurantes participantes pratiquem menús com valores mais vantajosos para seus clientes, como ocorre no evento que julguei ser semelhante em São Paulo, o SPRW. Descobri também que os estabelecimentos participantes adicionaram uma ou outra opção de entrada, prato principal e sobremesa, com a tal influência paulista (que pode ser qualquer coisa, conforme falamos neste post aqui), com preços variando dentro da média das outras opções do cardápio. Ah, vale lembrar que tais "novidades" só estão disponíveis de quinta a domingo, até o final do evento.

Viu, alguém me conta qual é a graça disso? Qual é a vantagem e/ou estímulo que o público tem com essa proposta, digamos, tão interessante quanto picolé de chuchu? Se alguém, de fato, puder me explicar, ficarei imensamente agradecida, por mim e pelos leitores deste blog, que devem estar com uma baita "interrogação" na testa agora... assim como eu estou.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Grata surpresa em Vinhedo: Cardeais Gastronomia



Vinhedo acaba de ganhar um novo restaurante, mas pouca gente sabe disso... Isso porque o Cardeais Gastronomia não está investindo em divulgação, apostando apenas no bom e velho "boca a boca", que tão bem funciona nas cidades do interior. Em um esquema semelhante a um soft opening, a casa chega de mansinho, mas já mostra a que veio: com ênfase no projeto paisagístico, os ambientes são extremamente agradáveis, principalmente as mesas que ficam sob o pergolado, em meio à plantas e árvores. Ponto positivo também para o serviço, que nota-se ter sido muito bem treinado, principalmente com relação à discrição, aliando cortesia e gentileza a uma presença quase imperceptível, porém atenta.

O restaurante trabalha em sistema de almoço executivo de terça a sexta e à la carte no jantar e finais de semana. Um salad bar bem montado é presença constante no almoço, com opções de saladas elaboradas com ingredientes especiais, com toques da cozinha asiática e contemporânea. Destaque para a levíssima quiche, cujos ingredientes podem variar de um dia para o outro, mas a perfeita execução não. Quase não se sente o peso dos ovos no recheio, extremamente aerado, mas cremoso no ponto certo, sendo que a massa cumpre direitinho seu papel de coadjuvante.

Preocupação com os detalhes: pimenta do reino moída na hora é bem melhor...


O Cardeais se entitula também como galeteria, portanto não poderíamos deixar de provar o galeto, que deve ser o carro-chefe da casa. A outra opção foi a sugestão do chefe, robalo grelhado com legumes assados, além dos bolinhos de mandioca com carne-seca para iniciar os trabalhos. Pode-se também optar apenas pelo salad bar, ao preço de 18 reais por pessoa, ou 8 reais no caso de acompanhar qualquer pedido de prato principal.

Os bolinhos estavam saborosos, a proporção mandioca x carne-seca estava correta, porém não estavam tão sequinhos quanto deveriam (ou quanto eu gostaria que estivessem). Tabascos de vários tipos acompanhavam, o que me agradou bastante, já que sou "Tabasco lover" assumida.

Bolinhos

Os pratos vieram com alguma demora, porém podemos atribuir ao fato de 2 pessoas da mesa terem optado pelo salad bar, além dos bolinhos de entrada, o que dá um tempo extra para a cozinha mandar o pedido. Mas a espera foi compensada já na apresentação dos pratos: o galeto veio em tábua de madeira, cortado em 4 partes, com potinhos contendo cada acompanhamento: arroz, feijão, batatas assadas, farofa e vinagrete. O robalo, em posta generosa, veio sobre os legumes grelhados, com um toque de azeite (posso estar errada, mas arrisco dizer que era um tipo de dendê) e um fio de molho adocicado, como um tarê.

Visivelmente, o galeto poderia servir duas pessoas, pois ainda que pequeno, veio em 4 pedaços bem carnudos. Os acompanhamentos também seriam suficientes para dois. A carne estava macia e suculenta, e o alecrim coroava o sabor rústico do prato. Feijão saborosíssimo e batatas com casquinha crocante e interior macio.



