quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Comidinhas de ocasião

Estive recentemente em dois lugares da cidade que servem boas opções de comidas rápidas, daquelas que se procura quando não há tempo para uma refeição completa ou quando a fome não é tão grande, ou ainda quando se está passando em frente e dá uma vontade de experimentar.

No caso da Kopenhagen, só eu que não conhecia a tal Gourmet Station do Parque Dom Pedro? É a única loja da rede em Campinas que conta com esse espaço, cujo cardápio traz boas opções de refeições rápidas e sanduíches elaborados. As mesas ficam em um espaço pequeno, porém agradável - estava vazio - talvez ainda não descoberto pela maioria dos que por ali passam. A Pati já havia estado lá e falou tão bem dos sanduíches que fomos conferir se estavam à altura dos chocolates da marca.

Poucas mesas em espaço agradável

O atendimento foi cortês num primeiro momento, mas notamos que as atendentes estavam conversando sobre assuntos pessoais, sem se importar com a presença de clientes, num volume que chegava a interferir no nosso papo. Pareceu que não havia ali um gerente que orientasse suas funcionárias, pelo menos para que elas continuassem com o "conversê" num volume mais discreto, digamos. Pedidos anotados, esperamos pouco tempo pelos sanduíches, que vieram acompanhados de saladas simples, mas com folhas estalando de frescas. Pode-se optar pelo molho, que vem em boa quantidade - fui de honney mustard, um dos meus favoritos, e estava bem feito.

Destaque para o ótimo balsâmico

Escolhemos um sanduíche cada, que dividimos para que pudéssemos experimentar ambos: um com mix de queijos nobres, tomate caqui e manjericão no pão de cacau e outro com pasta de frango defumado, queijos e azeitonas pretas na ciabatta.

A aparência dos lanches nas fotos criaram uma expectativa quanto à quantidade de recheio, o que gerou uma posterior frustração, principalmente com relação ao caprese, cujo creme de queijos era a alma do sanduba e deveria, portanto, vir em quantidade considerável. O pão de cacau, por outro lado, roubou a cena, muito saboroso e macio. O lanche de frango também não tinha muito recheio, porém o sabor estava ótimo, assim como o pão. Quando comentamos com a atendente sobre a escassez de recheio, ela nos explicou que os sanduíches e demais opções de refeição não são feitos por lá, mas sim entregues prontos por um fornecedor local. Assim sendo, não consideraria numa próxima visita escolher um prato do cardápio, como um risoto por exemplo, já que para este tipo de comida é inconcebível que não seja feita na hora.

Este é o de frango, na ciabatta

E este é o caprese, no pão de cacau, cuja escassez de recheio nos frustrou um pouco...

A sobremesa não será um problema para quem quiser provar as comidinhas da Gourmet Station, já que todo o "acervo" da loja está à disposição. Destaque para os cafés elaborados, um melhor que o outro.

Em termos de preço, os sanduíches custam entre 15 e 20 reais, com saladinha inclusa. Vale à pena para quem está à procura de algo rápido no shopping, porém não quer se meter no meio da confusa e sempre lotada praça de alimentação.

Kopenhagen Gourmet Station - Shopping Parque Dom Pedro
fone: (19) 3209-1909

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Outro lugar que me agradou bastante foi o Naturalli, um tipo de fast food de comida saudável que fica bem pertinho do Parque Dom Pedro, em um mall chamado The Mall - hã?
Com a vantagem de ter estacionamento gratuito, o Naturalli também é uma boa opção de refeição rápida na região, com a virtude de oferecer ingredientes frescos e saudáveis em seu cardápio. O forte são os crepes, mas no menú constam também sanduíches, omeletes, vitaminas, sucos desintoxicantes, salgados de massa integral... Os recheios que levam queijos são feitos com ricota fresca, queijo branco, mussarela de búfala, nada de queijos amarelos ou mais fortes. Muitos legumes como abobrinha, espinafre, brócolis, bem como folhas frescas, também são opções para rechear crepes e sanduíches. Uma saladinha fresca acompanha os pratos.

Como já estive lá algumas vezes, seguem as fotos das opções que experimentei:

Versão "4 queijos leves"

O não-tão-leve de carne desfiada e hommus

De abobrinha com opção de molho branco...

... e na opção de molho vermelho (feito de tomate mesmo, nada de enlatado)

Em termos de preço, uma refeição com suco sai por volta de 20 reais - isso porque os sucos são relativamente caros, em torno de 6 reais uma opção com frutas frescas e algum grão, como linhaça. Também faz delivery na região.