O robalo era fresco, muito fresco, com carne brilhante, macia porém firme, soltando-se aos nacos. Os legumes assados estavam no ponto certo, nem muito al dente, nem muito moles, envolvidos por um bom azeite. A porção tinha o tamanho ideal para o meu apetite, portanto pode ser considerada farta.



Com relação aos preços, pode-se dizer que a mesa de saladas é um bom negócio a R$ 18 e o galeto, um ótimo negócio a R$ 28. O robalo foi o prato mais caro, saiu por R$ 42, porém o tamanho da posta pode justificar um valor mais alto. As entradas, basicamente compostas por bolinhos e saladas, têm preço em torno de R$ 15. Não pedimos sobremesa, por uma questão de prudência com a balança (costumo optar entre pedir entrada ou pedir sobremesa, este é o meu senso de justiça).

Apesar da chegada sutil do Cardeais, quase que tímida, arrisco a dizer que a estratégia de divulgação via "boca a boca" vai render bons frutos ao restaurante pois, imagino que assim como eu, muitos devem ter saído de lá com a sensação de satisfação por ter uma nova boa opção na RMC.

Cardeais Gastronomia e Galeteria
www.cardeaisgastronomia.com.br

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Festival Gastronômico de Campinas 2010

Confesso que estou um tanto apreensiva com relação ao Festival Gastronômico de Campinas 2010... posso listar alguns dos motivos que me causam esta sensação, mas o principal deles refere-se à escassez de informações sobre o evento. Ao que me parece, os organizadores - Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, Secretaria de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo de Campinas e o Conselho de Turismo de Campinas (Comtur) - fizeram um release para a imprensa e todos os veículos falam exatamente as mesmas coisas: que o Festival vai de 16 de julho a 1 de agosto, que ocorre somente de quinta a domingo, que enfocará a Culinária Paulista e que são ao todo 40 estabelecimentos participantes, entre restaurantes da cidade, de hotéis e convidados da região. Ah, falam também que a culinária Paulista privilegia produtos regionais, que formam a base da culinária indígena, agregando o paladar dos descobridores portugueses à culinária dos imigrantes italianos, árabes, japoneses, entre tantos outros (!). Ou seja, seria o famoso "faz de um tudo"...

A despeito das informações ao estilo CTR+C, CTR+V que encontrei na net (alô jornalistas, bora dar uma trabalhada no release?), o meu "pé atrás" com o festival refere-se também às experiências frustradas no SPRW (São Paulo Restaurant Week), festival que ocorre semestralmente em São Paulo, com características semelhantes: são vários restaurantes participantes, alguns de grande expressividade e renome, mas com os mesmos problemas - menú desinteressante para o festival, filas de espera quilométricas, serviço hostil especialmente destinado aos clientes participantes do evento, e por aí vai... sinto que por aqui não será muito diferente disso, mas já que este blog existe justamente para sentir o terreno antes de você, leitor, pisar, lá vamos nós fazer nossa listinha de estabelecimentos a serem visitados.

Restaurantes participantes

68 La Pizzeria
Astor
Bar do Marcelino
Baracat
Bráz Pizzaria
Broune
Casa Rio
Cervejaria Devassa
Estação Marupiara
Fellini Ristorante e Vinheria
Forneria San Pietro
Joe & Leos
Kilimanjaro Galleria Shopping
Kilimanjaro Shopping Iguatemi
La Pasta Gialla
Olavo Restaurante e Tasca
Olivetto Restaurante e Enoteca
Pizzaeria Fiducia
Ryuu Sushi Bar
Spice Restaurante
Stefano’s Express
Strog&noff
Theo Medeiros
Tonico's Boteco
Vila Paraíso
Casa de Maria
Matsu

Restaurantes de Hotéis

Bellini (Vitória)
Del Jardin (Tryp Hotel Campinas)
La Palette Restaurant (The Royal Palm Plaza)
O Maestro (Hotel Premium Norte)
Park Tower (Hotel Residence)
Restaurante Matisse (The Royal Palm Residence)
Restaurante Vila Real (Royal)
Ópera Morena (Mercure Hotel)

Restaurantes Convidados da RMC

http://maisolhoquebarriga.blogspot.com/search/label/Jensen%20Gastronomia
Vila de São Paulo (Holambra)
Laura e Francesco (Valinhos)
Le Triskell (Indaiatuba)
Bar da Praia (Jaguariúna)

Lista Mais Olho Que Barriga para o Festival:

- Olivetto Restaurante e Enoteca

Apesar de já ter comentado aqui sobre minha experiência pouco satisfatória por lá, acho que o festival é uma boa oportunidade para uma segunda visita.

- Theo Medeiros

Também é um lugar que já conheço, porém não voltei lá depois de iniciar o blog. Tenho uma certa "birra" com o fato do restaurante não aceitar nenhum cartão de crédito ou débito. Francês demais... mas vamos dar um voto de confiança ao chefe-estrela de Campinas.

- La Palette Restaurant (The Royal Palm Plaza)

Pra mim, o melhor restaurante de Campinas, com notas máximas não só para a cozinha mas também para o atendimento, ambiente, carta de vinhos. O Festival oferece uma boa oportunidade para voltar neste excelente restaurante, que há tempos está merecendo um post por aqui.

- Restaurante Matisse (The Royal Palm Residence)

Já fui algumas vezes ao Matisse e não consegui formar uma opinião sobre o lugar, dada a irregularidade da cozinha. Agora é a hora de tirarmos a prova.


Como não consigo encontrar informações sobre o que será oferecido pelos estabelecimentos durante o Festival, em termos de valores e cardápio, não me atrevo a listar muitos outros lugares, mesmo porque não sei se daremos conta do recado (ou se os restaurantes darão, em virtude do aumento da procura). Mas acredito que já no primeiro final de semana poderemos ter uma boa noção do que o Festival irá nos proporcionar, em termos de experiências boas e ruins também.

Convido os leitores a postar suas experiências nos comentários, para que possamos expandir nossa "lista de avaliados", com base na experiência de quem foi e comprovou.

E a sorte está lançada! Façam suas reservas!

sábado, 3 de julho de 2010

Feito em Casa: o Mais Olho que Barriga também vai à cozinha

Atendendo aos pedidos dos interessados em colar a barriga no fogão para fazer sua própria refeição, inauguro hoje uma seção no blog entitulada "Feito em Casa", com receitas criadas (ou não) e executadas (isso sim!) por esta que vos escreve. Como muitos dos que gostam de comer bem também se interessam pelas panelas, vou dividir algumas das minhas receitas que costumam impressionar os comensais, mas que são fáceis de fazer, principalmente para quem não tem muito tempo de sobra para cozinhar.

Inaugurando a sessão, Risoto de Bacalhau com Brócolis:



Os risotos são pratos fáceis de fazer, basta usar o arroz certo, combinando-o com ingredientes "interessantes" e um bom caldo, além de requerer um pouco de paciência do cozinheiro para mexer o tempo todo do preparo, o que não deve ultrapassar 30 minutos. Como o intuito desta seção é ensinar receitas práticas, sugiro utilizar um caldo pronto (aqueles em cubinhos mesmo), pois o preparo de caldos frescos exige um pouco mais de tempo e alguma técnica - se bem que pode-se fazer o caldo fresco e armazená-lo no congelador, o que não compromete em nada sua utilização por uns bons 3 meses.

O mais importante para um bom resultado final é a utilização do arroz arbóreo, um arroz italiano de grão mais redondinho, que não precisa lavar e conforme vai cozinhando, vai soltando o amido necessário para dar a consistência cremosa do risoto - por isso o verdadeiro risoto não precisa de "aditivos" como o creme de leite para deixar sua consistência cremosa.