Vila Naturalli Healthy Food - The Mall Campinas
http://www.themallcampinas.com.br/lojas/vilanaturalli/

sábado, 15 de janeiro de 2011

Retomada em 2011: uma jóia no litoral paulista



Olá pessoal, feliz 2011 e vamos voltar à ativa em grande estilo, já que neste mês o Mais Olho Que Barriga completa seu primeiro ano de vida. O post de hoje é sobre um ícone do litoral - consagrado como um dos melhores restaurantes de praia do Brasil e que se mantém no topo há mais de duas décadas - o Manacá, na praia de Camburizinho, município de São Sebastião.

Conheci o Manacá em meados dos anos 90, justamente quando minha família descobriu essa praia de areia branquinha e mar brabo. Desde então, foram muitas as vezes que passamos a virada do ano por lá e, quando possível, visitávamos o restaurante, sempre vivo em minha memória não só pela excelente cozinha, mas também pela sua peculiar construção sobre palafitas, em meio a uma exuberante mata nativa.
Não se pode chegar de carro até o restaurante, ele fica enfiado em um terreno de difícil acesso, porém o pequeno trajeto do estacionamento até o local é feito hoje em dia em vans (digo hoje em dia pois, antigamente, fazia-se a pé). Logo que se entra, é fácil perceber porque os carros devem ficar distantes dali: todo o caminho até o restaurante desde sua entrada é feito por passarelas elevadas, em meio à mata, assim como o próprio salão, que fica sobre palafitas. Isso porque o local é uma área de mangue, com solo encharcado, daí a necessidade de se utilizar as palafitas, o que confere um charme muito especial ao lugar (calma, eles mesmos oferecem repelente caso você se esqueça de passar o seu).



O chef-proprietário é o mineiro Edinho Engel, cuja especialidade são os peixes e frutos do mar. Não por acaso, também é proprietário do excelente restaurante Amado, em Salvador. O cardápio do Manacá é razoavelmente extenso e diversificado. Apesar do foco ser mesmo nos amigos do mar, notei boas opções de carnes, massas e risotos. Logo na contracapa do menú encontrei um pedacinho de papel que listava os especiais do dia e aquilo já me perturbou, pois me tirou o foco de todo o resto depois que li as opções de cavaquinha e de frutos do mar grelhados. Foi uma escolha dificílima, já que nosso eficiente garçom nos explicou que a cavaquinha vinha acompanhada de nhoque romano trufado e os frutos do mar, cuja seleção incluía minhas tão amadas vieiras, eram acompanhados de risoto de alcachofra. Acabei me seduzindo pelas vieiras e optei pelos frutos do mar, assim como os demais comensais, com exceção da Pati, que foi de cavaquinha.

Couvert simples, mas simpático.

O couvert é simples mas os pães são fresquinhos, feitos lá mesmo, com direito a explicações sobre cada tipo. No mais, bolinhas de ricota ao pesto, patês e aliche.
Todos os pratos incluíam uma saladinha verde como entrada que, na minha opinião, poderia ser um pouquinho mais elaborada, já que o valor de CADA prato era algo em torno de 150 reais... acrescentar às folhas um ou outro ingrediente, como fundo de alcachofra, palmito, cogumelos ou queijo de cabra, seria benvindo (ai, essa nova ortografia chega a doer quando se lê, não?).

Salada verde e ponto.

O restaurante não estava lotado quando chegamos, também pudera, nossa reserva havia sido feita para às 19:30h pois estávamos com crianças. Mas em pouco tempo as mesas foram todas ocupadas, assim como todos os lugares da área de espera e bar. Notamos que muitos dos comensais eram estrangeiros, principalmente europeus, embasbacados com a exuberância da mata atlântica do entorno. Se até nós ficamos maravilhados, os gringos acham um espetáculo à parte.

Até a espera fica mais agradável num cenário desses...

Para acompanhar nossos pratos, escolhemos um ótimo vinho italiano da uva pinot grigio, que caiu deveras bem com o clima e os amigos do mar. Nossos pratos chegaram sem muita demora, com uma bela apresentação. Obviamente, cresci os olhos para as cavaquinhas do prato da Pati, mas logo me distraí com a enorme variedade de frutos do mar do meu prato: mexilhões na própria concha, vôngoles, lulas, um tentáculo inteiro de polvo, camarões graúdos, lagostim e, finalmente, pequena vieiras. Como coadjuvante, um excelente risoto de alcachofra que, para ser perfeito, só precisava ter vindo em maior quantidade (lógico que essa é a minha opinião de glutona). A cada variedade experimentada, uma textura diferente: as lulas eram elásticas mas não borrachudas; os camarões e lagostim, divinamente no ponto; o polvo, com suas curiosas ventosas, era macio e saboroso, assim como os mexilhões e vôngoles, que estouravam na boca; a única ressalva fica por conta das vieiras, justo as minhas favoritas, que estavam rígidas devido ao ponto de cozimento errado. Uma pena, pois sou daquelas que deixam o melhor do prato para o final, como uma despedida do que foi bom, no melhor estilo save the best for the rest. Mas dessa vez, o que ficou foi um gostinho de frustração... em se tratando de frutos do mar, ponto pode ser mais importante que tempero.