Isto posto, vamos aos ingredientes para esta receita, considerando 4 pessoas:

400mg de Arroz Arbóreo
4 col de sopa de manteiga
4 col de sopa de azeite
1 cebola pequena bem picada
1 cálice de vinho branco
250g de bacalhau dessalgado* e desfiado
250g de brócolis cozido
150g de azeitonas verdes s/ caroço
4 ovos cozidos (para decorar)
Queijo parmesão ralado (à vontade)
Pimenta do reino moída na hora (à vontade)
Sal
3 cubos de caldo (de vegetais ou frango) dissolvidos em 1l de água fervente

Modo de preparo

Em uma panela, ferva 1l de água e acrescente os cubos de caldo para dissolvê-los. Deixar esta água em fogo baixo durante todo o preparo do risoto, pois este caldo será acrescentado aos poucos ao arroz.

Em uma outra panela, cozinhe os ovos e reserve.

* Para este risoto, pode-se comprar o bacalhau já desfiado e dessalgá-lo cozinhando-o em água, trocando a água a cada fervura. Deixar ferver 3 vezes será o suficiente.

Dourar a cebola com 2 colheres de manteiga e 4 colheres de azeite até ficar transparente. Acrescentar o bacalhau, o brócolis e as azeitonas para refogar, acrescentando o vinho branco em seguida. Deixar evaporar o vinho e juntar o arroz arbóreo, mexendo bem para misturá-lo aos demais ingredientes. Acrescentar umas 2 conchas do caldo e mexer até que comece a secar. Este processo de acrescentar o caldo, mexer e deixar secar vai se estender até o final do preparo, quando o arroz atingir o ponto de cozimento correto: o grão deverá ficar al dente, porém o "todo" deve estar bem úmido e cremoso. Talvez este 1 litro de água não seja totalmente utilizado, o importante é mexer bem durante o preparo para que o amido do arroz se desprenda e faça sua parte. Não deixe secar demais, senão o risoto pode ficar com uma consistência "empapada". Cuidado para acrescentar o sal, pois o caldo já deve conter sal suficiente, além do bacalhau e das azeitonas. Portanto, experimente e corrija, se necessário.

Quando o risoto atingir a consistência desejada, desligar o fogo, acrescentar as 2 colheres restantes de manteiga, o parmesão ralado e deixar descansar na panela tampada por uns 10 minutos. Neste meio tempo, descasque os ovos e corte-os em 4 (no sentido do comprimento). Pode-se usar ovinhos de codorna também, cortados ao meio (seriam 2 ovinhos para cada prato, 8 no total).

Após o tempo de descanso, o risoto deve ser servido imediatamente, senão aquele ponto "perfeito" do cozimento pode se perder. Caso aconteça do risoto secar além da conta, é só acrescentar um pouco mais de caldo e mexer bem. Para este risoto aí da foto, usei cumbucas individuais para servir, o que deixa o prato "esteticamente" mais interessante. A pimenta do reino deve ser moída na hora, sobre o prato montado e os ovos, inclusive.

O legal do risoto é que a base será sempre a mesma: cebola, arroz arbóreo, vinho, caldo, manteiga, azeite e parmesão. Os ingredientes podem ser inúmeros, desde que harmonizem entre si, como é o caso do bacalhau, do brócolis e do ovo cozido. Sugestões de combinações felizes são presunto parma, queijo brie e fundo de alcachofra, gorgonzola, pêras e nozes, ou ainda a turma dos cogumelos, como funghi, shitake, paris, etc.

Garanto que esta receita é, sem dúvida, Mais Barriga.

sábado, 26 de junho de 2010

Sugestão para um momento "detox": Kilimanjaro


Pode soar estranho para quem lê este blog com uma certa frequência, mas tem dias que eu sinto vontade de comer algo mais leve e saudável, como uma salada, por exemplo. Ainda mais neste período pós-férias, depois de passar 30 dias comendo como se não houvesse amanhã, sinto verdadeira necessidade de passar por um momento "detox" - já que a palavra "regime" não faz parte do meu vocabulário. E é nessas ocasiões que uma das primeiras opções de restaurante que me vêm à cabeça é o Kilimanjaro, nascido e criado em Campinas, um dos melhores lugares para se comer uma salada digna da minha vontade.

Presente há mais de 10 anos shoppings Iguatemi e Galleria, o Kilimanjaro pode ser descrito como um restaurante que une em seu cardápio pratos tidos como saudáveis (ou light, é que não gosto muito do termo) com boas opções da cozinha mediterrânea, além de clássicos de uma lanchonete. Com opções de risottos, massas, grelhados, burgers e acompanhamentos tradicionais, é possível conciliar o almoço "detox" com os interesses dos demais comensais, caso eles não estejam na mesma, digamos, "pegada" que você.

Para começar, costumo pedir a porção de casquinhas crocantes, espécie de cestinhas de massa filo (aquela que é fina como uma folha de papel) com dois diferentes recheios: tabule de quinoa com iogurte fresco e ratatouille de beringela. A porção vem com 6 unidades e é tão leve que não compromete o apetite para os demais pratos e ainda permite dispensar o couvert.


Mas é a seção das saladas que me encanta no Kilimanjaro, pois eles foram muito felizes nas combinações de ingredientes, além do capricho na montagem e "fartura" do prato - já ocorreu de eu não conseguir terminar um prato de salada! Ingredientes como queijo de cabra, presunto parma, parmesão, iogurte fresco, cogumelos shitake, entre outro, ajudam a deixar tudo mais interessante. A minha salada favorita é a Kampala, que vem com mix de verdes, fatias de parma, queijo de cabra grelhado, pêras e nozes. Além do prato ser grande, o queijo de cabra vem em porção generosíssima, com uma casquinha crocante bem fina por fora, com cremosidade e sabor intensos em seu interior.


Plenamente satisfeita (não só pelo estômago saciado, mas também por ter me mantido obediente ao movimento "detox"), poderia até ter encerrado a refeição com um frozen yogurt com calda de frutas vermelhas - que eles juram que é light mas que é tão gostoso que chego a duvidar que seja mesmo - mas realmente só consegui aceitar um cafezinho. A conta costuma ser algo em torno de R$ 50,00 por pessoa, incluindo bebidas e serviço. O ambiente é agradável e o atendimento é atencioso (pode ficar um pouco lento em dias de grande movimento), o que certamente faz do Kilimanjaro uma opção segura, tanto para os "saudáveis" quanto para os "famintos".


Kilimanjaro Restaurante
www.kilimanjarorestaurante.com.br

terça-feira, 15 de junho de 2010

Artesanalli - (muitas) Massas e (muitos) Molhos

Depois de algumas visitas ao Artesanalli nos últimos anos, ainda não havia voltado lá - e nem conhecido a nova casa no bairro do Cambuí - após ter iniciado o blog. Com isto, sentia a necessidade de visitá-los mais uma vez, para poder fazer uma resenha atualizada sobre este "simpático" restaurante de Campinas - este foi o primeiro adjetivo que me veio à cabeça para falar do Artesanalli, pois sinto que os responsáveis pela casa têm aquele "brilho no olhar" quando falam com seus clientes, como se sentissem muito orgulho pela conquista de ver seu estabelecimento lotado.

O fato do dono ser ex-Fellini poderia ser omitido aqui, mas não podemos negar uma certa influência trazida da outra cantina, como alguns pratos idênticos no cardápio - o que não pode ser chamado de "plágio" para os pratos tradicionais italianos, que não foram criados pelo Fellini e fazem parte de 99% dos cardápios de qualquer cantinona italiana, que assim queira ser reconhecida. Mas certas combinações certamente são fruto da criatividade de alguns chefs e devem ser associadas a um estabelecimento específico, o que, neste caso, poderia soar como uma "cópia". No cardápio do Artesanalli, reconheci o "Badejo Alle Zucchine" (que no outro é feito com pescada) e não pude evitar a associação do molho "Mastroiani" (sic) da casa com o diretor de cinema italiano que empresta seu nome ao outro restaurante, mas isso já seria influência da sétima arte (isso sem citar o couvert, que para ser idêntico, só faltaram as azeitonas chilenas que eu tanto adoro).