Grande diversidade de frutos do mar, acompanhados do ótimo risoto de alcachofra.

Segundo a pati, o prato dela estava excelente, nada menos que isso. Para ela, a quantidade também estava de acordo com o apetite. As cavaquinhas estavam tenras e saborosas e o nhoque romano tinha intenso sabor das trufas, porém sem ofuscar as protagonistas do prato.

Além de lindo, o prato estava excelente.

Com nossos estômagos agraciados pelo banquete, chegamos a pedir o menu de sobremesas, mas não nos empolgamos com nada, não pela falta de opções, mas porque estávamos realmente satisfeitos com o que havíamos comido e bebido. Uma das sobremesas nos pareceu muito interessante, um tipo de mousse de queijo branco com calda de goiaba, mas acabamos sendo mais prudentes que curiosas e abrimos mão.

A conta saiu salgada, cada prato custou cerca de 150 reais e o vinho algo em torno de 100 (pedimos duas garrafas). Notei que há pratos a partir de 60 – 70 reais, porém não são os que levam frutos do mar. Acredito que para um casal, o valor estimado para uma refeição pode ser algo em torno de 400 reais, incluindo um bom vinho. Se vale à pena, não posso garantir, mas o que posso afirmar é que trata-se de um belíssimo restaurante com ótima cozinha, o que pode proporcionar, no mínimo, uma experiência diferenciada.

www.restaurantemanaca.com.br

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Morena da Cidade Universitária



Barão Geraldo é um lugar simpático, gosto daquele clima de cidadezinha que paira no ar, tudo é perto e parece que todo mundo se conhece. Só eu que não conhecia a tal morena do título, porque pela lotação em pleno almoço de quinta-feira, todo o pessoal de lá já sabe dela... refiro-me ao restaurante Morena Flor, que fica naquele trecho da Estrada da Rhodia onde se concentram outros restaurantes, como o Tábua de Marés, Gregs, Panneteria Di Capri (na verdade, é aquela ruazinha paralela à estrada).

Eu e minha amiga Pati fomos conferir o que a tal "morena" tem, pois o movimento é sempre intenso, tanto durante a semana quanto nos finais de semana. O ambiente é super simpático, bem rústico, porém aconchegante. Só que com as janelas abertas, o calor ficou insuportável quando a casa encheu, exigindo um certo tempo para que o ar-condicionado desse conta do recado, o que aconteceu após alguns minutos. Também devido à lotação, o serviço ficou meio lento, desatencioso, mas isso foi no final da nossa refeição, pois chegamos bem cedo.

Ainda vazio, mas depois encheu....

Notamos que não há exatamente uma especialidade da casa, o cardápio vai de massas a risotos e carnes, mas talvez a ênfase do menú esteja nos pratos regionais, com a carne seca como ingrediente-estrela. Dada nossa percepção, optamos por dois pratos regionais: paella nordestina (me encantei com a criatividade do nome), que nada mais era que um arroz com açafrão, carne seca, pimenta e cubos de queijo coalho, e um bolinho de aipim com carne seca cujo nome não me recordo, mas era do tamanho de uma quiche individual, acompanhado de risoto de legumes e salada.

De entrada, dividimos os fundos de alcachofra com manteiga de ervas que, apesar de serem do tipo congelado, estavam bem macios e saborosos.



Nossos pratos vieram dentro do tempo esperado, porém vi que outras mesas ficavam impacientes com a demora. As porções eram generosas mas sem exagero, mas no caso do prato da pati, somente o tal bolinho e a salada seriam suficientes, o risoto parecia estar "sobrando" no prato, competindo com o bolinho. Mas verdade seja dita, o arroz era arbóreo mesmo e os legumes estavam al dente, tudo certinho com o risoto. Só uma ressalva quanto ao tal bolinho, que poderia ter mais recheio, já que a mandioca é "massuda" por natureza e qualquer excesso pode causar um desequilíbrio.

Bolinho ou bolão?

Minha paella nordestina estava bem saborosa, com arroz cremoso e carne seca presente em quantidade notável. O queijo coalho dava o contraste de textura, enquanto a cheirosíssima pimenta da casa coroava tudo com a "picância" necessária. Um prato criativo com ingredientes simples, muito saboroso e harmônico.

Adorei meu prato, principalmente o nome

Achamos que nossas escolhas mereciam ser acompanhadas de "loiras geladas", portanto o garçom nos providenciou baldinho com gelo, cobrando apenas as cervejas que foram consumidas. Muito conveniente para o calor senegalesco que fazia naquele dia.

Nossa conta deu cerca de 35 reais para cada, valor que consideramos bem pago. A morena só tem que tomar mais cuidado com a qualidade do seu atendimento em dia de casa cheia, pois notei que a fórmula boa comida + preço razoável já a tornou irresistível, só não pode deixar a peteca cair e frustrar a clientela.

Morena Flor Cozinha Contemporânea
R Maria Tereza Dias da Silva 234
Cidade Universitária
Campinas, SP
(19) 3249-0424

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Redescobrindo o Santa Therezinha

Mais legal que descobrir um lugar bacana é descobrir que este lugar tem mais a oferecer do que você pensava. Por exemplo, que o empório Santa Therezinha era um lugar super legal, cheio de iguarias e ingredientes de primeiríssima, um verdadeiro parque de diversões para os amantes do fogão, isso eu já sabia. Mas outro dia, passando por lá em uma sexta-feira de calor senegalesco, tive a brilhante idéia de almoçar no empório, bebericando um excelente choppe de colarinho cremoso e temperatura baixíssima. Lógico que, se os ingredientes vendidos no empório são muito bons, a comida feita por lá também deveria ser, já que eles utilizam os mesmos produtos que estão à venda. O cardápio inclui, além das opções de almoço executivo, os pecaminosos beliscos e sanduíches, tudo com aquela vibe boêmia. Dentre as opções de almoço, pratos com bacalhau, escondidinhos, polenta mole com linguiça ao sugo, baião de dois, e por aí vai. Escolhi o tal do arrumadinho de bacalhau, enquanto o parceiro Xana foi de arrumadinho também, mas na versão de carne seca - carne desfiada acebolada, feijão de corda temperado com manteiga de garrafa, farinha de mandioca com vinagrete e couve.

O choppe descia que era uma maravilha, as mesinhas ficam à sombra, sob um pergolado agradabilíssimo, minha sensação foi de que os pratos vieram super rápido. As porções eram enormes, tanto a de bacalhau quanto a de carne seca.

Lindo, lindo...

O bacalhau desfiado estava tenro e úmido, atestando a boa procedência do peixe, nada salgado e temperado com um bom azeite. A couve que acompanhava era daquelas novinhas, bem macia e clarinha, cortada fininha. O feijão de corda cumpria bem seu papel de coadjuvante, sem pesar na quantidade. Tudo super harmonioso e muito saboroso, assim como a versão de carne seca, segundo o Xana - carne macia e bem dessalgada, com tempero na medida certa.

O tal do arrumadinho, em versão com bacalhau...

... e com carne seca

Poderia passar horas naquela mesinha, contemplando a paisagem e bebericando aquele choppe fantástico, até o sol baixar e o calor, diminuir. Mas, como o não somos marajás e nem ganhamos na mega (ainda!), o dever nos chamava e fomos obrigados a encerrar a refeição, satisfeitíssimos. O preço? R$ 32,00 por pessoa... valeria só pela mesinha à sombra, com um choppe bem tirado daqueles.

Se liga no sol lá fora... você também não ficaria horas aqui?


Empório Santa Therezinha
Shopping Parque D. Pedro
fone: (19) 3756 9984
www.santatherezinha.com.br

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A farra portenha - Parte 2: Le Sud



Continuando com a nossa farra portenha, na segunda noite em Buenos Aires fomos conhecer o restaurante francês do Hotel Sofitel - que, por sinal, é belíssimo e muito bem localizado, pertinho do Pátio Bullrich - o Le Sud.

À primeira vista, parecia que as coisas não iam muito bem, já que o lugar estava absolutamente vazio. Mas os portenhos têm a boemia como herança dos espanhóis e costumam jantar bem tarde, por isso não nos precipitamos em achar que o restaurante estaria em baixa.

Serviço impecável e ambiente idem. Cardápio enxuto, com poucas opções de entradas e pratos principais, mais semelhante ao menu de um bistrô. Logo que vi o tal ovo mole com trufas negras nem terminei de checar as opções de entrada, pois já tinha meu eleito. De principal, quis experimentar a truta rosa da patagônia, como forma de enaltecer os ingredientes locais.