Quase igual, mas sem as azeitonas...

E os pães fresquinhos, feitos na casa.

O cardápio é extenso, com diversas opções de massas frescas, recheadas ou não, feitas na própria casa, com ainda mais opções de molhos. É aquele esquema de montar o prato, escolhendo a massa e o molho de preferência, para uma ou duas pessoas. Além das massas, receitas com carnes, frango, peixes e frutos do mar, além de risotos e antipastos. Particularmente, cardápios muito extensos e com muitas opções me incomodam um pouco, talvez porque eu seja "mais olho que barriga" e fique querendo experimentar de tudo.

Minha escolha foi o badejo grelhado com creme de abobrinha e risotto idem (nada como um prato tão semelhante para comparar os dois restaurantes) e o maridão foi de "Cappelleti Alla Mastroiani", cujo molho era uma mistura entre quatro queijos e tomates frescos, manjericão e cubos de bacon. O que merece menção é a relação custo x benefício do Artesanalli: os pratos individuais são bastante fartos e os preços são mais baixos que os praticados em outros lugares semelhantes. Para servir de exemplo, meu peixe veio em um prato oval, com dois filés carnudos cobertos por farto creme de abobrinha, com metade do prato ocupada pelo risotto, ou seja, um prato individual que daria para duas pessoas com pouco apetite dividirem (não é o meu caso), pelo preço de R$ 34,00. A massa veio gratinada em travessa de barro, com porção que renderia dois pratos satisfatórios, por algo em torno de R$ 30,00.

Com relação aos pratos em si, o meu estava bem saboroso, com peixe macio e brilhante, creme de abobrinha aveludado e risotto bem cremoso, mas... vamos aos poréns: o prato todo estava salgado além da conta, tanto o peixe quanto os acompanhamentos, o que me fez evitar de comer tudo. Além do mais, o risotto passou um pouco do ponto, com grãos de arroz mais molengas, o que prejudicou um pouco o resultado final.

"Badejo Alle Zucchine", que poderia ser dividido entre duas pessoas com apetite normal.

Quanto a massa, ocorreu o contrário: al dente demais, o que em se tratando de um capelletti, pode tornar o prato muito pesado, como "arestas" indesejáveis de massa durinha, principalmente nas dobras. Nada contra o molho e o sabor do prato em si, que era rústico e marcante, porém os ingredientes harmonizavam entre si, mas corrigir o ponto de cozimento seria ideal neste caso (se fosse uma massa mais leve, como um fidellini, por exemplo, este item passaria desapercebido).


Esta é metade da porção, já colocada no prato.

Acho que aqui cabe também sugerir um incremento na carta de vinhos para as opções de tintos meia-garrafa, pois na ocasião eu não estava podendo beber e o maridão teve que pedir uma garrafa inteira por não ter muita escolha nas opções menores.

A decoração "mercearia" que divide os dois salões superiores.

O serviço é cortês, porém oscilou entre onipresente - no começo da refeição - e quase ausente no final. Talvez o fato de estarem completamente lotados naquela sexta-feira à noite tenha influenciado o serviço. Mas para a categoria "Dica Mais Barriga por Menos", estava dentro do esperado.

Em suma, acho que hoje o Artesanalli está no caminho certo para brigar de igual para igual com outras cantinas da cidade. O vínculo que o associa ao passado com o Fellini me parece ter sido saudável para o crescimento do restaurante, como algo que tenha dado boa segurança na construção de sua identidade atual.

Artesanalli Massas e Molhos
www.artesanalli.com.br