O couvert era simples e mínimo em termos de quantidade, com patê de azeitonas pretas, azeite virgem com pimenta rosa e pãezinhos fresquinhos, além de um hommus em porção individual.

Até aí, tudo padrão. Mas quando colocaram o ovo na minha frente, fiquei sem entender como pode um ovo com gema mole ser empanado e frito! As trufas negras estavam salpicadas em um crostini de parmesão e sob o ovo, um sautée de cogumelos. O prato ficou ainda mais bonito quando cortei o ovo e deixei aquela gema dourada e gelatinosa escorrer sobre os cogumelos. As trufas eram "das boas", com aroma e sabor super potentes. Uma entrada realmente surpreendente, tanto é que perguntei à nossa atendente como eles descascavam, empanavam e fritavam um ovo tão mole, e a resposta veio com um sorriso: "es difícil, muchos se los rompen!"

Como?

Ah, tá! Por mais afinidade que eu tenha com as panelas, não me aventuro a fazer um desses em casa, não...

A truta rosa da patagônia veio acompanhada de risotto "frito" de açafrão, que nada mais era que um risotto enformado e dourado no azeite... interessante, mas eu prefiro o tradicional, cuja textura e sabor fazem com que nada mais seja necessário para deixá-lo delicioso. Já a truta era delicada, muito fresca e saborosíssima - principalmente na parte da pele, bem fininha e tostadinha, tal qual um torresminho do mar.

Truta da Patagônia

Para finalizar, não poderia deixar de provar o suflê de chocolate, já que estávamos em um restaurante francês. Inclusive, na hora dos pedidos eles já nos avisaram que deveríamos pedir o suflê com antecedência, devido ao tempo de preparo. Mesmo que tivéssemos que esperar os 30 minutos do preparo após o fim da refeição, teria valido à pena. Fofíssimo, o suflê era visivelmente feito com chocolate de primeira, intenso e com pouco açúcar, do jeito que eu gosto. Uma bolinha de sorvete servia para brincar de quente-e-frio, ainda mais com o creme fumegante que fora colcado no interior do doce, à nossa frente. Sublime, atestando que o Le Sud é um autêntico francês.

Gran finale!

Os valores não são nada exorbitantes, entradas em torno de 40 pesos (cerca de 20 reais), principais em torno de 80 pesos (cerca de 40 reais) e o suflê saiu por 50 pesos (25 reais).

Ao final do jantar, o restaurante já contava com umas 10 mesas ocupadas, o que nos deixou aliviadas, afinal de contas, a cozinha merecia créditos. Saímos satisfeitas, com a sensação de que encontramos mais um bom lugar em meio a tantas ótimas opções na capital portenha.

Le Sud - Hotel Sofitel
Arroyo 841 , BUENOS AIRES, ARGENTINA

Mais Olho Que Barriga na mídia

Pessoal, antes de continuar postando sobre os restaurantes de Buenos Aires, segue o link da entrevista sobre o blog que concedi a um portal de Piracicaba - para quem se interessar, é claro!

http://www.grupoempresariospiracicaba.com.br/2010/11/mais-olho-que-barriga-mari-colari-radar.html

Já volto com um post bacana!
Um abraço,

Mari Corali

domingo, 24 de outubro de 2010

A farra portenha - Parte 1: El Bistro

Bom, mamãe fez aniversário de XX anos (se eu revelar a idade ela me mata) e quis comemorar em Buenos Aires, então ao invés de arrumar as malas, preferi passar a mão no telefone e fazer algumas reservas para garantir que a viagem seria uma verdadeira esbórnia enogastronômica.

Minha primeira ligação foi para El Bistro, um restaurante de alta gastronomia que fica dentro do Hotel Faena, uma belíssima construção que antes abrigava um silo e que hoje é um dos melhores hotéis da capital portenha, na região de Puerto Madero. O chef é o jovem Mariano Cid De La Paz, pupilo e queridinho de Ferran Adriá, que parece ter aprendido com o mestre como ser excêntrico e, ao mesmo tempo, genial na cozinha. A experiência toda foi magnífica, desde a entrada no hotel, cuja decoração Belle Époque de cair o queixo tem a assinatura do grande Philippe Starck, com ambientes espantosos e decoração exótica. O próprio El Bistro é de um exotismo a parte, com decoração predominantemente branca, alguns detalhes em vermelho e cabeças de unicórnio nas paredes (!)...

Parece até obra do cineasta Tim Burton, mas é Philippe Starck mesmo...

Eu achei meio perturbador o lance das cabeças de unicórnio, mamãe achou bonito

Passado o momento de contemplação, acomodadas em um sofá de couro (branco, obviamente), perguntei à nossa atendente sobre o menú degustação - pelo qual eu estava assanhadíssima para conhecer - mas ela disse não poder dizer a relação dos pratos, pois o chef simplesmente faria o que tivesse vontade. Oi? Tudo bem que o chef é dos bons e eu como de tudo, mas mamãe tem várias restrições alimentares e eu não poderia deixar que nosso jantar fosse arruinado por uma sequência de pratos que ela não gostasse (afinal de contas, a aniversariante era ela!). Daí que, mais olho que barriga que sou, disse que eu iria de menú degustação, enquanto minha mãe pediria à la carte, mas a atendente nos disse ser impossível, pois o menú só poderia ser servido para todos da mesa. Nessa hora, mamãe quase se levantou para sentar sozinha em outra mesa, assim eu poderia pedir o menú degustação, mas resolvemos de uma forma mais pacífica, criando nossa própria degustação a partir das opções do cardápio. Cada uma pediria duas entradas, um prato principal e uma sobremesa, e faríamos o bom e velho troca-troca de pratos na mesa.

Até então, a sommelier nem tinha dado as caras, acho que ela estava mais afim de fazer suas indicações para os que escolheram agradar o chef e pedir o menú degustação, mas mesmo assim não tivemos dificuldade nenhuma para escolher nosso vinho da carta que, te tão grande, mais parecia um catálogo telefônico. Ela só resolveu dar as caras na nossa mesa quando teve que inventar uma boa desculpa para nos dizer que nossa opção não estava disponível e para sugerir outra à altura, que aceitamos sem fazer caso.

Para as entradas, minhas escolhas foram o confit de pato em seu próprio caldo de cozimento e lagostins com curry vermelho. Mamãe pediu uma sopa de alcachofra com ovo cozido em baixa temperatura e um carpaccio de shitake com capelettis de pistache.

Enquanto aguardávamos os pratos, alguns petiscos nos entretinham: muffin de azeitonas pretas - inusitado, mas muito saboroso - torrões de gergelim e um "shot" que não consegui definir exatamente do que era, mas tinha algo alcóolico.

Muffin de azeitonas campeão!

Na sequência, nos serviram uma sopa/espuma de cenoura com geléia de grape fruit (ou pômelo rosado) cuja textura era supreendente, semelhante a uma mousse, porém muito mais leve.

Amuse bouche de primeira

Primeiro vieram o confit de pato e a sopa de alcachofras. Lógico que cresci o olho para a sopa, mas o pato estava tão perfumado, aroma este proveniente de um espesso caldo que foi derramado em volta da carne bem na minha frente, que logo voltei minha atenção para o meu prato. A carne, muito macia, era desfiada e derretia na boca, junto com o caldo de sabor intenso. Como minha mãe não parava de vibrar com a sopa, tive que experimentar antes de trocarmos os pratos e quase me arrependi de não ter pedido uma só para mim. Não que o pato não estivesse sublime, mas a sopa era pra lá de especial, com nacos macios de fundo de alcachofra e um ovo gelatinoso no meio do prato, cuja gema espalhava sua cor dourada a cada colheirada.

Alguém me dá uma colher para raspar todo esse caldo, por favor?

"Zóião" com pompa no meio da sopa

Passado o alvoroço das entradas, mais entradas: lagostins com curry vermelho e ninhos de rice noodles bem fininhos e carpaccio de shitake com mini-capeletti de pistache. Como mamãe não gosta dos amigos do mar, poderia ficar com todos os pequenos "artrópodes" (momento biologia) só pra mim, mas é claro que eu não abriria mão daquelas lindas lâminas de shitake... os lagostins eram frios, mas estouravam na boca de tão tenros. O curry vermelho, que costuma ser bem picante, acrescentou pungência ao prato. Já o carpaccio de shitake era o oposto, delicado, quase etéreo. As lâminas eram bem fininhas, mas assim mesmo dava para sentir a textura carnuda do cogumelo. Os capeletti de pistache eram bem pequenos, mas davam uma certa "sustância" ao prato.

Ainda bem que esse eu não tive que dividir...

... e ainda "roubei" do prato da mamãe

A esta altura, não poderíamos esperar nada que não fosse delicioso saindo da cozinha do jovem chef. Quando bati os olhos no menú e vi que ele fazia o leitãozinho confitado, cozido por horas até sua carne praticamente derreter, não tive dúvidas do que iria pedir. Havia opções bastante exóticas, como coelho e javali, mas este porquinho já habitava minha mente desde a abertura do Dalva e Dito, em SP, com o tal do "porco na lata". Mamãe foi de filé mignon mesmo, cheia de receio de provar algo mais "excêntrico".

O porquinho não era o que eu imaginava... era melhor. Sob uma camada de pele fininha e crocante e outra camada de gordura com textura cremosa, escondia-se a melhor carne de porco que já provei até hoje - e olha que já comi muito joelho de porco dos bons quando morei em Munique - mas esse leitãozinho superou qualquer experiência anterior. A textura da carne rosadíssima, combinada com o sabor que só uma boa dose de gordura pode oferecer, ofereciam garfadas de prazer, uma atrás da outra. Tanto é que nem liguei muito para a marmelada que servia de acompanhamento, concentrando-me somente naquele pedaço de paraíso porcoso.

Eu poderia comer isso todos os dias, sem enjoar...

Os filés eram bons, altíssimos e no ponto certo do pedido, mas nada de especial. Talvez porque, dentre tantas opções interessantes no cardápio, não consigo achar um filé mignon atraente em nenhum aspecto, mesmo amando carne vermelha. Mas uma coisa é fato: a porção era enorme!



Após tão criativo banquete, não poderíamos nos despedir do El Bistro sem provar uma sobremesa, cujas opções eram tão inusitadas quanto os pratos do menú. Mamãe, em um ato de quase-ousadia, escolheu o creme de chá verde, acompanhado de espuma de sei lá o quê e crisp de alga marinha. Agora foi minha vez de ser um pouco mais "conservadora" no pedido e fiquei com a sopa de chocolate, acompanhada de mini flans de baunilha e chocolate (sim, flans, tipo aqueles da infância, quando era preciso virar o copinho pra baixo e quebrar um pininho que deixava o ar entrar e o flan escorria no prato). Enquanto esperávamos, mais uma gentileza: copinho de ruibarbo (!) com flocos gelados de pômelo rosado.

Só descobri que era ruibarbo quando a atendente nos explicou, porque pra mim, tinha gosto de doce de banana!

As sobremesas também tinham seu ritual: a sopa de chocolate foi derramada fumegante sobre os mini flans, preenchendo os espaços do prato, algo semelhante a lava de vulcão, de tão quente que estava... o tal creme de chá verde parecia uma escultura de arte moderna, a montagem era linda. Faltava saber se era gostoso, então provamos: o creme em si era bem espesso, firme, mas não incomodava. Já a espuma de sei lá o quê era fantástica e o conjunto todo se mostrou espetacular, não só pelo sabor, mas também pelo interessante contraste de texturas.



A sopa era muito boa, mas de duas, uma: ou eu tinha maiores expectativas quanto ao excelente chocolate argentino, ou eu já estava no momento "mais olho que barriga" quando pedi a sobremesa, não aguentando ver mais nada na minha frente. Acontece que não achei a sopa tão boa quanto tudo o que a precedeu, mas ainda sim não deixei um mini flan sequer no prato...

Flans que lembravam a infância

O melhor de tudo é que, mesmo um restaurante considerado caro na capital portenha, tem um preço convidativo para os brasileiros, se tomarmos como referência os valores de menú degustação que encontramos por aqui, além da paridade entre peso e real. Nosso banquete, incluindo o vinho, saiu por menos de mil pesos, o equivalente a 500 reais. Vale lembrar que pedimos duas entradas cada, além de um vinho de 200 pesos (100 reais). Digo que valeu muitíssimo à pena, não só pelo jantar magnífico, mas também pela sensação de ter chegado pertinho de Ferran Adriá, nem que tenha sido através de seu pupilo Mariano Cid de La Paz.

El Bistro - Faena Hotel e Universidade
www.faenahotelanduniverse.com

Em breve, as próximas partes da farra portenha: 2 - Le Sud; 3 - San Babila; 4 - La Estancia

sábado, 23 de outubro de 2010

Circuito off-Campinas: "Navegando" pelo rio Piracicaba

*Desculpem-me pelas fotos de celular, mas melhor que postar sem fotos!

Em um domingo ensolarado, aceitamos um convite para almoçar em Piracicaba, cidade que fica a 45 minutos de Campinas e que eu, particularmente, adoro. Com aquela atmosfera de interior, seus deliciosos restaurantes à beira do rio Piracicaba me encantam, não só pelo lugar, mas pelos ótimos peixes da Amazônia e o famoso cuscuz da cidade, super cremoso. Mas desta vez o convite foi para conhecer um restaurante que não fica na conhecida Rua do Porto, mas sim um pouco mais adiante, na margem oposta do rio, chamado Navegantes.

O clima já era propício para um bom peixe, ainda mais em um ambiente extremamente agradável, bastante arborizado e acolhedor. Chegamos por volta das 13h e o lugar estava lotado, mas meu tio já nos aguardava em nossa mesa, com um geladíssimo vinho da uva Torrontés, que desceu maravilhosamente bem durante toda a refeição.
No cardápio, inúmeras opções de peixes e frutos do mar, inclusive bacalhau e paella, mas sem descuidar das opções que não contemplavam os amigos do mar, como boas pedidas de carnes.

O couvert conta com mariscos fresquíssimos, nadando em bom azeite e tempero elaborado. Das opções do cardápio, cresci os olhos gulosos para os peixes da Amazônia, em particular o pirarucu e o filé de pintado grelhado. Como não poderia pedir os dois, empurrei uma das opções para o maridão, que não reclamou da imposição. Os demais comensais pediram peixes também, sendo o badejo em versões bem distintas: uma delas denominada Caiçara, acompanhado de farofa de camarões, palmito pupunha grelhado, regados ao molho de azeite, alho, limão e pimenta de cheiro; o outro, flambado no whisky, acompanhado de risotto de shimeji e maçãs assadas. Apenas uma pessoa pediu carne, no caso um filé mignon Dijonnaise, acompanhado de batatas Rosti.

Um pratinho só pra mim

A apresentação dos pratos era belíssima e as porções fartas, não só no quesito acompanhamentos, mas os peixes eram grandes também. Vamos à descrição dos pratos:

O filé de pintado era grelhado, acompanhado de farofa de côco e banana grelhada. O peixe, de carne bem clara e sem espinhas, era muito tenro e saboroso. A farofa de côco tinha lascas de côco fresco, o que conferia ao prato um interessante contraste de textura e sabores também. Isso sem falar das bananas, que não eram meras coadjuvantes.

Depois dizem que peixe de rio não é bom...

O pirarucu era enorme, acompanhado de um delicioso pirão e molho de tomates frescos. A carne era extremamente saborosa e macia, com a grande vantagem de não ter espinhas. O pirarucu é o maior peixe de escamas de água doce, um ícone da Amazônia e não poderia ter sido melhor preparado.

E os americanos ainda querem tirar a Amazônia da gente...


O badejo caiçara também veio imponente, em um belo pedaço de carne branca e brilhante. A farofa de camarão conferia textura ao prato, enquanto o pupunha grelhado dava leveza. Com uma boa pimentinha, o prato estava divino na opinião de quem comeu (lógico que eu experimentei para conferir e endosso o veredicto!).

Badejo em versão brasuca...

Já a versão "alpina" do peixe, com maçãs assadas e risotto de shimeji, estava tão boa quanto à versão brasuca. O peixe era basicamente o mesmo, mas que belo risotto o acompanhava! No ponto correto de cozimento, era suave mas sem ser insosso, muito delicado e saboroso. As maçãs também contribuíram para a leveza do prato, tudo muito harmônico.

... e em versão "alpina"

Os filés vieram em dois gordos medalhões, no ponto perfeito e com bastante molho de Dijon. As batatas Rosti eram um espetáculo à parte, pareciam um "fetuccini" de batatas, em enorme quantidade!

Não é só de peixe que vive o Navegantes!

Depois de tanto peixe e vinho, somente alguns corajosos pediram sobremesa. A única parte triste foi que a famosa pamonha de Piracicaba, em versão miniatura, tinha "acabado de acabar". Mamãe ficou frustradíssima, pois estava louca para provar as três versões, com melado perfumado e cachaça orgânica, mel silvestre e raspas de laranja e com sorvete de côco e farofa de canela. Uma pena, pois realmente são as estrelas do cardápio de sobremesas. Contudo, o creme brûlée estava digno dos melhores franceses...

Como eu já tinha "pecado" durante toda a refeição, tomei vergonha na cara e não pedi sobremesa. Maaaas, como cortesia, o cafezinho veio com uma "pequena" montanha de chantilly, que eu não me atrevi a recusar e mandei ver!

Quanta gentileza...

A média de valores de todos os pratos que citamos aqui varia de 35 a 40 reais. O couvert é opcional e sai por 7,20 por pessoa, mas só pelos deliciosos mariscos, vale à pena.

Além da ótima cozinha, o Navegantes oferece algo que não consta no cardápio, mas que faz toda diferença: a linda paisagem, com um belo trecho do rio Piracicaba e sua rica vegetação do entorno, o que tornam a experiência gastronômica um passeio diferente, longe do trivial da cidade...







Navegantes Cozinha do Mediterrâneo - Piracicaba
www.navegantesrestaurante.com.br

P.S.: acabei de voltar de uma pequena viagem a Buenos Aires que se converteu em verdadeira esbórnia gastronômica, a ser narrada em breve aqui no blog, aguardem...